sexta-feira, 27 de novembro de 2015

Um ano para ser esquecido



     2015 vai terminando com a sensação de que vivemos um pesadelo constante.
     Tentativas de golpe pela oposição de direita no Brasil, que teima em não aceitar o resultado das urnas. O reaparecimento de uma cobra que estava adormecida; o fascismo brasileiro, propondo a volta da ditadura, expressando abertamente seu racismo contra os negros, principalmente, mas também contra os nordestinos e nortistas, seu preconceito contra os pobres, em sua marcha de ascensão social, contra as mulheres e imigrantes, contra os índios e suas reservas, contra os sindicatos, contra os direitos dos gays, enfim, contra tudo que signifique o aprofundamento da democracia no país.
     Por outro lado uma crise econômica, política e moral que não tem fim. Políticos dos partidos de esquerda presos por corrupção e políticos de partidos de direita impunes, comprovando que a justiça tem classe, apoiando os mais ricos na sua tentativa de desestabilizar os governos do PT, num conluio com as elites decadentes, sejam elas do PSDB, do DEM, do PMDB, das federações patronais, com o apoio da mídia conservadora, dominada por 5 famílias poderosas, que temem perder seu monopólio em favor de uma democratização da comunicação.
     Mas a corrupção no PT é real, provando que a alternativa social-democrata de aliança entre sindicatos de trabalhadores e parte da burguesia se esgotou, e que o país precisa urgentemente de novas ideias, de novas lideranças, que, no entanto, custam a surgir no horizonte.
     O Congresso mais conservador e corrupto de todos os tempos, comandado por um mercenário à soldo do grande capital, sem nenhum escrúpulo, tentando impor uma agenda de retrocesso sem precedentes, em aliança com setores fundamentalistas das igrejas neopentecostais, que de igrejas não tem nada, mas são verdadeiras empresas arrecadadoras de dinheiro de fiéis desavisados, isentas de impostos e que comandam impérios de comunicações e fazem a fortuna de seus "donos" pastores.
     Uma recessão mundial que atinge fortemente o Brasil e o terrorismo recrudescente na Europa, fruto de cem anos de agressões das grandes potências contra os países islâmicos, especialmente por parte de americanos e europeus, que com sua miopia imediatista preferem apoiar grupos terroristas, usando-os como arma para derrubar ditaduras laicas, que são substituídas por perigosos governos fundamentalistas, que acabam se voltando contra o próprio ocidente, apoiados veladamente pelas ditaduras medievais do golfo pérsico, especialmente a Arábia Saudita, espalhando guerra e devastação por todo lado. A Síria destruída e milhões de refugiados invadindo a Europa, numa torrente humana jamais vista, quando escapam de se afogar no mar mediterrâneo.
     Enquanto isso Israel promove uma guerra de extermínio contra o desarmado povo palestino, com apoio explícito do ocidente, a Ucrânia padece de uma guerra interminável, provocada por mais uma das "revoluções coloridas" da CIA que derrubou seu presidente legitimamente eleito, como fez no Egito, enquanto tentam fazer o mesmo com as democracias progressistas da América Latina.
     Assim a guerra e a crise vão se espalhando por todo lado. 
     Pra terminar, o acidente da Samarco, em Mariana, compromete a vida de todo o Rio Doce, sem que o, cada vez mais acuado, governo de Dilma Roussef tome uma atitude, e um surto de microcefalia vitima nossos bebês no nordeste.
     Não há o que comemorar neste fim de ano, a não ser seu próprio fim.
     Para não deixar tudo no âmbito negativo, só posso dizer que a falência geral das ideias, tanto no Brasil como no mundo, anuncia o fim de uma era e o advento de outra. Mas essas mudanças nunca ocorrem sem vítimas, como está se vendo. Um novo mundo terá de se basear na derrota definitiva do poder do capital, dos preconceitos, das agressões à natureza e das guerras, para que possamos entrar num mundo de paz e justiça.

Fim do blog

     Aproveito essa época de fnal de era para anunciar também o fim deste blog, que já não se justifica mais, em função das novas formas de comunicação, mais ágeis e sintéticas. Agradeço aos leitores que nos acompanharam e renovo minhas esperanças num futuro melhor para a humanidade.
Ricardo Stumpf 
     
       
 

segunda-feira, 12 de outubro de 2015

Politicando


Chega disso!


     Há quase um ano que assistimos esses perdedores do PSDB tentando derrubar a presidente reeleita. Ninguém aguenta mais Aécio Neves chorando pela perda da eleição e querendo ganhar no tapetão. As acusações variaram com o tempo. Primeiro pediram recontagem dos votos, alegando que teria havido fraude eleitoral. O TSE negou. Aí eles montaram uma auditoria por conta própria, que agora chegou a conclusão de que não houve nada. Depois tentaram envolver Dilma na Lava Jato e não conseguiram. Agora tentam condená-la pelas "pedaladas fiscais", que todo mundo faz. A dela foi pagar a bolsa família com verbas de outros lugares, para impedir que o povo passasse fome. 
     Enquanto isso a maioria dos que a criticavam foram sendo envolvidos nas teias da ação contra a corrupção, inclusive o próprio Aécio.
     A oposição está desmoralizada e a crise política prejudica todo mundo, principalmente a economia que já vai mal. É hora de parar e deixar a presidente trabalhar. Se querem o poder tratem de ganhar as próximas eleições, mas para isso precisam mudar seus velhos projetos de privatizar tudo e vender o Brasil. Esse tempo acabou.
     As campanhas de ódio que essa gente patrocina na internet estão criando um exército de fascistas ridículo, que combate os negros, os gays, os nordestinos, os judeus, pedindo a volta da ditadura e defendendo Hitler e outros fantasmas do passado. Em que mundo vivem?  Não neste, certamente, que se abre cada vez mais para a diversidade.
     Num mundo em que a decadência dos velhos imperialismos, de Europa e Estados Unidos, dá lugar para ascensão dos BRICS e do G20, onde a pobreza começa a ser erradicada, onde a África começa a ser um continente dinâmico e a América Latina vai se unindo, num projeto de progresso e bem estar, enquanto a Ásia lidera a economia mundial, essa gente parece que saiu de um freezer, onde permaneceram congelados, sem ver que o muro de Berlim caiu, o comunismo acabou e, com ele, a guerra fria. São mortos vivos.
     A agenda do mundo de hoje é o combate ao aquecimento global, o aumento da qualidade de vida, da saúde das populações humanas, através de novas formas de convívio democrático, de alimentação natural, de uma economia voltada para a ciência, onde o maior artigo de consumo serão os serviços, dentre eles a cultura.
     Vamos virar a página e esquecer esses nostálgicos de um mundo que acabou. Deixemo-los lá atrás, no início do século XX e vamos cuidar do século XXI. 
 

Papo de Arquibancada

A Copa já começou !



               Meus amigos, na última quinta-feira, começaram as eliminatórias sul americanas para a Copa do Mundo de 2018, na Rússia. Seguindo o nível do futebol apresentado pela nossa seleção em campo, desde a goleada para a Alemanha, na semifinal da Copa no Brasil, a seleção canarinho sofreu sua primeira derrota, 2 x 0 contra os campeões da Copa América, o Chile. O fato de ter sido derrotado pelos chilenos não é o fim do mundo, nem significa que o Brasil corra algum risco de ficar pela primeira vez fora de uma Copa. Contudo, o futebol que os comandados por Dunga vêm apresentando, esse sim, é extremamente preocupante. Um time desarticulado, sem criatividade e muito falho em seu sistema defensivo tem nos feito refletir sobre o futuro da nossa seleção. A verdade é que Dunga, em um ano no comando da equipe, ainda não definiu uma forma de jogar. Embora saibamos que a geração que está ai não seja talentosa, com os jogadores que temos, poderíamos ao menos ter um padrão de jogo definido, o que ainda não aconteceu, para não dependermos apenas das jogadas do Neymar. Não se surpreendam se o Brasil for derrotado pela Venezuela, e, logo no começo da competição, tenhamos que duelar com os argentinos já na terceira rodada, tendo que salvar o emprego do treinador, lembrando que os argentinos foram derrotados pelos equatorianos por 2 x 0, dentro de casa (delícia). Por hora é aguardar o próximo capítulo da via Crucis do torcedor brasileiro nestas eliminatórias.

Clipe da semana


Esperando aviões




 Vander Lee

Destaque


Lançamento



           Rio de Contas,01 de agosto    
 
 No dia 23 de outubro, às 19:00h., Ricardo Stumpf, estará lançando o seu novo romance, NAÇÃO - A flor do espírito, em Vitória da Conquista, no Museu Regional - Casa Henriqueta Prates, da UESB, situado na praça Tancredo Neves, n.º 114, Centro, ao lado do Conquista Center. 
                                                                                     Trata-se de um romance histórico, fundamentado no conflito entre barbárie e civilização e na  relatividade desses conceitos ao longo do tempo. Abordando a formação do Brasil, desde sua origem latina, no Império Romano, passando pelas raízes europeias, africanas e indígenas, a história se desenvolve no formato de saga, cujo elo de ligação é um amuleto, o oroboro, símbolo fenício que significa a evolução e o eterno retorno, representado por uma cobra engolindo seu próprio rabo.
        Brasília, 29 de agosto                                                                                                               Salvador, 20 de agosto
Ligados pelo medalhão fenício as gerações se sucedem,   desde o século II, onde a história tem início nas ilhas britânicas, até o ano de 1998, quando termina, no Rio de Janeiro, atravessando vários períodos da história que teve como resultado o surgimento do Brasil como nação moderna, dentro do contexto latino-americano.
Os personagens históricos e fictícios convivem no texto, cuja elaboração levou dois anos e demandou uma pesquisa intensa.

                                                       Rio, Bienal Internacional do Livro, 10 de setembro

Poesia da semana


 Soneto de fidelidade


De tudo ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.

Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento

E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama

Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.

Vinicius de Moares

Rapidinhas



Acabou a brincadeira
     A política ambivalente dos americanos na Síria chegou ao fim, com o início da ofensiva de russos, iranianos, iraquianos e sírios contra as tropas do Estado Islâmico e da Al-Qaeda.
     Os americanos fingiam bombardear os terroristas, mas deixavam que eles atuassem livremente, esperando que derrubassem Bashar-El-Assad, permitindo que cometessem as maiores atrocidades contra a população civil, destruindo relíquias históricas, assassinando até arqueólogos, acusados de serem idólatras,  matando mulheres e crianças por pertencerem a minorias religiosas, jogando gays do alto de edifícios, vendendo mulheres como escravas sexuais, tudo em nome de seus interesses estratégicos e causando o êxodo de milhões de famílias, muitas das quais morriam afogadas na travessia para a Europa, entupindo os países europeus de refugiados e provocando um grande desastre humanitário.
     Brincadeira sinistra, que deve chegar ao fim rapidamente com a destruição dos terroristas.


      Adeus Cunha
     Com a confirmação da Suíça de que Eduardo Cunha tinha contas milionárias naquele país, oriundas de suborno em operações na Petrobrás, detectadas pela Operação Lava Jato, encerra-se um capítulo triste da história do parlamento brasileiro.
     Para substituí-lo já são cogitados vários nomes, dentre os quais o de Miro Teixeira, homem correto, que já foi do PMDB e que hoje filia-se a um pequeno partido. Miro é um dos deputados mais antigos do Congresso e tem a capacidade de unir situação e oposição, mantendo a independência da Câmara.

Risos

Em homenagem ao dia das crianças.



Mágicos diferentes:


terça-feira, 1 de setembro de 2015

Até quando?
     No final dos anos 90 comecei a ter pesadelos recorrentes.
     Eram guerras que se desenrolavam com extrema violência, principalmente contra prisioneiros indefesos, executados publicamente com requintes de crueldade. 
     Logo depois uma imensa nuvem negra avançava sobre o mundo, engolindo tudo. Por onde ela passava tudo se derretia e desaparecia, e criava-se um "nada", uma espécie de anti-mundo, onde tudo se acabava.
     Ao mesmo tempo eu sonhava com uma casa próxima a uma cachoeira. As duas coisas pareciam se relacionar, como se o primeiro sonho fosse o aviso para procurar realizar o segundo, evitando ser engolido por aquele horror que viria.
     Quando comprei minha propriedade em Rio de Contas, onde há uma cachoeira, os sonhos se foram, para nunca mais voltar.
     Agora assisto diariamente o primeiro sonho se realizar, através das ações cada vez mais cruéis e sem sentido do chamado Exército Islâmico, diante da espantosa indiferença do mundo. Prisioneiros indefesos sendo decapitados, queimados vivos, atirados de prédios, tudo ao vivo, na frente de multidões obrigadas a assistir ao martírio de pessoas inocentes, sacrificadas pelos motivos mais torpes, como pertencer a outra religião, serrem gays, ou resistir às ordens desse exército de psicopatas.
     As vítimas incluem mulheres e crianças, pelo simples fato de pertencerem a minorias étnicas distintas, numa repetição do holocausto nazista, em escala muito pior. Além disso praticam a destruição sistemática de relíquias arqueológicas ( e assassinam arqueólogos), que contam a história de civilizações anteriores ao Islã, numa espécie de "terraplanagem" da realidade, visando esquecer o passado, para afirmar seu fanatismo religioso.
     Prisioneiras são usadas como escravas sexuais, violando todos os princípios do próprio Islã, numa campanha crescente de terror internacional. 
     Tudo isso vem causando uma destruição sem precedentes no oriente médio e gerando uma imensa onda de refugiados, sem que a ONU ou as potências mundiais movam um dedo.
     E quem financia esse exército tão poderoso, capaz de tomar metade da Síria e do Iraque em poucos meses? As imagens mostram que eles estão muito bem armados, com artilharia pesada, tanques e canhões. Quem fornece essas armas? As monarquias sunitas do golfo pérsico? Arábia Saudita, Kuwait e outras nações imersas no obscurantismo medieval, aliadas de Israel e dos Estados Unidos?
     Se o EI quer tanto defender o islã, porque nunca atacam Israel? Muito estranho.
     Por muito menos os americanos invadiram a Iugoslávia, a Líbia e o Iraque.
     Os americanos são habituais apoiadores de terroristas internacionais, que depois se voltam contra eles. Financiaram e armaram Sadam Hussein, e depois tiveram que destruí-lo. Financiaram os Talebãs, que eram chamados de "combatentes da liberdade", na sua luta contra a invasão soviética do Afeganistão, e até hoje se veem às voltas com eles.
     Não me admiraria que eles estivessem por trás de tudo isso, tentando reduzir pelo terror a resistência dos povos árabes ao seu domínio no Oriente Médio, com a anuência silenciosa das velhas potências imperialistas europeias.
     De vez em quando fazem um pequeno bombardeio para disfarçar, enquanto o líder da barbárie vive dando entrevistas à mídia ocidental, como se fosse a coisa mais normal do mundo.
     Não demorará que essa loucura se volte contra eles, e a previsão de Nostradamus de que os árabes invadirão a Europa se concretize.
     Enquanto a nuvem negra da devastação total não chega, me refugio na minha pequena Rio de Contas que, com sorte, talvez escape da imensa destruição que virá.

quarta-feira, 5 de agosto de 2015

Politicando

Por uma Assembléia Constituinte Revisora exclusiva


     Os últimos desdobramentos da operação Lava-jato, com a prisão de José Dirceu, o envolvimento do presidente da Câmara, Eduardo Cunha e do senador Fernando Collor de Mello, jogaram uma cortina de lama sobre o atual sistema político.
     Apesar dos procuradores paranaenses e o próprio Supremo Tribunal Federal, parecerem ter uma predileção especial pelo PSDB, sempre poupado nas investigações e prisões, não se pode negar que tudo que já foi apurado até agora aponta para aquilo que o povo vem repetindo há muito tempo sobre os políticos: são todos iguais
     É claro que tal afirmação torna-se injusta com aqueles que não estão envolvidos em nenhum mal-feito, pelo menos até agora, como o PSOL e outros representantes do povo pertencentes a vários partidos, mas de qualquer forma a impressão que se tem é a de que está tudo podre e quem ainda não roubou é porque ainda não teve oportunidade.
     A solução para esa situação insólita, foi apontada pela presidente Dilma logo que começaram as manifestações de rua em 2013: Uma Assembléia Constituinte Revisora, exclusiva. 
     E porque exclusiva? Porque excluiria os atuais políticos, sendo composta por representantes populares que atualmente não exercem nenhum mandato. Claro que os políticos se manifestaram imediatamente contra tal ideia, pois uma Constituinte desse tipo poderia abolir todos os seus privilégios, sem que eles pudessem fazer nada à respeito.
     Para evitar tal perigo, Eduardo Cunha se encastelou na presidência da Câmara, fazendo propostas absurdas, que ao invés de melhorar o sistema político só podem piorar tudo. E o pior, com apoio de uma base comprada por ele mesmo com favores de grandes empresas, que contribuíram para eleger mais de 200 deputados.

     Tudo isso contribui para tornar cada vez mais viável a ideia da Constituinte exclusiva, que poderia de fato servir aos interesses da nação, passando ao largo das armações de corruptos e corruptores instalados em cargos públicos, eletivos ou não.
     A última prisão de José Dirceu jogou a pá de cal nas pretensões do presidente Lula de se candidatar em 2018. Na verdade, quem emerge dentro do PT como único nome viável é Jaques Wagner, que fez dois excelentes governos na Bahia e vem se destacando como ministro da defesa.
     A convocação de manifestações para o dia 16 de agosto periga se voltar contra seus próprios criadores, na medida em que o povo passa a desconfiar de todos os partidos, enquanto a presidente Dilma segue longe de toda a sujeira levantada. 
     Melhor seria se Dilma se desligasse do PT, se colocando acima dos partidos, o que lhe daria mais força para propor a Constituinte exclusiva, que só pode ser convocada pelo próprio Congresso Nacional. Mas Dilma, como presidente, poderia chamar o povo para opinar à respeito através de um plebiscito, e caso a aprovação fosse maciça, seria difícil para o Congresso rejeitar a convocação.
     Resta a presidente esse ato de coragem, e isso ela tem de sobra.
      

Papo de arquibancada

Parque Olímpico - Rio de Janeiro
365 dias

        Meus amigos, há um ano do início dos jogos olímpicos, vemos em parte da imprensa brasileira a mesma histeria e pessimismo desenfreado, apresentados um ano antes da copa do mundo do Brasil. É impressionante a má vontade ao divulgar o que está sendo feito. Parcialidade é a palavra de ordem dos editores chefes desses telejornais tendenciosos. Estive recentemente no Rio de Janeiro e vi uma cidade mergulhada em obras, e, muitas delas, em estágio de conclusão. Aos pessimistas de plantão - os mesmos que torciam contra a copa - informo que vai haver olimpíada, e, como na copa do mundo, será um evento que vai nos orgulhar muito.

Brasileirão 2015


     Caros leitores, ao final da última rodada do campeonato brasileiro, série A 2015, fiquei entusiasmado com a presença de público nos estádios. Não foi uma rodada que definiu absolutamente nada, contudo, os dez jogos registraram um público médio de 28.513 pagantes. Superamos as médias de público das ligas espanhola, francesa e italiana, ficando atrás, apenas, das ligas alemã e inglesa. Os dez primeiros clubes em média de público, mandam seus jogos nas novas arenas, provando que o brasileiro não gosta só de futebol, gosta de conforto e, acima de tudo de ser respeitado. A perspectiva é que essa média aumente a cada rodada, à medida que o campeonato vá se afunilando. 

Clipe da semana

O clipe desta semana é da canção A MEDIDA DA PAIXÃO, composta e interpretada por Lenine. 


Lenine

Destaque

Nação - A flor do espírito


     Dia 01 de agosto, tive a grata satisfação de lançar meu livro Nação - A flor do espírito, em primeira mão, na minha querida Rio de Contas, pequena cidade da Chapada Diamantina, na Bahia, que escolhi para morar.
     O lançamento ocorreu no Espaço Nordeste, antigo centro cultural do BNB na cidade, infelizmente desativado pelo banco, que o repassou à Prefeitura, onde deve funcionar agora a Casa de Maria Brandão, nome de uma heroína local.
     O responsável pelo Espaço, Kal, mais conhecido como Kal da rádio, nos apoiou em tudo, colocando o espaço e os equipamentos de som e imagem à disposição.
     Eu, como autor, fiquei muito feliz em receber muitos amigos que compareceram para prestigiar o evento e saborear um modesto coquetel, mesmo numa noite de frio e neblina. Várias pessoas se manifestaram, depois que eu disse algumas palavras sobre o que representou para mim a realização desta obra, fruto de dois anos de trabalho, entre pesquisar e escrever, e mais oito meses de edição cuidadosa, pela editora Novo Século.
     O livro nasceu da ideia de contrapor os conceitos de civilização e barbárie, procurando mostrar como eles são relativos e se alternam ao longo da história. Mas o texto criou vida própria e se transformou em um romance histórico sobre a formação do Brasil e do nosso povo.
     Não se trata de um livro espírita, mas a espiritualidade aflorou muitas vezes, unindo a formação do espírito coletivo do povo brasileiro, com os espíritos formadores dessa espiritualidade coletiva, criando aquilo que hoje é marcante na nossa nação.
     Assim, nesta pequena cidade, veio à luz este trabalho, que começa assim a sua trajetória. Os próximos lançamentos serão em Salvador, no dia 20 de agosto, na Livraria Cultura, e em Brasília, previsto para o dia 28 de agosto, no centro cultural Mercado Sul, em Taguatinga, espaço alternativo da cultura brasiliense. Segue a participação, já confirmada, na bienal do livro do Rio, no stand da editora Novo Século, que reservou para mim uma hora no dia 10 de setembro.
     Agradeço a todos que compareceram ao primeiro evento e convido os que se interessarem por uma obra que mergulha nas origens do Brasil, a comparecerem aos próximos.
  

Poesia da semana

Retrato


Eu não tinha este rosto de hoje,
Assim calmo, assim triste, assim magro,
Nem estes olhos tão vazios,
Nem o lábio amargo.
Eu não tinha estas mãos sem força,
Tão paradas e frias e mortas;
Eu não tinha este coração
Que nem se mostra.
Eu não dei por esta mudança,
Tão simples, tão certa, tão fácil:
- Em que espelho ficou perdida
a minha face?


Rapidinhas

Até quando?


     Israel continua massacrando o povo palestino, impunemente, com apoio dos Estados Unidos e da União Europeia. O último ato insano de violência foi cometido por um colono ilegal na Cisjordânia, que ateou fogo à uma casa de família palestina durante a madrugada, matando carbonizado um bebê de apenas um ano e levando o restante da família para o hospital, em estado grave.
 70 anos do horror nuclear


     Dia 06 de agosto, completam-se 70 anos do maior crime de guerra da história da humanidade, o lançamento da bomba atômica sobre a cidade janponesa de Hiroxima, matando instantâneamente 130 mil pessoas, a maioria mulheres e crianças, pois os homens encontavam-se mobilizados na guerra. Três dias depois depois outra bomba foi lançada sobre Nagazaki, matando mais 90 mil pessoas, num total de 220.000 mortos, a maioria civis.
     Este crime, é claro, não foi julgado no Tribunal de Nuremberg, e até hoje permanece impune.
 
 

Risos

 



segunda-feira, 27 de julho de 2015

Poesia



Todo o teu espaço




Quero todo o teu espaço e todo o teu tempo

Quero todas as tuas horas e todos os teus beijos
Quero toda a tua noite e todo o teu silêncio.


Mario Quintana

Rapidinhas

Salvem a língua portuguesa


     O uso de expressões em lingua estrangeira, especialmente o inglês, está se tornando escandaloso.
Alguém precisa tomar uma providência antes que sejamos definitivamente colonizados culturalmente. 
       Até os anúncios já estão utilizando expressões em língua estrangeiro. O Volkswagen é das auto (o carro em alemão). A Ford vem com Go further, que eu nem sei o que significa. O Bradesco é premium, ou prime (????), os supermercados agora são outlets.
       É impressionante o uso de expressões estrangeiras como forma de valorizar produtos e serviços, desvalorizando nosso idioma e nossa cultura.
       Chegamos ao extremos nas festas juninas da Bahia, onde cartazes anunciavam festas de São Pedro All inclusive. 
        Há alguns anos a França enfrentou problema semelhante e o governo de lá soube agir, obrigando que todas as mensagens comerciais usassem expressões em francês. 
        Com a palavra o Ministério da Cultura. 

Destaque

Irvin Yalom

     O psicanalista americano Irvin Yalom, se tornou um sucesso editorial desde que começou a escrever sobre seus pacientes, contando histórias que ocorriam no seu consultório, em que colocava suas angústias e dificuldades como analista junto com a de seus pacientes, descendo do pedestal em que os profissionais dessa tipo geralmente se colocam.
          Seu grande sucesso foi o livro Quando Nietzsche chorou , em que ele cria uma ficção em que o filósofo alemão Friedrich Nietzsche se encontra com Freud e se submete a uma terapia, encontro que jamais ocorreu na vida real.
         Muitos outros sucessos vieram depois. Além do primeiro, li também Mentiras no divã, onde ele tece uma complicada teia entre os desejos de vingança de uma paciente, suas próprias dificuldades como analista e as ambições de seu supervisor.
         Agora terminei de ler O carrasco do amor, (Ediouro, Rio de Janeiro - 2007) onde ele conta dez histórias de pacientes, relatando suas dificuldades e sucessos.
         O episódio que dá o nome ao livro, se refere a uma paciente idosa que tinha uma obsessão amorosa por um psicanalista mais jovem, obsessão esta que precisa ser destruída pelo terapeuta, para que ela consiga recuperar sua alegria de viver.
         O último episódio, Em busca do sonhador, no entanto, me parece o melhor. Um contador, que passou sua vida sendo extremamente prático e objetivo, resolve se aposentar e descobre que não viveu, condenando a si e à esposa à uma vida vazia e sem sentido. O trabalho do terapeuta é descobrir o sonhador que havia dentro dele e trazê-lo à tôna, para que os dois pudessem reacender a alegria de viver, já no final de suas existências.
         Impossível não se identificar com algumas situações, o que pode ajudar o leitor a lidar com seus próprios problemas. Um exemplo acontece no capítulo A mulher gorda, quando ele coloca, entre outras coisas, que as terapias de pessoas obesas geralmente estão ligadas à sensação de vazio existencial (o que faz com que as pessoas comam demais como uma forma de preencher esse vazio).
         Tudo isso é apresentado numa linguagem simples e objetiva, tornando a leitura muito prazerosa.
          Yalom, filho de imigrantes judeus russos e naturalizado norte-americano, consegue transformar um assunto complicado (a psicanálise), numa viagem agradável pelo inconsciente humano, revelando que todos nós podemos melhorar nossa vida e reacender nossas esperanças, não importa que sofrimentos tenhamos passado e em que estágio da vida estejamos.
          Vale a pena ler. 


 

Politicando



     O mês de agosto é ligado às piores crises políticas brasileiras, e promete para 2015.
     Após o barulhento despertar da direita brasileira, pedindo o impeachment da presidente Dilma, por não aceitar o resultado das eleições, o próprio governo mergulhou numa crise inesperada de credibilidade, ao promover um ajuste fiscal, contrariando as promessas de mais crescimento e prosperidade, feitas durante a campanha eleitoral.
     Para complicar, as presidências da Câmara e do Senado, caíram nas mãos de dois oportunistas históricos; Renan Calheiros, que participou de todos os governos pós-ditadura, e especialmente Eduardo Cunha, um aventureiro sem escrúpulos, que transformou a presidência da Câmara numa trincheira pessoal, para promoção dos interesses dos seus financiadores de campanha.
     Sobre tudo isso, a Operação Lava-Jato, abriu a Caixa de Pandora da corrupção no Brasil, provocando um salve-se-quem-puder, em que cada acusado ameaçar arrastar a República para o fundo do abismo.
      Até agora a presidente da República vem se comportando dignamente e nada foi comprovado contra ela, que parece ter herdado toda essa confusão da política de alianças do PT, que criou esse monstro chamado Base Aliada, onde se juntam políticos da pior espécie, usados como lastro para obter maioria no Congresso.
      Além dos problemas nacionais, muitos problemas se devem à crise internacional, iniciada nos Estados Unidos em 2008 e prolongada pelas políticas neoliberais europeias, que levaram a Grécia à falência.
      Surfando na crise, as campanhas contra os governos de esquerda da América latina são orquestradas de fora, e se repetem desde o Equador à Argentina, passando pela Venezuela, Brasil, Bolívia e Chile. Todas se baseiam em supostas acusações de corrupção, mas tem como objetivo impedir o aprofundamento da democracia, especialmente as leis de democratização da mídia e de taxação das grandes fortunas, que ameaçam o poder das famílias que dominam o continente.
      Tudo isso acabou com o contrato de governabilidade que Lula fez com a direita em 2001, colocando José de Alencar na vice-presidência, e o capital agora quer retornar às políticas neoliberais para recuperar a taxa de lucros, que vem caindo. Com o fim da aliança entre a social-democracia sindical do PT e o capital, os partidos fisiológicos permanecem na base aliada apenas a troco de verbas e cargos públicos, agravando mais o quadro.
      A presidente Dilma permanece firme numa postura de gestora, desinteressada das articulações políticas, com as quais não concorda ou tem aversão, atiçando mais ainda a insatisfação daqueles que estão no governo apenas para conseguirem benefícios.
     O resultado é um governo sitiado por um processo de purgação política, onde tudo vai desabando. Dilma tem a vantagem de ter um passado político de luta pela redemocratização, durante a ditadura, e depois ao lado de Leonel Brizola, um homem íntegro, onde aprendeu a resistir a grandes pressões, antes de ingressar no PT.
      Sua postura diante de todas as campanhas para tirá-la do poder, algumas de caráter sórdido e desrespeitoso, tem sido extremamente tolerante, e a história lhe fará justiça. Ela fala pouco, se expressa pouco, a não ser para dizer sobre as realizações do governo, enquanto assiste às tentativas desesperadas dos corruptos em escapar das garras da justiça, observando a queda de um por um, desde José Maria Marin, até os políticos do seu próprio partido e os presidentes das grandes empreiteiras mineiras e baianas, que há décadas dominam as licitações, sangrando os cofres públicos.
      Apesar de tudo, no campo da economia fez o dever de casa, promovendo o ajuste fiscal contra sindicatos patronais e de trabalhadores, saneou a Petrobrás e tenta lançar as bases para um crescimento sustentável no futuro. Trabalha sem tentar agradar ninguém, o que foge da tradição brasileira de conciliação, cortando fundo no que está podre e provocando reações agressivas, como se vê no caso de Eduardo Cunha. Mesmo na política externa ela não alivia e soube enfrentar o governo dos Estados Unidos, no caso da espionagem telefônica, como nenhum governo havia feito antes.
      Para os velhos países imperialistas da Europa e América do Norte, seria melhor que ela caísse, e a velha ordem se restabelecesse, mas nossa presidente, tal qual uma esfinge que desafia o tempo, segue firme no rumo traçado, enquanto tudo desaba à sua volta.
      Agosto promete novos e emocionantes capítulos dessa história, com a provável queda de Eduardo Cunha, que promete fazer muito barulho.
      Se Dilma sobreviver à tudo, setembro deve trazer ventos de renascimento para o Brasil.
  


    
      

sexta-feira, 26 de junho de 2015

POLITICANDO

Hora de enfrentar a escalada fascista

     Não dá mais para achar que a campanha da direita para derrubar Dilma vai passar. A imprensa golpista, falada e escrita, junto com todo tipo de terroristas midiáticos na internet lançou uma campanha de ódio, muito bem orquestrada contra o governo legitimamente eleito do Brasil, numa tentativa de reimplantar uma ditadura pró americana, que impeça nosso país de alcançar a grandeza que americanos e europeus tanto temem.
     Nada disso é novidade. Fizeram a mesma coisa em 1954, para derrubar Getúlio Vargas, que havia ousado nacionalizar o petróleo e iniciar a industrialização do país. A campanha se baseava numa campanha contra a suposta corrupção do governo, odiosamente comandada por Carlos Lacerda, que ladrava feito um cão raivoso pedindo o golpe militar. O suicídio de Vargas adiou o golpe por 10 anos. Em 1964 nova campanha "contra a corrupção" desencadeou o golpe contra João Goulart, que ousara se aproximar da China e Rússia, rompendo a submissão aos Estados Unidos e aumentando o salário mínimo, criando o 13º salário e outros benefícios para os trabalhadores. 
     Padecemos 20 anos de ditadura, e na mudança para a democracia ainda assassinaram Tancredo Neves, o primeiro presidente civil, para colocar em seu lugar José Sarney, da confiança dos empresários golpistas e dos norte-americanos, que iniciou a privatização da nossa economia, processo que prosseguiria com Collor, Itamar Franco e Fernando Henrique Cardoso, entregando nossas melhores empresas de mão beijada para estrangeiros, jogando o povo na mais absoluta miséria e o país nas mãos do FMI.

     Agora, quando Lula e Dilma, apesar dos pesares, começam a tirar o Brasil da trilha do subdesenvolvimento, com um programa pesado de investimentos em infraestrutura, que vai erradicar a seca no nordeste (transposição do São Francisco) reequipar nossas forças armadas com aviões supersônicos nacionais e submarinos nucleares, fazendo frente aos países imperialistas, aumentando o salário mínimo e tirando 40 milhões da miséria, transformando o Brasil em exportador de petróleo, vem novamente a direita com sua campanha raivosa, usando a corrupção  como desculpa para dar outro golpe e restabelecer um governo elitista, que privilegie a velha classe média, beneficiada pela ditadura militar e pelos governos de direita, para se tornar sua base de apoio, permitindo que militares e políticos do DEM, PSDB e outros saqueassem o país.
     A corrupção corria solta na ditadura. Quem se lembra das obras faraônicas superfaturadas pelo ministro Mário Andreazza? E do escândalo das mordomias? O governo de Fernando Henrique, no entanto, foi o mais corrupto de todos.  FHC entrou pobre e saiu rico do governo. Quem quiser saber dos detalhes leia o livro "A privataria tucana". Mas as velhas elites, beneficiadas, ficaram em silêncio, até começar a perder seus privilégios.


 Na campanha contra João Goulart os fascistas usaram a igreja católica, através das "marchas da família com Deus pela liberdade". Agora que os católicos não se deixam mais instrumentalizar, passaram a usar a igrejas neopentecostais, que alimentam uma campanha de ódio contra os negros, gays, nordestinos e qualquer outro segmento que não faça parte da velha elite colonizada e conservadora.
     O PT e o governo Dilma estão acuados e tentam apaziguar a direita cedendo às suas exigências, cada vez mais ousadas. Erro grave. Dilma tem que parar de recuar e convocar seus eleitores para o enfrentamento dessa corja de fascistas, que quer massacrar o povo, assassinar os que se levantam para defender o governo (na última semana ameaçaram de morte Jô Soares, por ter entrevistado Dilma, e a deputada Maria do Rosário, por defender os direitos humanos).

     A escalada no Congresso não pára, com o canalha Eduardo Cunha comandando uma "reforma constitucional" ao seu bel prazer, sem consultar o povo, única fonte legítima do poder, com o único objetivo de defender os interesses econômicos que financiaram a sua campanha.
     Na internet a campanha de ódio só cresce e já resulta em agressões físicas, como a que sofreu a garota de 12 anos, apedrejadas por "evangélicos", por ser adepta do candomblé.
     É preciso pará-los agora, antes que seja tarde.
     Não se trata mais de defender este governo, mas de defender a democracia e a liberdade, tão duramente construídas, do ataque dos fascistas, financiados por países estrangeiros, para colocar nosso país e nosso povo de joelhos novamente.