segunda-feira, 31 de março de 2014

POLITICANDO

Por uma educação rural


           
          Quando trabalhei no Pradime, Programa de Apoio aos Dirigentes Municipais de Educação, do Ministério da Educação, fiquei responsável pela área de recursos materiais. Esse trabalho me levou a realizar uma pesquisa sobre as condições materiais das escolas públicas brasileiras, pesquisa que reproduzi posteriormente no meu livro Escola, Espaço e Discurso.
           O surpreendente, no resultado da pesquisa, foi verificar que a causa do suposto "atraso" da educação no nordeste estava no alto índice de habitantes nas áreas rurais.
           O nordeste é uma região onde o fenômeno de urbanização (migração rural paras as cidades) ainda não se completou. A Bahia é um exemplo disso, onde aproximadamente 50% da população ainda vive no campo ou em pequenas cidades, num território maior do que a França ou a Alemanha.
           Isso é ruim? Bem, do ponto de vista desenvolvimentista, viver no campo é sinônimo de atraso e o bom é ser um cidadão das cidades (desculpem o pleonasmo). Talvez por isso a educação nas áreas rurais brasileiras seja tão ruim, realmente muito ruim, muito pior do que nas escolas públicas urbanas, que já não são nenhuma maravilha.
           Isso se reflete nos indicadores gerais da educação brasileira, fazendo com que o nordeste apareça sempre como uma área problemática no campo da educação, embora a educação rural seja ruim em todo território brasileiro, inclusive nas unidades mais ricas da federação, situadas no sul e no sudeste do país,
           É claro que nas regiões mais industrializadas, sendo a população rural muito pequena em relação à urbana, esses indicadores se diluem, dando a impressão de uma superioridade regional, quando na verdade o que ocorre é a supremacia incontestável da educação urbana.
            O Brasil é um país antigo e, apesar do que digam, de tradições arraigadas. Nossa educação é tributária de raízes muito autoritárias, herança de uma colonização escravista, de uma monarquia escravista, de uma república de fazendeiros que se manteve no poder até 1930 e de duas ditaduras no século XX, a de Vargas, que durou 15 anos e a militar, que durou 21.
           Há apenas 29 anos nos livramos dos militares, mas mesmo assim, seus discípulos da direita mais conservadora se conservaram no poder até 2001, há apenas 13 anos atrás, quando o governo social-democrata do PT começou a inverter algumas prioridades no Brasil, ainda sob protestos de uma elite altamente conservadora, habituada a ver a maioria do povo sobreviver na miséria.

          É muito pouco tempo. Professores e diretores de escola (ou gestores, no jargão neoliberal), ainda são os mesmos dos tempos da direita, na maior parte do Brasil. Apenas agora uma nova geração de educadores começa a assumir os destinos da educação brasileira, ousando timidamente contestar os fundamentos neoliberais impostos nos governos de Fernando Henrique Cardoso, último expoente da direita a governar, mesmo assim minoritários e confusos, sem um projeto novo de educação voltado para a qualidade social, que liberte o povo da ignorância e da submissão aos grandes capitais e aos políticos, principalmente no interior desse gigantesco Brasil profundo.
          E não há área mais sensível à política e à ideologia do que a educação. Não se iludam com os discursos tecnocráticos, que apontam falta de escolas ou de verbas como culpa do atraso educacional do Brasil. Na verdade sobram escolas e verbas e a matrícula no ensino fundamental vem caindo há muitos anos, devido à queda na natalidade.
          Nem por isso a educação tem melhorado. E não adianta injetar mais e mais recursos, construir escolas de horário integral, colocar computadores, satélites e todo um aparato tecnológico, enquanto a discussão sobre a educação não entrar no espinhoso terreno da política.
         Na verdade o que precisamos é de uma reforma educacional que rompa com os fundamentos conservadores que consideram os pobres uma "classe perigosa", que precisa ser disciplinada, submetida, dominada, para que possa se adequar ao sistema de privilégios que continua vigente na nossa sociedade, se conformando em permanecer pobre para fazer a gigantesca máquina da economia funcionar, enquanto uma minoria se apropria da maior fatia dos benefícios gerados pela produção.
         Uma verdadeira reforma educacional deveria inverter esses valores, ensinando aos alunos pobres que esse é um sistema injusto e precisa ser modificado, que eles não precisam se conformar com o destino redutor que lhes é oferecido, mas devem sonhar em ser realmente protagonistas do seu país, virando a economia de cabeça para baixo e acabando com velhos e injustos privilégios.


         Mas é aí que entramos no terreno perigoso da política. Uma educação libertadora, que acabe com as filas na entrada da escola, com o militarismo de se perfilar para cantar o hino nacional, com a preponderância da disciplina sobre o conhecimento, abrindo as portas para o desconhecido, para um futuro imprevisível, talvez incontrolável pelas forças que dominam a política, mas certamente transformador no sentido de construir novas estruturas de poder na sociedade.
         E uma das providências fundamentais para começar essa transformação é acabar com o mito de que as cidades representam o progresso e as zonas rurais o atraso. Superar as diferenças entre cidade e campo sempre foi uma meta de todas as revoluções mundiais, que construíram as grandes nações modernas de hoje.
         Hoje ensino numa escola técnica de uma cidade pequena e sinto muito ao ver alunos dos povoados não conseguirem vir a aula por falta de transporte (apesar de um programa do governo federal nesse sentido), fazendo com que talentos promissores se percam.
         Ainda me surpreendo com propostas de pessoas bem intencionadas, principalmente ligadas a igrejas, de montar escolas técnicas para "tirar os pobres da rua", oferecendo cursos como corte e costura e culinária. Francamente, quem consegue crescer com isto hoje em dia? É melhor deixá-los nas ruas. Talvez lá eles aprendam a se revoltar contra esse sistema obsoleto e arcaico de privilégios.
          Um sistema nacional (de preferência federal) de educação rural, seria um bom começo para inverter essa lógica perversa, que só ensina o caminho da cidade, onde um destino de submissão aguarda o filho do camponês. O próprio deslocamento diário para a cidade para receber a educação a que tem direito, vai reforçando essa lógica de que é preciso abandonar o campo para crescer, para encontrar oportunidades. 

          Construir grandes escolas rurais, escolas-pólo, que possam receber alunos de uma determinada região sem grandes deslocamentos, inverteria isso, criando uma base política avançada no campo, que poderia subverter a ordem estabelecida pelos grandes proprietários de terra, de manter a produção sob seu domínio e os agricultores submetidos.
         Uma escola transformadora no campo inverteria os indicadores educacionais e a própria lógica da urbanização descontrolada, geradora das favelas e de toda violência que assola nossas grandes cidades.
         Quem tem coragem de fazer uma verdadeira revolução na educação brasileira, afrontando velhas e santas humilhações?
        
        
         
         
        
         
           

PAPO DE ARQUIBANCADA

Racismo no Futebol


    Meus amigos, quando penso que avançamos como seres humanos e todo o reconhecimento do sofrimento histórico dos negros, nos vemos frente à frente com o pior dos sentimentos do ser humano, o racismo.
     Combatido em todo o mundo, este sentimento desumano e imbecil tomou dimensões inaceitáveis, justamente no futebol, onde o maior de todos os tempos é um negro, Pelé.
Em Mogi Mirim, interior de São Paulo, o jogador do Santos, Arouca, foi ofendido pela torcida local, sendo chamado de macaco. No campeonato Gaúcho, o árbitro Marcio Chagas da Cruz foi xingado pelos torcedores e encontrou bananas em seu carro, após a partida entre Esportivo e Veranópolis. Em Mamoré, Minas Gerais, o lateral esquerdo do Uberlândia sofreu o mesmo tipo de ofensas.
Ontem, pelo campeonato espanhol, foi a vez dos nossos craques Daniel Alves e Neymar serem vítimas do racismo. Além de imitarem macacos, torcedores jogaram cascas de bananas no gramado. 
   O estádio do Mogi Mirim foi interditado por tempo indeterminado, o Esportivo, mandante no campeonato Gaúcho será julgado, podendo ser punido com a perda de nove pontos, esperamos que a federação espanhola seja rigorosa.
     Se isso está acontecendo nos estádios, é porque acontece também na sociedade.
     Precisamos de punições exemplares, caçando - pois esses são os verdadeiros animais irracionais - individualmente, cada um, pois, se no futebol, o esporte mais democrático do mundo ainda há este comportamento execrável, com certeza, na sociedade ele é bem maior.
     Diga não ao racismo !

CLIPE DA SEMANA


       A canção desta semana é DEPOIS DE TER VOCÊ, composta por Adriana Calcanhoto, interpretada por Adriana Calcanhoto e Maria Bethânia: curtam esta pérola da música brasileira.



DESTAQUE

Salvador, 465 anos
Foto de Rinaldo Grilo Filho

          Uma das cidades mais antigas do Brasil, e da América colonial, Salvador está completando 465 anos, cheia de problemas para resolver, com um futuro incerto pela frente, acossada pelo crescimento desordenado, pelo favelamento e pela especulação imobiliária.
          Depois de uma série de governos municipais populistas, que nada fizeram, a cidade procura agora reencontrar seu equilíbrio através da parceria inusitada entre o governo do Estado, liderado pelo PT e o  governo municipal, do DEM, duas correntes antagônicas na política, mas que vem dando as mãos em busca de soluções para impedir que o caos paralise a cidade.
          Muito mais do que uma cidade histórica, com um belo litoral, Salvador se tornou uma grande metrópole, moderna e estrangulada pelo seu próprio crescimento. As políticas dos governos passados que concentraram 70% da economia baiana em torno da capital, fizeram com que sua população explodisse, já passando dos 3 milhões de habitantes neste início de século, enquanto sua infraestrutura ainda está lá atrás, feita para atender a demandas do século passado.

         Uma grande reforma urbana será necessária para restabelecer o equilíbrio perdido, assim como uma política de interiorização de indústrias, que distribua melhor pelo imenso território do Estado as forças produtivas, mesmo que para isso seja preciso vencer resistências dos setores financeiro e comercial, que sempre dominaram a economia do estado, mantendo a circulação de riquezas restrita ao território da região metropolitana.

         Novas grandes cidades vão surgindo com o rápido desenvolvimento do interior, como Vitória da Conquista, Barreiras, Juazeiro  e Feira de Santana, exigindo uma nova visão do planejamento estadual, que alivie a capital e distribua melhor a população.
         A velha imagem bucólica da "boa terra", se dilui rapidamente na medida em que o comercio e os serviços se deslocam cada vez mais para as áreas modernas, deixando o centro histórico como uma imagem do passado, para os turistas.
          A própria imagem do baiano como uma pessoa calma e sem pressa, virou lenda. O stress domina a população como em qualquer grande centro, agravado em Salvador pelo acúmulo de problemas.

           Só agora a cidade começa a se voltar para implantação de um moderno sistema de transportes, integrando metrô e corredores de ônibus e implantação de novas vias que agilizem o tráfego intenso de veículos.
          Sua belíssima orla, com mais de 30 Km, permaneceu abandonada durante décadas, e só agora começa a ser re-planejada, para que volte a ser a grande área de lazer da capital, com seu imenso potencial turístico.
        
        Façamos votos de que Salvador reencontre seu caminho e volte a ser a cidade que encantou gerações de brasileiros, fazendo jus a seu imenso patrimônio ambiental, histórico e cultural.
        
         

POESIA DA SEMANA


O Catador

Um homem catava pregos no chão.
Sempre os encontrava deitados de comprido,
ou de lado,
ou de joelhos no chão.
Nunca de ponta.
Assim eles não furam mais - o homem pensava.
Eles não exercem mais a função de pregar.
São patrimônios inúteis da humanidade.
Ganharam o privilégio do abandono.
O homem passava o dia inteiro nessa função de catar
pregos enferrujados.
Acho que essa tarefa lhe dava algum estado.
Estado de pessoas que se enfeitam a trapos.
Catar coisas inúteis garante a soberania do Ser.
Garante a soberania de Ser mais do que Ter.


Manoel de Barros

RAPIDINHAS

Novidades na política



          Eduardo Jorge, ex-petista, acaba de ser escolhido candidato presidencial pelo Partido Verde.
          Sua plataforma é bem interessante e corajosa, colocando o dedo no nervo exposto da sociedade brasileira, na medida em que propõe a legalização do aborto, da maconha, a reforma do sistema eleitoral, garantindo um percentual de vagas para candidatos independentes e acabando com as coligações, além de proibir os agrotóxicos e colocar a sustentabilidade como um dos pilares da economia nacional, propor a redução do número de deputados, assim como os salários e privilégios de parlamentares municipais, estaduais e federais.
          Uma luz no obscuro panorama político brasileiro, marcado pelo conservadorismo oportunista de Aécio, Serra, Eduardo Campos e Marina Silva. Não acredito que possa vencer a eleição presidencial, mas pode marcar novas e importantes pautas para discussão nacional, se convertendo em alternativa real para 2018.
          Isso se não cair na besteira de procurar apoios conservadores como atalho para crescimento eleitoral. Como dizia aquele velho político: "Se atalho fosse bom não existiria caminho".

O pior do jornalismo

          Nada pior em termos de manipulação e informação tendenciosa que o Jornal da Globo, comandado por Willian Waack, acusado recentemente de trabalhar para a CIA, a agência de espionagem dos Estados Unidos.
           Sempre pronto a distorcer os fatos de modo a denegrir a imagem dos que combatem o império norte-americano e exaltar seus representantes, esta triste figura envergonha a profissão de jornalista, que diz exercer, enquanto na verdade representa apenas o papel de puxa-saco mor da grande nação do norte.

Lixo oceânico


          As buscas pelo avião desaparecido só estão mostrando que os oceanos da Terra viraram uma enorme lata de lixo.
          Quando eles pensam que acharam restos da aeronave se deparam com coitainers caídos de navios, restos de barcos pesqueiros e muito lixo, atirado ao mar pelas sociedades de consumo que vão se jultiplicando junto com o capitalismo.
          Enquanto isso os sequestradores devem estar rindo, com seu boeing bem escondidinho em algum lugar, bem longe das buscas no oceano índico, e pronto para jogá-lo em cima de algum alvo, ao estilo 11 de setembro.
           Que mundo triste!
  Um charme


          Anne Hidalgo, uma imigrante espanhola, naturalizada francesa, acaba de ser eleita a primeira prefeita de Paris.
          Militante do Partido Socialista do presidente François Hollande, Hidalgo foi a maior vitória do partido, numa eleição em que as políticas do presidente foram severamente punidas pelos eleitores.
          Além de representar uma afirmação das mulheres na política francesa, Hidalgo parece também simbolizar a renovação da política loca. Foi ela que inventou o sistema de bicicletas gratuitas, copiadas no mundo inteiro. É ecologista e charmosíssima.
          Voilá!
  
 


RISOS

Desde criança...





Piadas Contadas: segundas intenções...

video

quinta-feira, 20 de março de 2014

POLITICANDO

O fim e o começo



     Para que coisas novas surjam, é preciso que as velhas desapareçam. Quase sempre as novidades começam a surgir no meio das ideias que vão perdendo força, estabelecendo um conflito até que comecem a predominar.
     Uma ideia, ou um conjunto de valores, podem se tornar hegemônicos durante muito tempo na sociedade humana, ou podem ser efêmeros, mas a cultura humana vai evoluindo, mesmo que seja aos trancos e barrancos. Por isso não vivemos mais em cavernas.
     Parece que estamos vivendo um momento desses, de transição. Vejam os fatos:
     Apesar da aparente vitória dos mensaleiros, conseguindo a absolvição da acusação de formação de quadrilha, a imagem do PT sai muito chamuscada do episódio. Se já era ruim com a condenação, piorou com a absolvição, pois passou a ideia de que houve um arranjo na nomeação dos juízes para livrar a cara dos condenados.
     A impressão que dá é que o PT e os políticos que combateram a ditadura, vivem seus últimos momentos, e vai chegando a hora de passar o bastão para uma nova geração. Mas quem são seus representantes? Quais são suas ideias? 
     Na Venezuela Chaves teve o bom senso de criar um grande partido de massas, unindo a esqureda no PSUV, Partido Socialista Unificado da Venezuela. Por isso  seu sucessor, Nicolás maduro, está tendo força para resistir às tentativas dos golpistas da direita, que agem com apoio explícito dos Estados Unidos. Mas no Brasil, ao contrário, cada vez temos mais partidos, e já não se sabe o que eles representam. O sistema de coligações eleitorais transformou tudo numa geleia geral, onde imperam os acordos espúrios.
     É o ambiente perfeito para o surgimento de algum salvador da pátria, o que é muito perigoso. As oposições ao PT não representam nada, a não ser as ambições pessoais de políticos oportunistas. Até Marina Silva, que ensaiou algumas ideias originais, foi engolida pela mesmice.
     No chamado "cenário internacional", a perda de influência dos Estados Unidos é gritante. Putin anexou a Crimeia numa boa, depois do golpe da extrema direita, articulado pelos americanos na Ucrânia. Cadê coragem pra enfrentar o grande urso? Todo mundo quietinho. As tais "sanções" americanas e europeias não passam de esperneio.
     Um avião da Malásia foi roubado na cara de todo mundo, num espaço aéreo super movimentado e as buscas se restringem as rotas aéreas tradicionais. Ora, se os sequestradores queriam sumir com o avião, é claro que eles não seguiram os corredores aéreos, mas se meteram no espaço onde não há controle, para pousar o gigante numa pista clandestina, recheá-lo de bombas e jogá-lo em cima de algum alvo, provavelmente cidades ou bases militares americanas ou israelenses.
     Mas ninguém consegue achá-lo, o que é uma indicação de que todo aparato militar do mundo pode ser furado por um bando de aventureiros bem treinados. Então todo esse poderio militar é só pra assustar os mais fracos? Não será isso um indício da falência de todo um sistema global de vigilância?
     Os manifestantes perderam o medo das polícias no mundo inteiro e agora os cidadãos estão perdendo o medo dos bandidos, com vários episódios de agressão a assaltantes pelas vítimas. 
     A safra de religiões messiânicas, que se intitulam evangélicas mas escondem muita gente salafrária, também vai perdendo força, a Igreja Católica se renova com um papa comprometido com mudanças importantes e apesar de tudo a espiritualidade ganha força, dentro e fora das religiões oficiais.
     A impressão é a de que tudo está falindo e novas coisas surgirão dentro em pouco, virando este mundo de cabeça para baixo. É como se estivéssemos experimentando os limites de uma era e o começo de outra.
     
 

PAPO DE ARQUIBANCADA

ARENA AMAZÔNIA




        Meus amigos, em meio às pressões da FIFA, o Brasil inaugura mais uma arena para a Copa do Mundo, a Amazônia.
       Em jogo válido pela Copa Verde entre Nacional e Remo a Arena da Amazônia foi inaugurada dia 09 de março. Com um público de 13.000 pessoas - em sua maioria operários que trabalharam na obra - o primeiro teste do novo estádio foi um sucesso. Todo o esquema para a partida foi baseado nos padrões da Copa e tudo correu de forma satisfatória. Trata-se de uma belíssima praça esportiva e de entretenimento, parabéns aos amazonenses. A Arena Amazônia receberá os jogos da primeira fase: Inglaterra x Itália, Portugal x Estados Unidos, Croácia x Camarões e Suíça x Honduras. 
        Que venha a Copa do Mundo !


MICÃO



 
       Bahia e Galícia perfilados em campo à espera do Hino Nacional Brasileiro, numa quarta-feira, em Pituaçu. De repente, o funcionário da Federação Bahiana de Futebol (FBF) se aproxima do som, micro system, ao lado do banco de reservas e aperta o play. Sim, essa situação aconteceu em um jogo da primeira divisão do Campeonato Baiano. Ao que parece, o sistema de som do estádio Pituaçu, que foi mando de campo do Bahia durante quatro anos, entre 2009 e 20013, não é mais o mesmo.
        Com a palavra, Federação Bahiana de Futebol.

 ODE AO CAPITÃO


         Caros leitores, lamentamos a morte do nosso capitão da Copa de 1958, Hilderaldo Luís Bellini, ou simplesmente Bellini. O ex-zagueiro sofria há dez anos com o Mal de Alzheimer e estava internado na UTI, num hospital de São Paulo, onde faleceu. Bellini fez sucesso no futebol jogando pelo Vasco. Na seleção brasileira, onde foi o capitão, ergueu a taça Jules Rimet, gesto imortalizado e repetido pelos capitães desde então. Obrigado por tudo, eterno capitão !


CLIPE DA SEMANA

               O clipe desta semana é da canção ROMÂNTICOS, composta e interpretada por Vander Lee. Em homenagem a todos os românticos: curtam !


DESTAQUE

Mentiras no divã


     Acabo de ler este livro, de Irvin Yalon, publicado pela Ediouro, já na sua quinta reimpressão.
     Psiquiatra e psicoterapeuta, tenho a impressão de que há um traço autobiográfico do autor nesta obra, um romance em que um psicoterapeuta enfrenta algumas situações inusitadas no seu consultório.
     A história começa quando um paciente do Dr. Ernest Lash resolve abandonar sua esposa, depois de cinco anos de análise. O paciente, que até então era completamente dominado pela mulher, uma advogada amarga, consegue se libertar, provocando nela o ódio pelo terapeuta que o ajudou, fazendo com que ela imaginasse um plano para se vingar, tentando seduzir o psiquiatra, para depois processá-lo por assédio sexual.
     O desenrolar da história é surpreendente e vai nos revelando aos poucos o mundo dos terapeutas, suas ideias, suas disputas, as diferentes correntes de pensamento que existem entre eles, enquanto vários personagens que vão surgindo começam a se entrecuzar na história, até o desfecho inesperado.
     Dentre as situações inesperadas, há um episódio muito interessante, quando um psicoterapeuta é obrigado a participar de um jogo de pôquer, dentro de um cassino, para ajudar um cliente a identificar os gestos que ele fazia e que permitiam que os outros jogadores percebessem se ele estava blefando ou não.
     Psicologia pura.
     Mas há muito de humanidade no livro, na medida em que percebemos as limitações, as angústias e as dificuldades que os terapeutas enfrentam no seu trabalho.
     Uma visão do "outro lado" da psicoterapia, o lado dos terapeutas.
     Muito bom, o livro. Daqueles que a gente não consegue largar e no final se sente recompensado.
     Vale a pena ler.

POESIA DA SEMANA


 
Aceitarás o amor como eu o encaro ?


... Azul bem leve, um nimbo, suavemente
Guarda-te a imagem, como um anteparo
Contra estes móveis de banal presente.
Tudo o que há de melhor e de mais raro
Vive em teu corpo nu de adolescente,
A perna assim jogada e o braço, o claro
Olhar preso no meu, perdidamente.
Não exijas mais nada.
Não desejo Também mais nada,
só te olhar, enquanto A realidade é simples,
e isto apenas.
Que grandeza... a evasão total do pejo
Que nasce das imperfeições.
O encanto que nasce das adorações serenas.


Mário de Andrade

RAPIDINHAS

Janio Arapiranga


          Muito bom o novo CD, Luz do Poeta, de Janio Arapiranga, cantor nativo de Rio de Contas.
          Há muitos anos Janio vem aperfeiçoando seu cancioneiro regional e caatigueiro, mas nesse CD ele alcança uma qualidade surpreendente.
          Muito bom o repertório, os arranjos e os vocais, com um back muito simpático.
          Destaque para as músicas Sete Donzelas, Casinha Branca e Cada um na sua (Ô vidinha boa, ô vidinha mais ou menos...).
          Vale a pena ouvir, comprar e cantar.
          Clique abaixo para ouvir as sete donzelas.
http://www.youtube.com/watch?v=2lgGVAfAhnQ

Paulo Goulart

          
          Perdemos Paulo Goulart, um ator tão presente nas nossas vidas em inúmeras histórias contadas na TV, nos filmes e no teatro.
          Impressionante como os atores são parte importante da nossa existência. São os contadores de histórias contemporâneos, que nos fazem pensar sobre a vida e o mundo.
          O que seria de nós sem o trabalho deles?
          E ainda tem gente que pensa que ser ator não é um trabalho sério. Mas são eles que nos alegram quando chegamos em casa cansados.
          Sentiremos sua falta Paulo Goulart.

Cabeças de cachorro



          Dizem que em Rio de Contas tem uma caveira de burro enterrada, por isso a cidade não consegue se libertar dos políticos oportunistas e construir um governo que preste.
          Mas agora uma outra história vem desmentir essa. Corre pela cidade o boato de que os catadores do lixão (pois é, Rio de Contas tem um vergonhoso lixão à céu aberto), acharam sacos com cabeças de cachorro, que teriam sido sacrificados no carnaval para fazer churrasquinho.
          Se a história é verdadeira não podemos afirmar, mas o fato é que muitas pessoas que passaram o carnaval na cidade foram vitimadas por uma tremenda infecção intestinal. Além disso, os cachorros vagabundos da cidade sumiram de um dia para o outro.
         Credo!       

RISOS




Piada Contada: chiclete para argentinos





Um brasileiro está calmamente tomando o café da manha quando um argentino típico, mascando chicletes, senta-se ao lado dele.
O brasileiro ignora o argentino que, não conformado, começa a puxar conversa:
— Você come este pão inteirinho?
— Claro.
— Nós não. Nós comemos só o miolo, a casca nós vamos juntando num container, depois processamos, transformamos em croissant e vendemos para o Brasil.
O Brasileiro ouve calado.
O Argentino insiste:
— Você come esta geleia com o pão?
— Claro.
— Nós, não. Nós comemos frutas frescas no café da manhã, jogamos todas as cascas, sementes e bagaços em containers, depois processamos, transformamos em geleia e vendemos para o Brasil.
O brasileiro então pergunta:
— E o que vocês fazem com as camisinhas depois de usadas?
— Jogamos fora, claro!
— Nós não. Vamos guardando tudo em containers, depois processamos, transformamos em chicletes e vendemos para a Argentina.