domingo, 23 de fevereiro de 2014

POLITICANDO

O Brasil e as rebeliões de Obama


      Golpe de Estado na Ucrânia, promovido por partidos de extrema direita com apoio da União Europeia e Estados Unidos

     Que pena! Barack Obama que tantas esperanças despertou no mundo, no sentido de que os Estados Unidos pudessem mudar sua postura agressiva, de querer mandar no mundo, passando a colaborar para um futuro comum de paz e prosperidade, se revelou o pior dos lobos, porque travestido em pele de cordeiro, mais ainda, de ovelha negra, liderando as multidões injustiçadas de seu país.
     As rebeliões que ele promove atualmente pelo mundo, Brasil inclusive, já se tornaram verdadeiros golpes de estado na Venezuela e na Ucrânia, revelando sua estratégia de "desestabilização" de países que não se curvam à sua vontade.
     Enquanto ele silencia diante dos massacres da ditadura militar egípcia, que seu governo ajudou a instalar no poder, apóia a violência de partidos de extrema-direita na Ucrânia que defendem o "ocidente", contra a influencia da Rússia e pretendem recolocar no poder a ex-primeira ministra, Yulia Timoshenko, que estava presa por abuso de poder e corrupção, numa decisão independente da justiça. É claro que os europeus também estão metidos nesse jogo, pois querem as riquezas e a posição estratégica da Ucrânia, para minar o poderio militar russo, que vem se reorganizando rapidamente.
     E não estamos fora desse jogo. Nossas reservas de petróleo do pré-sal e nossa crescente influência na América Latina nos colocam no centro dos acontecimentos, Os Black Blocs e outros grupos violentos que queimam ônibus pelo país, ameaçando a vida dos trabalhadores, não passam de grupos fascistas financiados pela CIA, com apoio ingênuo e idiota de partidinhos trostkistas, do tipo PSTU.
     Não acredito que seja o caso do PSOL, justamente porque foi acusado pelo advogado das milícias cariocas e pela agitadora de direita conhecida como Sininho. Típica tentativa de queimar um partido que cresce pela esquerda, fazendo oposição ao PT sem se meter nas embrulhadas ridículas promovidas pelo PSTU, como a história da Aldeia Maracanã, no Rio, da invasão da reitoria da USP, e outras tentativas de capitalizar a rebeldia dos movimentos sociais.
     Semana passada, quando a União Europeia resolver reabrir o diálogo com Cuba, Obama exigiu que o diálogo incluísse os direitos humanos na ilha, vejam só, omitindo que ele mantém uma prisão ilegal em território cubano, onde mantém prisioneiros sem acusação formal submetidos a torturas físicas e psicológicas.
     Estão tentando repetir a década de 1960, quando os americanos promoveram protestos pelo mundo que resultaram em golpes de direita, derrubando governos progressistas e provocando banhos de sangue, como na Indonésia onde mais de um milhão de pessoas foram assassinadas pelos golpistas em 1965, no Chile de Pinochet, em 1973, ou na Argentina à partir de 1976, com as terríveis ditaduras militares cujos horrores são bem conhecidos.
 Black Blocs na Venezuela, tentando derrubar o presidente eleito de esquerda

     Parece que nem mais sua mulher, Michele Obama está aturando o sujeito e já se fala em separação. A primeira dama americana está tão irritada com o marido que, comenta-se, não estaria disposta a esperar o final de seu mandato para se divorciar.
     Mas como dizia Marx; a história se repete, da primeira vez como tragédia e na segunda como farsa. A farsa das falsas rebeliões já foi percebida pelo mundo todo, que está reagindo para enfrentá-las. Especialmente na América latina onde já enfrentamos dois golpes de Estado, em Honduras e no Paraguai, promovidos pelo governo "democrata" de Obama.
     Nós aqui neste blog já assumimos nossa posição muito claramente. Não concordamos com tudo, mas apoiamos abertamente o governo Dilma, apoiaremos a reeleição da presidente este ano, assim como a realização da Copa do Mundo.
     Entendemos que a direita vem fazendo um esforço absurdo para tentar diminuir a popularidade de uma presidente que tem primado pela retidão. Não há uma só acusação de ato ilegal ou de corrupção contra ela, que vem promovendo uma grande reestruturação da economia brasileira, investindo pesado em infraestrutura, ferrovias, rodovias, portos e aeroportos, que durante décadas estiveram abandonados pelos governos de partidos que hoje a criticam.
 Black Blocs tentando derrubar a presidente Dilma, que não se curva diante dos Estados Unidos

     Sabemos que o PT não é um partido de anjinhos e apoiamos as condenações dos réus do mensalão, assim como corruptos de qualquer outro partido, mas Dilma tem sabido se manter à altura de seu cargo como nenhum presidente nos últimos 50 anos. Há muito a fazer e gostaríamos que o processo de desenvolvimento do Brasil avançasse em outras áreas, como a preservação do meio ambiente, a federalização da educação e da saúde, a democratização do processo eleitoral, com o fim das listas e coligações que elegem gente que não tem quase nenhum voto, deixando à margem candidatos independentes e bem votados, que representam reivindicações localizadas. Apoiamos a Constituinte exclusiva proposta pela presidente e vetada pelos políticos tradicionais, que tem medo do poder de decisão do povo.
     Mas entre o governo Dilma e as alternativas de direita alinhadas com o oportunismo da "esquerdalha", apoiamos firmemente nossa presidente, e desde já declaramos nossa intenção de votar pela sua reeleição.
     Quanto ao presidente Obama, creio que a história o julgará muito mais rápido do que supomos, condenando-o ao lixo dos oportunistas e covardes por não saber aproveitar a extraordinária oportunidade que teve em mãos para reconstruir a liderança de seu país no mundo.


Fé no povo brasileiro    

     E o Brasil deve seguir seu caminho, perseverando na decisão de não se meter nas confusões armadas por outros países, dando prioridade aos nossos interesses nacionais e à integração com nossos irmãos latino-americanos.
     Temos imensa fé no Brasil, no nosso povo e na nossa vocação para a construção de um futuro de paz e prosperidade.

PAPO DE ARQUIBANCADA

Sem sal e sem açúcar



      Meus amigos, acompanhei pela tv o primeiro BaVi do ano, no estádio de Pituaçu e constatei a fragilidade, já conhecida, da equipe tricolor e a queda de rendimento do rubro-negro, em relação a equipe que jogou as últimas rodadas do brasileirão, quando disputou - até a última rodada - uma vaga pela Libertadores.


      O primeiro tempo começou com domínio do Vitória até os quinze minutos iniciais, depois o Bahia equilibrou as ações e igualou o clássico. As escassas chances de gol tornaram o jogo frio em emoções e fraco tecnicamente. O leão abriu o placar num bate e rebate dentro da área que o outrora lateral, Juan, novo camisa 10, empurrou para as redes. No final da primeira etapa o tricolor da boa terra quase empatou num chute de Marcão, que Wilson defendeu com muita elasticidade. Terminava assim o primeiro tempo: 1 x 0 Vitória.
      Logo no começo da segunda etapa, o Bahia - mais uma vez num bate e rebate - empatou o jogo com o esforçado volante-artilheiro, Fahel. O panorama do primeiro tempo não se alterara e a partida se arrastou até o apito final do juiz, decretando o empate justo: 1x 1 sem sal e sem açúcar.
      Infelizmente, não vi evolução alguma nos representantes baianos na série A deste ano. O time da toca sente a falta do seu armador, Escudero, que está entregue ao departamento médico e só voltará a jogar em seis ou sete meses, enquanto isso, Ney Franco improvisa o lento Juan em seu lugar e não surte o mesmo efeito, sobretudo na ligação com os atacantes Dinei e Marquinhos, com o primeiro apagadíssimo hoje.
     Quanto ao time do fazendão, é lastimável ver seu meio campo recheado de volantes, sem qualquer criação e tantos erros de passes. O Bahia carece de um meia, camisa 10, que consiga organizar suas jogadas ofensivas e de atacantes capazes de concluí-las. Lamento as estreias de Uelinton e Maxi, em BaVis, pelo Bahia: sem comentários !





CLIPE DA SEMANA

                 O clipe desta semana é da canção TUDO QUE SE QUER, versão em português da música "All I Ask Of You", do filme O Fantasma da Ópera, na interpretação de Emílio Santiago e Verônica Sabino: divirtam-se !



DESTAQUE

47 Ronins

          Bonito filme, dirigido por Carl Rinsch, tendo como atores principais Keanu Reeves, Hiroyuki Sanada, Ko Shibasaki, Tadanobu Asano.
                    Baseado numa história real do Japão medieval, onde 47 samurais são banidos do seu feudo, Ako, após a morte de seu mestre, envolvido pela conspiração de um rival com a ajuda de uma feiticeira. Segundo a tradição japonesa, quando o mestre morria seus samurais, se tornavam "ronins", ou seja, banidos, e tinham que viver exilados para o resto da vida.
                    Nessa história, os 47 Ronins descobrem a trama que levou à morte seu mestre, com a ajuda de um mestiço (interpretado por Keanu Reeves) e promovem uma vingança, restabelecendo a verdade e a independência de Ako.
                    É claro que a história medieval, que inspirou muitas gerações de japoneses, toma ares de aventura hollywoodiana com muitos efeitos especiais, mas nem por isso perde seu encanto, preservando a mensagem principal de louvor à verdade e à lealdade, tão caras à cultura daquele país.                       É também a história de amor entre a filha de um senhor feudal e um mestiço, considerado como um demônio pelas antigas tradições japonesas, numa época em que o Japão vivia isolado do mundo.

 Keanu Reeves em mais uma boa atuação
                    Destaque especial para os efeitos especiais em torno da feiticeira, que não são apenas assustadores, mas muito bonitos, quase poéticos.

 A esvoaçante e flamejante transformação da feiticeira num dragão alado
                    Numa fala do líder dos samurais, "quando uma injustiça ocorre o mundo se desequilibra" se resume toda moral do filme. 
                    As paisagens reveladas pelo filme também são belíssimas.
                    Um bonito espetáculo em 3D, que compensa o preço dos ingressos.
                    Vale a pena assisitir.

POESIA DA SEMANA



Presságio



 O amor, quando se revela,
 Não se sabe revelar.
 Sabe bem olhar p'ra ela,
 Mas não lhe sabe falar.

 Quem quer dizer o que sente
 Não sabe o que há de dizer.
 Fala: parece que mente...
 Cala: parece esquecer...

 Ah, mas se ela adivinhasse,
 Se pudesse ouvir o olhar,
 E se um olhar lhe bastasse
 P'ra saber que a estão a amar!

 Mas quem sente muito, cala;
 Quem quer dizer quanto sente
 Fica sem alma nem fala,
 Fica só, inteiramente!

 Mas se isto puder contar-lhe
 O que não lhe ouso contar,
 Já não terei que falar-lhe
 Porque lhe estou a falar...

Fernando Pessoa

RAPIDINHAS

Lavando a alma...

  
 Final de semana passado, estivemos em Itacimirim, à convite da nossa querida Manuca, para participar da primeira lavagem do Condomínio Quinta das Lagoas. Foi uma festa belíssima e animada. As camisas davam direito a cerveja gelada, colar havaiano, apito e muita cerveja gelada. Teve até banho de água de cheiro da sorridente baiana, embalada pela fanfarra afinadíssima. Obrigado Manuca pelo convite, ano que vem estaremos de volta.

 Confusões à vista

     
           Mais uma vez o carnaval de Rio de Contas é palco de confusões e polêmicas entre o Secretário de Turismo Municipal, João Souto e as ONGs da cidade, que o acusam de conflito de interesses ao organizar uma festa particular própria, com fins lucrativos, ao mesmo tempo em que organiza a festa da cidade. Já são antigas as acusações contra este secretário, que parece dominar o governo do atual
prefeito. Com a palavra o Ministério Público.

 Uma máquina de arte e beleza


          Incrível o trabalho do artista plástico Rinaldo Grilo Filho. Natural de Sorocaba, Rinaldo se estabeleceu a pouco tempo em Salvador e não para de produzir obras belíssimas em seu pequeno atelier de Amaralina, onde vive e trabalha.
          Dono de uma inquietação tremenda, Rinaldo produz freneticamente, sem encontrar tempo para se promover na capital baiana. Encantado com as paisagens soteropolitanas, ele também é um fotógrafo fantástico, captando a poesia do cotidiano da grande cidade.
         O homem é uma verdadeira máquina de produzir arte e beleza. 

          Atenção marchands e donos de galeria: corram para o atelier de Rinaldo, porque o primeiro a chegar vai fazer muito sucesso.
         Contatos através do telefone (71) 9735-9926.

RISOS

Recomendações médicas




Piada contada: tipos de cornos e mulheres

 Zé Lezin







terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

POLITICANDO

O Ovo da Serpente


     Este é o título do filme de Ingmar Bergman, o diretor sueco, realizado em 1977, que tratava do surgimento do nazismo numa Alemanha em crise. Ele mostra como no meio das crises, oportunistas se aproveitam para ir gestando situações em que as grandes massas comecem a descrer na democracia e acreditar que só uma "solução" militarista pode resolver os problemas. Na Alemanha o "ovo" chocou e o bicho que saiu lá de dentro foi o nazismo, liderado pelo louco Adolf Hitler, responsável pela morte de 40 milhões de seres humanos na segunda guerra mundial.
     No Brasil de hoje, apesar de não vivermos uma crise como a Alemanha dos anos 20, com inflação altíssima e desemprego em massa, vemos uma intensa campanha para fazer o povo descrer nos políticos e no  governo, tentando alimentar uma espécie de "indignação moralista" que sempre acaba em desastres, como no governo de Janio Quadros e sua vassoura, que iria "limpar o Brasil, ou de Fernando Collor e sua "caça aos marajás", que anunciava o fim das mordomias dos políticos.
     O que vemos na internet é uma campanha orquestrada contra o governo Dilma, centrada nos jogos da Copa, mas também tentando reacender os protestos de junho do ano passado que começaram com reivindicações justas e passaram a ser dominados por bandos de gente mascarada e perigosa, cujas ligações com o crime organizado e os políticos de direita foram aparecendo aos poucos.
     Agora a direita fascista, que estava calada desde a redemocratrização de 1984, começa a tirar a máscara e mostrar as garras, propondo abertamente um golpe de estado para a implantação de uma ditadura, com posts no Facebook incitando o apoio a um golpe militar.

Post difundido esta semana no Facebook
      Na TV aberta, uma jornalista do SBT também tirou a máscara e passou a defender abertamente atitudes racistas e ilegais contra bandidos, apoiando o fato de uma milícia à serviço de comerciantes ter acorrentado um homem negro e nu a um poste, no Rio de janeiro, depois de aplicar-lhe uma surra, revivendo cenas que pensávamos estar extintas desde a abolição da escravidão no Brasil, em 1888.
O negro acorrentado e a jornalista fascista do SBT

     Poucos dias depois a cena se repetiu, desta vez na cidade do Crato, no Ceará, contra outro negro, desta vez um desequilibrado mental, que passou várias horas pedindo socorro enquanto uma população atônita o observava, sendo impedida de ajudá-lo por dois homens que se diziam "justiceiros".
 O negro acorrentado no Crato

     Outros fatos vieram se somar a esses absurdos, como o deputado Jair Bolsanaro, notório representante fascista no parlamento brasileiro, se propor a ingressar nas Comissão dos Direitos Humanos da Câmara, já dominada por um oportunista homofóbico, que se diz pastor de uma seita religiosa, o deputado Marcos feliciano, para combater a luta dos gays por seus direitos civis.
     Na mesma semana, um mascarado matou com um rojão um cinegrafista da TV Bandeirantes, durante uma manifestação no Rio de Janeiro.
Momento em que o cinegrafista da Band é atingido na cabeça pelo rojão.
 
     Tudo indica que estamos diante de um ressurgimento da ultra-direita no Brasil, que tenta se apropriar das manifestações justas da população contra a corrupção e a má qualidade dos serviços públicos, para tentar promover um golpe de estado que liquidaria com nossa liberdade e democracia, ressuscitando a velha e corrupta ditadura militar.
     É interessante observar as manifestações que vem ocorrendo pelo mundo, muitas delas manipuladas pelos serviços secretos norte-americanos que infiltram agentes para se passar por revolucionários e derrubar governos contrários aos seus interesses políticos e econômicos. 
     Foi o caso do Egito, onde a indignação da população foi manipulada para derrubar um governo legítimo, o primeiro eleito pelo povo naquele país em toda sua história, para reestabelecer a ditadura militar que o próprio povo havia derrubado um ano antes. Mas o presidente eleito, Mohamed Mursi, estava se aproximando do Irã, inimigo de americanos e israelenses, então era preciso derrubá-lo, fazendo parecer que era o próprio povo que assim o desejava. Os egípcios, embriagados pelas força de suas próprias manifestações, não perceberam que estavam sendo manipulados e perderam tudo.
     Na Ucrânia, país riquíssimo, considerado o "celeiro da Europa", situado entre a Rússia e a União Européia, a direita minoritária luta para derrubar um presidente legitimamente eleito para empossar uma líder de direita derrotada nas urnas, por ser à favor do ocidente. Lá eles pedem novas eleições.
     Já na Tailândia, a direita também minoritária luta para derrubar a primeira-ministra eleita, mas ao contrário não aceita novas eleições, por saber que vai perder.
     Esse panorama mostra que o governo Obama e seus aliados ocidentais (União Européia e Japão) mudaram de tática, trocando as impopulares intervenções militares do governo Bush, pela velha técnica de contra-insurgência, que consiste basicamente em infiltrar agentes nos movimentos populares para direcioná-los à favor dos seus interesses e quando preciso assassinar líderes autênticos.
     Isso foi usado no Brasil em 1964 para promover as rebeliões de soldados, que acabaram levando os oficiais, chocados com a quebra da hierarquia militar, a apoiar o golpe. Os americanos tinham um agente infiltrado no movimento dos marinheiros rebeldes, o famoso Cabo Anselmo, que fez o serviço direitinho .
Cabo Anselmo, o agente da CIA que estimulava a rebeldia dos marinheiros.

     Houve também um padre irlandês, o famoso Padre Peyton, que organizou as Marchas da Família com Deus pela Liberdade, que conquistaram o apoio da classe média, assustada com os planos de reformas do presidente João Goulart.
 O padre Peyton que manipulou os católicos a favor do golpe de 64, a serviço da CIA

     O presidente americano, Barack Obama, inicialmente visto como um líder que podia mudar o rumo da política americana, revelou-se um dos piores imperialistas de todos os tempos, espionando o mundo inteiro e estimulando as ações secretas da CIA para impedir os povos de alcançarem sua liberdade e independência. É claro que eles agem no Brasil, e estão por trás desse ressurgimento do militarismo fascista. Querem nos derrubar de novo, nos reduzir a uma grande colônia no momento em que estamos começando a crescer, a vencer as dificuldades deixadas pelos governos militares e usam de todos os meios para isso. 
     Eles temem o potencial do Brasil que ao se tornar um país desenvolvido certamente se tornará um competidor à altura para eles. 
     O ovo da serpente está novamente sendo chocado, pelas forças sinistras que sempre lutam contra a auto-determinação e o progresso dos povos. Cabe a você, leitor, ficar atento para não ajudar a aquecer esse ninho.

PAPO DE ARQUIBANCADA

Demolidor de campeões



                Meus amigos, semana que passou não foi muito fácil para o torcedor tricolor baiano. Depois de ter sido eliminado precocemente da Copa do Nordeste (Lampions Ligue), o Baêêa sucumbiu diante do Galícia, outrora, demolidor de campeões, de virada. Depois de perder várias oportunidades no primeiro tempo e ter feito apenas um gol, o time de Itinga mostrou as velhas fragilidades e permitiu a virada sensacional do time azul e branco. Fazia tempo que o time da colônia espanhola não jogava contra o esquadrão de aço, que deixou de ser um campeão faz algum tempo. Parabéns a torcida do Galícia pela vitória indiscutível. Ao tricolor desejo vergonha na cara: esta torcida apaixonada não merece sofrer tanto.  


Homossexualidade no esporte: Brasil mantém futebol dentro do armário



 Jogadores assumem ser gays nos Estados Unidos e na Europa enquanto discussão mal existe no país da Copa do Mundo. Mesmo ex-atletas temem repercussão
 

Justin Fashanu assumiu ser gay antes de cometer suicídio na Inglaterra (Foto: Getty Images)
 
Um bilhete escrito por familiares de Justin Fashanu e posicionado em uma coroa de flores ao lado de seu caixão dizia: 'A única certeza é que você está finalmente livre'. Em 1998, o primeiro jogador britânico a se assumir publicamente como homossexual cometeu suicídio em Londres. Enforcou-se. Deixou uma carta de despedida em que negava acusações de ter abusado de um jovem de 17 anos nos Estados Unidos. No texto, afirmava que, por ser gay, jamais seria julgado de forma justa.

Fashanu, de família nigeriana, ex-atacante de clubes como Norwich, Southampton, Manchester City e West Ham, não tinha grandes pretensões de engajamento social. Não tinha sequer perfil para ser um símbolo de libertação sexual - até tentou trocar segredos de sua vida amorosa por dinheiro. Mas acabou se tornando uma espécie de pedra fundamental em uma discussão que ainda engatinha, mas parece em vias de começar a caminhar com firmeza, especialmente em meio à série de polêmicas que envolve os Jogos de Inverno de Sochi: a presença de homossexuais no esporte, incluindo o futebol.

Passados 15 anos da morte de Fashanu, o tabu permanece. Mas está mais frágil. Repetidos atletas, de repetidos esportes, vêm saindo do armário. No futebol, os casos ainda são raros, muito especialmente no Brasil, onde jamais um jogador de renome nacional se declarou gay. A questão é de aceitação, mais externa do que interna. Afinal, como a maioria dos torcedores reagiria ao saber que o capitão, o centroavante ou o lateral-direito reserva de seu time é homossexual?

No Brasil, nenhum jogador dos grandes clubes assumiu publicamente sua homossexualidade. Mas um já teve que se declarar heterossexual. Richarlyson, hoje no Atlético-MG, se viu obrigado a ir a público nos tempos de São Paulo para dizer que não é gay depois de um dirigente do Palmeiras, José Cyrillo Júnior, cometer uma gafe em um programa de TV. Cyrillo afirmou que o atleta diria que é homossexual em uma entrevista (algo que jamais aconteceu). O dirigente pediu desculpas a Richarlyson, mas a questão acompanhou o jogador ao longo da sua carreira

Sheik e o selinho que mudou sua relação com parte da torcida do Timão (Foto: Reprodução Instagram)


No ano passado, Emerson Sheik, atacante campeão da Libertadores e do mundo pelo Corinthians, postou uma foto em uma rede social dando um selinho em um amigo, o empresário Isaac Azar, durante um jantar. Fez para provocar - incentivado justamente por uma conversa sobre homofobia. E conseguiu. Sua relação com a torcida do clube que defende nunca mais foi a mesma. Antes ídolo, se tornou alvo. Foi xingado em faixas. Uma delas o chamava de "viadinho". Sheik reagiu dizendo que tudo não passava de um "preconceito babaca".

Sheik mexeu em um vespeiro onde os demais jogadores brasileiros de clubes de ponta, heterossexuais, homossexuais ou bissexuais, jamais ousaram mexer. No Brasil, esse papel coube antes a Messi. Mas não Lionel, o Messi argentino. No caso, Jamerson, o goleiro Messi, atleta do Palmeira de Goianinha, no Rio Grande do Norte. Em 2010, ele virou notícia nacional ao se assumir como gay. Não teve grandes problemas depois disso. Hoje, está novamente no clube.



Messi, goleiro do Palmeira-RN, homossexual assumido (Foto: Tiago Menezes)


- Você tem que ser o que você é, não esconder. No futebol, isso não é aceito, mas meus times aceitaram com naturalidade. Eu me senti um pouco melhor (depois de assumir). Quem não se assume sofre um pouco. As pessoas precisam ver que você tem uma parte feminina. Declarando, as pessoas aceitam mais. Dentro de campo, é normal as pessoas pegarem no pé. Com o adversário, acontece muito, é bastante normal - disse o goleiro Messi.

O gesto do Messi genérico tem sua dose de coragem. Mas o caminho para um atleta mais conhecido fazer o mesmo parece longo. Ou mesmo um ex-atleta. O GloboEsporte.com procurou dois ex-jogadores conhecidos no meio do futebol como homossexuais. Nenhum deles aceitou participar desta reportagem. Eles alegaram dificuldades profissionais (eventuais prejuízos a uma carreira ainda vinculada ao futebol) ou pessoais para abordar a questão publicamente.

- Compreendo a importância de se discutir o tema, mas entenda que eu não posso fazer isso - disse um deles.

- Nesse momento que vivo, não tenho interesse em falar sobre o assunto - afirmou o outro.

Lá fora

O temor é compreensível. Mesmo no exterior, onde a abertura vem sendo maior, o gesto parte de ex-jogadores, não de atletas em atividade. Foi o caso do alemão Thomas Hitzlsperger. No início deste ano, o ex-meia, de 31 anos, afirmou à revista "Die Zeit" que é homossexual.

- Declaro minha homossexualidade porque desejo que essa questão avance no mundo do esporte profissional - disse ele.




Thomas Hitzlsperger: 'Desejo que essa questão avance no mundo' (Foto: Getty Images)


Antes dele, um atleta de futebol dos Estados Unidos fizera o mesmo. Mas com uma diferença. Robbie Rogers, aos 25 anos, tornou pública sua homossexualidade em 2013 e automaticamente anunciou que estava abandonando os campos. Depois, mudou de ideia e foi contratado pelo Los Angeles Galaxy. Estreou pelo clube em maio, três meses depois de seu comunicado. Ao ir a campo, foi aplaudido por mais de 20 mil pessoas. 


 


 



Robbie Rogers diz que é gay, se aposenta e volta a jogar nos Estados Unidos (Foto: Getty Images)


É um momento histórico - disse ele na época.

Robbie Rogers fez parte daquilo que a imprensa americana identificou como um movimento coletivo de saída do armário no esporte do país. A expectativa era de que um atleta de cada uma das grandes ligas (NBA, NFL, MLS, NHL e MLB) fosse a público e dissesse que era gay. A ação acabou não sendo tão forte assim, mas teve impactos especialmente depois que Jason Collins, do Washington Wizards, escreveu um texto em primeira pessoa para a revista "Sports Illustrated" no qual já começava dizendo: "Sou um pivô de 34 anos da NBA. Sou negro. E sou gay".

Na Europa e nos Estados Unidos, há uma série de entidades que dão suporte a atletas homossexuais. Funcionam especialmente em duas frentes: dar apoio a esportistas que sofram por não poder assumir sua sexualidade e incentivar aqueles que estão dispostos a tornar pública sua preferência por pessoas do mesmo sexo. Uma das mais fortes é a americana "You can play", ligada à liga de Hockey, a NHL. Um de seus fundadores, Brian Kitts, se mostra otimista.

- O esporte está preparado para essa mudança. Enquanto a sociedade muda, seja com a liberação do casamento gay ou a indústria do entretenimento, atletas, treinadores e torcedores começam a perceber que há atletas gays. Eles estão prontos para essa mudança. (...) Penso que muitos atletas sairão do armário nos próximos cinco anos, e aí organizações como a nossa serão desnecessárias. A sociedade está mostrando maior respeito por atletas gays.

O interessante é que muitas dessas organizações são comandadas por ex-atletas heterossexuais. Um caso exemplar é a Stand Up Foundation, comandada por Ben Cohen, um ex-jogador da seleção inglesa de rúgbi. Ao ver seu pai ser vítima de violência (foi assassinado), ele decidiu agir. E usou sua fama como esportista e sua imagem como símbolo sexual da comunidade gay (apesar de ser heterossexual) para isso. O ex-atleta compara a luta contra a homofobia com a batalha contra o racismo.

- A homofobia está onde o racismo estava 20 anos atrás - diz ele, campeão mundial de rúbgi com a Inglaterra.


No Brasil


Enquanto o debate se espalha lá fora, no Brasil a discussão segue eclipsada. Parece distante o momento em um atleta de ponta do esporte mais popular do país enfrentará a corrente e se sentirá confortável para não esconder sua sexualidade. 


O pior é sabermos que tem e o cara não assumir", disse Abel Braga, treinador.


Abel Braga, um dos treinadores mais experientes do Brasil, acredita que um jogador homossexual, se achar importante sair do armário, deve fazê-lo. O atual comandante do Inter, famoso por seu controle de vestiários, entende que um jogador fingir ser heterossexual pode ser mais prejudicial ao ambiente do clube do que se assumir como gay - mesmo que apenas internamente.

- O pior, no meu modo de pensar, é sabermos que tem e o cara não assumir. Por que não assume? É opção dele. No vestiário, se tem e não assume, complica. Não precisa ser publicamente, mas se não assumir no vestiário a coisa vira um pouco para o lado da gozação. Acho que o melhor é o cara chegar ali dentro e assumir. Temos que ter a cabeça aberta com esse tipo de situação. É uma coisa absolutamente normal hoje - opinou o treinador.

Julio Moreira, presidente do Grupo Arco-Íris, atuando há 20 anos em prol da comunidade LGBT, vê dificuldades em jogadores de futebol tocarem no assunto atualmente.

- Há uma cultura machista no Brasil que envolve principalmente o futebol. Existe uma cultura machista que se reproduz até na forma como a gente comemora nos jogos, com xingamentos. Se o juiz roubou, ele é ladrão, ele é veado. A sociedade pensa que é pecado, doença, crime, e isso faz com que atletas que atuam em times profissionais não possam se assumir. Tem o constrangimento que eles sofrem no meio e na torcida e também o reflexo de patrocínio. No futebol, acho que ainda é muito difícil (a pessoa assumir que é homossexual). Claro que tem, mas ele precisam viver se policiando. E é difícil viver uma homossexualidade escondida num ambiente assim - comenta ele.

Não existem números precisos sobre o percentual da população brasileira que é homossexual. No censo de 2010, o IBGE levantou dados sobre a quantidade de uniões homoafetivas (0,1% do total, ou cerca de 53 mil casais), mas não sobre quantos brasileiros se declaram gays - o que dificulta uma projeção sobre o percentual de homossexuais ou bissexuais em um clube de futebol.


Por Alexandre Alliatti *Rio de Janeiro

* Colaborou Edgard Maciel de Sá

Fonte: www.blogoesporte.globo.com