segunda-feira, 30 de setembro de 2013

POLITICANDO

Incomodando

     A publicação da revista britânica The Economist, criticando a performance da política econômica brasileira não é nenhuma novidade. Para eles o Brasil só vai bem, quando serve de campo de caça para suas empresas realizarem lucros astronômicos, em detrimento dos interesses do povo brasileiro.
     Uma política como a do Governo Dilma, que busca lançar as bases para o crescimento futuro, longo e sustentado do país, não interessa às grandes empresas transnacionais, sempre interessadas em lucro fácil e rápido.
     Muito menos ao setor financeiro, hoje hegemônico na economia mundial, cujos interesses aquela publicação representa.
     Mas falar mal do Brasil não é novidade para ingleses e americanos. Eles são especialistas em denegrir nossa imagem, tentando sempre impedir que os investidores tragam seus capitais para cá, o que representaria um grande risco para a economia combalida dos países ricos do hemisfério norte.
     Nunca é demais lembrar que foi depois da primeira guerra mundial, quando grandes capitais fugindo da europa migraram para os Estados Unidos, que se iniciou o longo ciclo de crescimento da economia daquele país, levando-o a supremacia econômica no século XX.
     Muito capital já migrou para a Ásia, China e Coréia especialmente, e continua migrando para a Indonésia, África e Turquia. Se uma nação com tanto potencial como o Brasil se tornar realmente atrativa isso poderá fazer os investimentos minguarem de vez, numa Europa que se debate com políticas econômicas ultraconservadoras que vão destruindo a liderança construída nos últimos 200 anos.
     É preciso, portanto, desacreditar o Brasil, desmotivar os investidores, até para disfarçar o péssimo desempenho da economia britânica nos últimos anos, que se debate entre o crescimento zero e o negativo.
     Mas a reportagem soa ainda mais ridícula quando diz que o Brasil não está investindo o necessário em infraestrutura, justamente no momento em que a presidente Dilma Roussef abre um seminário em Nova York sobre as oportunidades de investimento no setor, mostrando os grandes planos, as dificuldades e gargalos que temos que superar.
     A conclusão óbvia é a de que o Brasil está incomodando. Não porque esteja prejudicando ninguém, mas porque está indo ao encontro de seus próprios interesses e pavimentando o caminho para o futuro, em detrimento da tradicional rapinagem das antigas potências coloniais européias e da águia gigante norte-americana.

CLIPE DA SEMANA

Jesus, alegria dos homens.
J.S.Bach



Clique e acesse:
https://www.youtube.com/watch?v=KlTm-xG3pO0
 

PAPO DE ARQUIBANCADA

    A grande chance       

  Neymar Jr. 

           Meu amigos, quem acompanha aos jogos do Barcelona, vê um Neymar pouco genial, jogando para servir Messi, como se fosse essa a sua missão no clube. A presença do técnico argentino, contratado com o aval do camisa dez do time catalão, tem prejudicado o desempenho do craque brasileiro, que é obrigado a seguir à risca sua função tática na equipe - garçom de Lionel - sob pena de ficar na reserva. Para não perder seu lugar em campo, Neymar sucumbiu aos caprichos do artilheiro mimado. Messi se machucou na última rodada do certame espanhol, talvez seja a chance do nosso camisa dez assumir o seu posto e nos orgulhar com sua arte. Pra cima deles, menino da vila !



Como estão os velhinhos bons de bola ?!



 João Máximo

           Até bem pouco andamos tecendo elogios, aliás, merecidos, aos veteranos que ajudavam seus times a fazer boa figura neste Campeonato Brasileiro. Seedorf, Zé Roberto, Alex, Juninho Pernambucano e outros trintões chegaram a integrar uma "seleção" feita aqui, na ESPN, pelos nossos experts em matéria de bola. Ao nos aproximarmos da vigésima quinta rodada, o que é feito desta turma de ilustres senhores?
            Seedorf, espécie de símbolo do Botafogo, é o mais notório exemplo de descida morro abaixo. Simbolizava a eficiência do seu time, simbolizava a esperança da torcida alvinegra de que a estrela solitária poderia - por que não? - passar a frente da constelação cruzeirense. Isso mesmo, o solitário Seedorf contra o excelente grupo mineiro. Aí, sem quê nem para quê, o holandês sumiu e, com ele, foram-se a eficiência e as esperanças do Botafogo. Nisso, segue sendo um símbolo.
            O Grêmio vai bem, obrigado, mas Zé Roberto, até outro dia a alma do time, quase merecendo uma reconvocação, está hoje no banco de reservas. Alex, alegria do Coritiba, machucou-se e acabou não fazendo o que prometia. Juninho, que já se supunha aposentado, veio para salvar o Vasco e eis que ele e toda a nau cruzmaltina estão indo a pique nas águas do Z4.
        Há óbvias explicações para isso. Num futebol jogado em melhor clima, obediente a um calendário pelo menos humano, esses veteranos e mais alguns ainda estariam sendo mais do que úteis aos seus times. E quase nos esquecíamos de Ronaldinho Gaúcho, outro da velha guarda. Não há trintão que aguente jogar o Campeonato Mineiro, uma estafante Libertadores, um Brasileirão realmente aumentativo e ainda por cima chegar inteiro ao Mundial em Marrocos.
             É pena. A brilhante "seleção" de craques escaladas aqui se desfaz antes do tempo. Seria bom pensar que todos eles, inclusive Seedorf, estariam valorizando os espetáculos do nosso futebol... antes e depois da Copa do Mundo.

Fonte: Blog do João Máximo

POESIA DA SEMANA


Gregório de Matos Guerra

Mandai-me Senhores, hoje
que em breves rasgos descreva
do Amor a ilustre prosápia,
e de Cupido as proezas.
Dizem que de clara escuma,
dizem que do mar nascera,
que pegam debaixo d’água
as armas que o amor carrega.

O arco talvez de pipa,
a seta talvez esteira,
despido como um maroto,
cego como uma toupeira

E isto é o Amor? É um corno.
Isto é o Cupido? Má peça.
Aconselho que não comprem
Ainda que lhe achem venda

O amor é finalmente
um embaraço de pernas,
uma união de barrigas,
um breve tremor de artérias
Uma confusão de bocas,
uma batalha de veias,
um reboliço de ancas,
quem diz outra coisa é besta.


DESTAQUE

Boca do Inferno


     Fantástico esse romance histórico (Companhia das Letras, São Paulo - 2012) em torno do personagem real Gregório de Matos e os episódios que o envolveram na deposição do governador da colônia do Brasil, Antonio de Souza, mais conhecido como "Braço de Prata", no final do século XVII, em Salvador.
     O domínio da língua portuguesa, tanto atual quanto antiga, pela sua autora, a cearense Ana Miranda, transforma a obra numa leitura intensa e apaixonante. O incrível trabalho de pesquisa sobre a vida de Gregório de Matos e outros personagens importantes da época, como o padre Antonio Vieira, nos leva a uma viagem no tempo, nos transportando para dentro das intrigas e paixões da sociedade brasileira da época, traçando um perfil da nascente sociedade baiana, extremamente esclarecedor para quem quer entender a Bahia e o Brasil atual.
     Sem concessões a recursos mais fáceis, como a ironia e o deboche, tão largamente utilizados hoje por pretensos historiadores, Ana nos presenteia com um retrato dramático de uma época em que as bases da nossa nação foram lançadas e que vai desvendando as raízes de alguns males que nos atormentam nos dias de hoje, como a corrupção dos governantes, a justiça feita para beneficiar os mais ricos e a falta de princípios éticos de muitos políticos.
     Por outro lado, nos mostra que, mesmo numa colônia distante e abandonada pela justiça, existiram grandes homens, capazes de sobreviver aos desmandos, às injustiças e à covardia generalizada, lançando sementes para o futuro, que frutificaram e hoje alicerçam a construção de nossa sociedade.
     Não foi à tôa, que Boca do Inferno foi incluído numa lista dos cem melhores romances na língua portuguesa, publicados no século XX.
     Imperdível!
    

RAPIDINHAS

Justiça lá e cá
   
        O dirigente do Partido Comunista Chinês,  Bo Xilai foi condeando à prisão perpétua e perdeu todos os seus bens, por desvio de fundos, aceitação de subornos e abuso de poder.
        O tribunal de Jinan, cidade no leste da China, considerou como provado que Bo Xilai aceitou propinas no valor de 20,44 milhões de yuans (2,44 milhões de euros), crime passível de pena de morte. A corte estipulou prisão perpétua por corrupção passiva, uma pena de 15 anos de prisão pelo desvio de fundos e sete anos por abuso de poder, além do confisco das propriedades pessoais do ex-dirigente e a cassação por toda a vida de seus direitos políticos.
     
     Enquanto isso, no Brasil, o próprio tribunal duvida de seu julgamento e reabre o caso do mensalão, para dar mais chance ainda aos corruptos. 
        Não é à tôa que a China cresce a passos largos, enquanto o Brasil patina.
       Uma justiça que não funciona, ou é lenta demais, favorece a impunidade, encoraja os desmandos, atrasa o desenvolvimento nacional e todos nós pagamos por isso.

 Ide em paz



        O ator e secretário municipal de defesa dos animais, morreu neste domingo, aos 73 anos. Cláudio Cavalcanti também era diretor de TV, produtor, escritor, tradutor, cantor, dublador, radialista e, atualmente, atuava como político em defesa dos animais. Participou de 50 novelas, minisséries e especiais, além de 22 longas e peças teatrais. Um dos seus personagens mais conhecidos foi Jerônimo, um dos protagonistas da primeira versão de Irmãos Coragem, na TV Globo. O mundo da arte vai sentir falta de seu talento.

Conferência Setorial do Livro e da Leitura

     A Fundação Pedro Calmon promove no dia 06 de outubro, no auditório da Faculdade de Arquitetura da UFBA, em Salvador, a Conferência Setorial do Livro e da Leitura.
         O evento é aberto ao público e o credenciamento será iniciado às 7,30 da manhã. 



HUMOR TRANSATLÂNTICO

Tempos atuais


Piada Contada: piadas de loura.

Tonho dos Couros

 Clique e acesse:


segunda-feira, 16 de setembro de 2013

POLITICANDO

 
Sedex.com?
 
 
     Todo mundo sabe que violar uma correspondência é crime, mas desde que as cartas escritas em papel foram substituídas por mensagens virtuais, essa noção ficou mais distante, mais fluida.
     Deixamos de mandar nossas mensagens pelos Correios, que agora servem apenas para receber encomendas e para nos enviar as contas, e passamos a usar serviços de empresas estrangeiras, como o Google, o Firefox e a Microsoft.
     Pouca gente se deu conta de que essas empresas substituíram nossos Correios na entrega de nossa correspondência pessoal, porque isso foi vindo aos poucos, virando um modo tão fácil e barato de se comunicar que as cartas de papel ficaram rapidamente esquecidas.
     Agora, com o escândalo da espionagem americana, que aliás era uma coisa que todo mundo sempre desconfiou que eles fizessem, ficou claro que não existe mais o sigilo postal, que consta nas nossas leis.
     Como sempre os americanos agem com cinismo e desonestidade para implantar a sua ditadura mundial, espionando tudo e todos em nome de seus interesses nacionais, desrespeitando nossas leis, que para eles não valem nada.
     Não seria a hora do Brasil retomar o monopólio da ECT estendendo-o às comunicações eletrônicas? Para isso seria preciso apenas criar um serviço de mensagens eletrônicas dos Correios através do qual poderíamos enviar nossas mensagens, nos libertando dessas empresas americanas que entregam de graça para os serviços secretos norte-americanos o controle de nossas vidas.
     Ao invés de usarmos o hotmail, Gmail ou Yahoo, passaríamos a usar o Sedex.com, que poderia inclusive utilizar a Rede Nacional de Pesquisa, que serve às nossas universidades e é uma das poucas redes eletrônicas do mundo independente da Internet, gerenciada pelos Estados Unidos.
     É claro que isso não seria o suficiente para impedir a pirataria nas nossas comunicações, mas pelo menos colocaria sob nosso controle todo o tráfego de informações privadas, facilitando sua segurança. Caberia à nós garantir isso.
     Talvez seja o caso também de repensar o uso das urnas eletrônicas, tantas vezes denunciadas como possíveis de serem manipuladas e impossíveis de serem conferidas. Se os americanos tem programas capazes de decodificar informações criptografadas, se são capazes de desviar o tráfego até de transações bancárias, que deveriam ser super sigilosas, claro que eles podem fazer o mesmo com a transmissão de dados das urnas eletrônicas, alterando os resultados eleitorais para beneficiar grupos que atendam aos seus interesses estratégicos e econômicos.
     Já passou da hora de implantar as urnas com impressão de voto (sem a identificação do votante), para que os resultados possam ser conferidos manualmente. A recusa dos políticos em implantar esse controle, alegando ser muito caro, sempre me pareceu absurda e muito suspeita.
     Agora a teoria de que as urnas eletrônicas são completamente seguras cai definitivamente por terra. Acredito que, quando esse sistema for instalado teremos mudanças significativas no panorama político nacional e veremos que estamos sendo roubados desde 1996, quando o sistema eletrônico foi estendido a todo o país.
     

PAPO DE ARQUIBANCADA

Blogando por ai...


Herbem Gramacho
 

 A diferença do Vitória de Ney para o de Caio

       Qual a diferença do Vitória de Caio Júnior para o de Ney Franco? Em termos de esquema tático, o novo treinador não reinventou a roda nem fez grandes alterações em relação ao antecessor. Ney não é do tipo que conquista o vestiário pelo aspecto emocional, como alguns técnicos do tipo paizão, boleirão ou linha dura. Segue a linha do sóbrio estudioso, assim como Caio Júnior.  A diferença do time de um para o time do outro está nos jogadores, num misto de mérito e sorte. O que não significa que o Vitória atual seja muito melhor que o de algumas poucas rodadas atrás. O time voltou a jogar, mas continua errando demais.

       Sorte porque Ney Franco, ao chegar, já encontrou dois laterais com experiência para arrumar a casa, o que Caio não teve nos seus últimos dias à frente do clube. Nesse ponto, Caio deu azar. Perdeu Nino, um dos destaques do time, a ser operado por causa dos problemas crônicos no púbis e que não joga mais neste ano; e por não ter um substituto à altura, testou Daniel Borges, Dimas e até improvisou Gabriel. Na esquerda, que já era carente, Caio perdeu Mansur pelo mesmo motivo de Nino e ficou sem Tarracha, embora o garoto Euller tenha se revelado uma alternativa promissora.

       Com Ney foi diferente. Chegou e já encontrou Juan e Ayrton, dois laterais com bagagem e que não se embolam com a bola no pé.  Embora Ayrton não tenha a velocidade que faz de Nino um diferencial surpreendente, tem a virtude do bom passe e mostrou isso no cruzamento do primeiro gol de ontem, no 2x1 contra o Náutico.

       Diferença também no meio-campo, e aí está o grande mérito de Ney neste início de trabalho. Sem Escudero, principal jogador do time na opinião de Caio Júnior e de muitos outros, o novo treinador achou soluções em Marquinhos, fora dos planos do seu antecessor, e em Cáceres, a quem deu mais liberdade ofensiva.

       Acertos de Ney? Sim. Erros de Caio? Não necessariamente. Afinal, há muito mais fatores por trás de um time de futebol do que a bola no pé. O próprio Marquinhos é um grande exemplo disso, com todo seu histórico de desmotivação, alimentação inadequada, vida familiar complicada, físico comprometido e lesões. Cáceres também teve chance com Caio Júnior e não aproveitou.

       Às vezes, o jogador não consegue render, e isso produz efeitos nele, no time, no treinador, na torcida, na diretoria, na imprensa, mas o peso da culpa recai quase sempre sobre o técnico, o que é injusto. Jogar bola pode até ser simples. Mas o futebol é complexo, como o ser humano. Como Marquinhos, que, quando parece ter enchido a paciência de qualquer torcedor, volta, num estalo, a jogar bola.

        O Vitória de Ney Franco está melhor que o de Caio? Sim, se comparado às últimas rodadas do ex-treinador. Não, se comparado à maior parte do tempo em que Caio Júnior esteve no comando.  Ontem, por exemplo, foi um sufoco para ganhar do Náutico, lanterna disparado e a caminho do recorde negativo de pontos no Brasileirão. O que talvez ajude a entender que o treinador não é tão mágico assim. Que, no final das contas, quem ganha e quem perde o jogo quase sempre são os bons e os maus jogadores.

Fonte: Coluna do Herbem Gramacho

POESIA DA SEMANA

Poesia chinesa contemporânea
 

 
 
黑色地圖
寒鴉終於拼湊成
夜﹕黑色地圖
我回來了——歸程
總是比迷途長
長於一生
帶上冬天的心
當泉水和蜜制藥丸
成了夜的話語
當記憶狂吠
彩虹在黑市出沒
父親生命之火如豆
我是他的回聲
為赴約轉過街角
舊日情人隱身風中
和信一起旋轉
北京﹐讓我
跟你所有燈光乾杯
讓我的白髮領路
穿過黑色地圖
如風暴領你起飛
我排隊排到那小窗
關上﹕哦明月
我回來了——重逢
總是比告別少
只少一次
Mapa negro
Ao cabo, corvos frios juntam
a noite: um mapa negro
voltei para casa – pelo caminho avesso
mais longo do que o errado
longo como a vida
traga o coração do inverno
quando a água mineral e as anfetaminas
tornam-se as palavras da noite
quando a memória late
um arco-íris assombra um mercado negro
meu pai, vida-faísca: mínima como um grão
sou seu eco
virando a esquina dos encontros
uma ex-amante esconde-se numa
lufada de cartas revoltas
Pequim, deixe-me erguer
um brinde às suas luzes
deixe que meu cabelo branco aponte
o caminho pelo mapa negro
como se uma tormenta a fizesse voar
espero na fila até que a pequena janela
se feche: Ó o brilho da lua
voltei para casa – reuniões
significam menos do que adeuses
ao menos
Tradução: Régis Bonvicino, com supervisão de Yao Feng
Zhao Zhenkai
 
Bei Dao, “Ilha do Norte”, pseudônimo de  [趙振開], nasceu na cidade de Pequim em 1949. Serviu na Guarda Vermelha, indispôs-se com a Revolução, foi “reeducado”, trabalhou na construção civil: ocupações incompatíveis com a importância desse extraordinário escritor para a poesia chinesa contemporânea e para a poesia do mundo. Seus versos são reflexivos, revelam a natureza do ser, identificam feridas emocionais e se solidarizam com outras almas aflitas, por meio, muitas vezes, de descrições “atonais” da paisagem.
Em 1978, Bei Dao ajudou a fundar a revista extra-oficial Hoje [今天], que se tornou o principal fórum de discussão dos poetas menlong, grupo ridicularizado peloestablishment literário chinês devido a sua linguagem “obscura” e não calcada no realismo socialista. Em 1989, ele foi acusado de incitar a revolta estudantil na praça da Paz Celestial, pois os versos de um de seus poemas, “Proclamação” [回答], estavam nos estandartes carregados pelos protestantes: “Para não me ajoelhar na Terra/ contrastando assim com a elevação do carrasco/ que impede os ventos de liberdade”.Exilado, Bei Dao viveu e lecionou na Inglaterra, Alemanha, Noruega, Suécia, Dinamarca, Holanda, França e, mais recentemente, nos Estados Unidos. Sua obra já foi traduzida para trinta idiomas, mas esta é sua primeira antologia em português. Em língua inglesa, são cinco volumes de poesia – Unlock (2000), Landscape over zero(1996), Forms of distance (1994), Old snow (1992), The August sleepwalker (1990) – um de contos – Waves (1990) – e dois de ensaios – Midnight’s Gate (2005) e Blue house (2000). Recebeu vários prêmios, entre eles o prêmio literário Jeanette Schocken (Alemanha, 2005), o Argana de poesia internacional (Marrocos, 2002) e o Tucholsky da pen sueca. É membro honorário da American Academy of Arts and Letters e um candidato natural ao Nobel de literatura.
Em 2006, Bei Dao recebeu permissão para voltar a viver na China.

DESTAQUE



A revolta vermelha
 
 
     Acabei de ler o livro de Marly de Almeida Gomes Vianna (Editora Expressão Popular, São Paulo - 2011), sobre a chamada "Intentona Comunista" de 1935.
     O livro, cuja primeira edição é de 1992, foi escrito com base em pesquisas documentais e entrevistas com os sobreviventes das rebeliões de Natal, Recife e Rio de Janeiro, ocorridas naquele ano.
     É, portanto, um documento importante que se baseia em fontes primárias.
     A postura da pesquisadora mantém um distanciamento bastante honesto dos fatos, apesar da autora ser uma ex-militante do Partido Comunista Brasileiro, PCB, entre 1961 e 1979, segundo ela mesma relata.
     A primeira coisa que salta aos olhos, na medida em que percorremos suas páginas, é o completo desconhecimento da verdadeira história desses eventos, ora satanizados pela direita, ora glorificados pelos militantes comunistas, como uma luta heroica do povo brasileiro.
     Na verdade, o que me surpreendeu foi perceber como conhecemos pouco, ou superficialmente, esse período da história do Brasil, particularmente os anos 1930, mais de oitenta anos depois, e de como a historiografia brasileira ainda não foi capaz de se reconciliar com esse período turbulento, apresentando ao público em geral, particularmente aos estudantes do ensino secundário, uma versão consolidada desses fatos.
     Talvez porque as principais correntes políticas envolvidas nele ainda sobrevivam nos dias de hoje. O PDT, que pretende ser herdeiro de Getúlio Vargas, figura central do período, os partidos nascidos da antiga Arena, da ditadura militar, herdeiros do integralismo e os partidos de esquerda, que mal ou bem se comportam como herdeiros das tradições revolucionárias do povo brasileiro, seja o PCdoB, o PT, o PSB, além do PSOL e outras agremiações menores de tendência trotskista.
     Talvez por isso, por essas paixões terem sido tão fortes e marcantes na história brasileira e ainda estarem tão presentes nos nossos ideários políticos, não foi possível até hoje chegar a um consenso sobre esses acontecimentos que sacudiram o Brasil.
     Além disso o que chama a atenção é a intensidade da agitação política do período, promovida principalmente pelo tenentismo, movimento de cunho militar que se originou nos anos 20 e que propunha a modernização do Brasil, com a industrialização, a moralização da política, a ampliação da democracia e dos direitos civis.
     Esse movimento passou a agitar tremendamente as forças armadas brasileiras, levando a sucessivas revoltas, que começaram com o episódio conhecido como "Os 18 do Forte", uma rebelião no forte de Copacabana, continuou com a Coluna Prestes e uma rebelião em São Paulo, todas na década de 20, com à revolução de 1930, que tomou o poder com Vargas, a revolução Constitucionalista de 1932 e finalmente com a chamada "intentona comunista" de 1935.
     Sobre a revolta de 35 mesmo, é chocante perceber a ingenuidade com que o Partido Comunista se lançou no episódio provocado pelos tenentes, sem uma adequada organização de base entre os operários, sem sequer um plano estratégico, baseado quase que exclusivamente na crença de que um governo militar abriria caminho para uma verdadeira revolução, embarcando na aventura sem perceber o quanto os integralistas (fascistas) estavam entranhados no governo Vargas, e o perigo a que se expunham ao provocá-los num momento em que o nazismo e o fascismo pareciam caminhar rapidamente para dominar o mundo.
     Chama a atenção, também, as distorções históricas construídas pelas mentiras do governo de Getúlio, através de seu chefe de polícia, Filinto Müller, e dos generais integralistas (muitos dos quais participariam do golpe de 64), com a ajuda do jornal O Globo, para convencer a população de que o movimento havia sido orquestrado em Moscou, num momento em que a Internacional Comunista já havia renunciado a tese da revolução mundial e abraçado a causa da revolução em um só país, a União Soviética.
     A figura que surge, enorme, no livro, é a de Luis Carlos Prestes, antigo líder tenentista, depois convertido ao marxismo. Eu, pelo menos, não fazia ideia de como este homem era tão popular nos anos 30 e de como ele inspirou tenentistas e comunistas, na ideia de transformar o Brasil, lançando as palavras de ordem por um Governo Nacional Popular e Revolucionário, que libertasse o Brasil do imperialismo, do latifúndio, da corrupção e da injustiça social, ideias que até hoje permeiam nosso dia-a-dia.
     Ao mesmo tempo é incrível perceber como nesta época Prestes era imaturo como político e até mesmo como pessoa. Criado pela mãe, arrimo de família, tornou-se uma pessoa reclusa e só foi ter sua primeira experiência sexual aos 37 anos de idade, com sua mulher a alemã Olga Benário. Era uma pessoa isolada do mundo, predisposta a viver na fantasia de suas ideias e contido pela sua extrema disciplina.
     O idealismo dele e de toda a cúpula do Partido Comunista os faziam enxergar uma realidade que não existia, comprometendo a capacidade de concretizar seus planos e levando suas iniciativas à uma trágica derrota.
     Apesar de tudo, os episódios de novembro de 1935 conseguiram transformar o PCB num partido importante, inscrevendo seus ideais no imaginário popular brasileiro, construindo um horizonte de utopias que até hoje não se esgotou.
     Muito bom o livro de Marly Vianna, para quem quer entender o Brasil de ontem e de hoje.
     Vale a pena ler.
 


CLIPE DA SEMANA

  Sertanejos de qualidade


     Nesta edição trazemos para os leitores Renato Teixeira cantando um de seus maiores sucessos: Tocando em frente. E também a parceria fantástica entre Paula Fernandes e Almir Sater cantando Jeito de mato.
     Aproveitem e boa semana.  
 
Tocando em frente
 
 

Jeito de mato



 

RAPIDINHAS

Bombeiros para a chapada
 
 
 
     Com a temporada de incendios florestais se aproximando, urge uma decisão sobre a instalação de um corpo de bombeiros em Livramento, cidade de 50.000 habitantes situada na encosta sul da Chapada Diamantina.
     Não é mais possível ficar dependendo de brigadas voluntárias para vigiar os milhares de hectares de caatinga, cerrados e campos de altitude, donos de uma riquíssima diversidade de flora e fauna.
     Também não é mais admissível que acidentes com veículos e pessoas gravemenete feridas, além de incêndios em edificações comerciais e residenciais, tenham que aguardar a vinda de viaturas de bombeiros de Brumado, cidade localizada a mais de 60 Km.
     Muitas vidas e propriedades podem ser salvas com a instalação de um corpo de bombeiros, inclusive com seu serviço de atendimento médico de urgência, nesta cidade. Torres de observação permanente deveriam ser construídas no Parque Municipal da Serra das Almas, que divide as cidades de Livramento e Rio de Contas, para que os bombeiros pudessem entrar em ação imediatamente após o início de um foco de incêndio.

 
     Para piorar a situação, a rodovia BA-148, nos trechos de serra entre Livramento e Rio de Contas e Jussiape, está novamente sem a sinalização adequada, apesar desta ter sido instalada em 2008. Muitas placas avisando dos perigos da estrada caíram, porque foram afixadas sobre pilares de madeira de má qualidade, que apodreceram. Outras foram depredadas por vândalos. Os acidentes estão novamente aumentando e sem a existência de um corpo de bombeiro por perto, as mortes inúteis vão se multiplicando.

HUMOR TRANSATLANTICO

Carnaval em Brasília.
 
 
 
 
Enquanto isso, na Itália...

 
 

Nono foi hospitalizado e os filhos, netos e bisnetos vieram de todos os cantos do mundo.
Os médicos deixaram que os parentes o levassem para sua casa, para cumprir seu último desejo: O de morrer em casa, ao lado de seus queridos. Foi para o quarto e as visitas foram se revezando para consolar e confortar o Nono em seu derradeiro momento. 
De repente o Nono sentiu um aroma maravilhoso que vinha da cozinha. Era a Nona tirando do forno uma fornada depastiére di grani italiani.
Os olhos do Nono brilharam e ele se reanimou.
Então, o Nono pediu ao bisneto que estava ao lado da cama: 
-"Piccolo mio, vai na cojina e pede um pedaxo de pastiére pra Nona." 
O guri foi e voltou muito rápido.
-"E o pastiére ?" - perguntou o Nono.
-"A Nona disse que no!"
-"Ma per que no, porca miséria, ma que vecchia disgraciata! Que qüesta putana falô?" 
-"A Nona disse que é pro velório!"


TRIBUNA ABERTA





      Este espaço é aberto para o leitor que deseja publicar alguma matéria interessante ou até mesmo dar sua opinião acerca de algum assunto publicado neste blog ou de interesse geral, desde que este não seja de conteúdo racista, pornográfico ou ofensivo. Os autores deste blog reservam o direito de decidir se o conteúdo enviado será publicado.

OBSERVATÓRIO DA TV

Sessão terapia
 
 
         Ambientada num consultório de psicanálise, a série de ficção acompanha o dia a dia profissional e pessoal do terapeuta Theo, interpretado por Zé Carlos Machado. Exibida diariamente, cada episódio da trama será marcado pela história de um de seus pacientes e o último episódio da semana trará sempre uma avaliação do terapeuta Theo feita por sua supervisora Dora, papel de Selma Egrei. Dirigida por Selton Mello, a trama é uma versão brasileira da série israelense "Be Tipul", de Hagai Levi, sucesso de audiência e crítica em 30 países.
 
Estreia dia 07 de outubro, de segunda a sexta no GNT 22:30h. Na sky, sintonize o canal 41 ou 41-1 em HD.

domingo, 8 de setembro de 2013

POLITICANDO

Mudando de rumo



     A revelação de que o programa de espionagem do governo norte-americano incluía o Palácio do Planalto, com todos os telefones e computadores da cúpula do governo brasileiro, provocou um estrago considerável na relação entre Brasil e Estados Unidos.
     É normal que as grandes potências mantenham informantes nas principais capitais do mundo, Brasília incluída, para que possam prever e, se possível, se antecipar às ações dos governos, sejam eles amigos ou inimigos.
     Geralmente essas equipes de informação trabalham nas embaixadas, lideradas pelo próprio embaixador, para manter seus governos informados sobre os rumos da política local, utilizando-se de agentes ou de informantes locais.
     Mas grampear telefones vai muito além do admissível, ainda mais com a extensão que vem sendo revelada pelo agente desertor Edward Snowden. Pior ainda, grampear todos os telefones e computadores da presidência da república, já deixa de ser uma atitude de buscar informações e passa a ser um ato hostil, digno dos piores inimigos.
     A demissão do Ministro Antonio Patriota, das relações exteriores, foi vista pelos jornais brasileiros como um reflexo da retirada clandestina do senador boliviano que estava asilado na embaixada brasileira em La Paz, na Bolívia.
     Mas muito mais do que isso, Dilma Roussef aproveitou a situação para retirar um chanceler que a seu ver era muito complacente, muito vaselina com os abusos cometidos pelos americanos.
     Está na hora de aumentar o tom de voz com eles. Não é mais possível fingir que não está acontecendo nada sem renunciar explicitamente a soberania brasileira.
     Claro que as origens dessa cara-de-pau americana vem dos tempos do governo Fernando Henrique, extremamente submisso a eles, que não esboçou qualquer reação quando da revelação que a embaixada brasileira em Washington havia sido vasculhada por escutas clandestinas.
     Os americanos entenderam, então, que podiam ir adiante e montaram no Brasil um escandaloso esquema de espionagem. Para isso devem ter se utilizada da Embratel, empresa que até o governo FHC era estatal e tinha o monopólio das ligações internacionais brasileiras, e que foi privatizada, sendo vendida justamente para um grupo norte-americano.
     A presidente Dilma pediu explicações oficiais ao governo americano e já ameaça com o cancelamento da visita oficial que faria aos Estados Unidos em outubro. As consequências podem ser ainda mais graves, com a reestatização da Embratel, única companhia telefônica a ter um satélite próprio, que seria reincorporada a renascida Telebrás.
     Barack Obama, com seu cinismo que já não engana ninguém, responde com evasivas, sorrisos e discursos bonitos, sem responder adequadamente às questões que estão colocadas.
     Para quem iniciou seu mandato despertando esperanças de mudança no comportamento da grande potência imperial, ele é realmente um fracasso e uma grande decepção. Cabe ao Brasil agora se levantar e mostrar que não está disposto a se calar diante de tal absurdo.
     É claro que não vamos nos tornar inimigos dos americanos, até porque isso seria extremamente perigoso e contraproducente, mas pode-se esperar um afastamento maior do Brasil da órbita da política norte-americana e um aprofundamento dos seus compromissos com os BRICS e com a América Latina, liderando, talvez o processo de afastamento de toda a América do Sul em direção a um caminho próprio.

PAPO DE ARQUIBANCADA

Vamos precisar fazer cálculo...



      Meus amigos, quem acompanha esta coluna do blog tem visto minha insistência acerca da necessidade dos clubes baianos, Bahia e Vitória, se reforçarem para o campeonato brasileiro. Todo ano é a mesma coisa: demissões de técnicos, contratações apressadas e inócuas e cálculo, muito cálculo.
         Bahia e Vitória tiveram começos distintos, embora estejam iguais em pontos na tabela. 
     O Bahia começou muito mal, trocou de técnico que começou a dar uma cara ao time, que conseguiu boas apresentações e saiu da zona da degola. O tricolor tem sofrido com a falta de competência dos seus atacantes e com as seguidas falhas do seu miolo de zaga, quando o time domina o adversário.
       Caio Júnior, técnico rubro-negro, começou ajustando a equipe - que fez boas apresentações - mas nunca teve personalidade fora dos seus domínios, conseguindo apenas uma vitória na casa do adversário. O time da toca vendeu o seu melhor zagueiro, Gabriel (que também quebrava o galho na lateral direita), perdeu o Nino Paraíba, contundido, e recentemente, Escudeiro, seu melhor jogador.
        Num campeonato longo como a série A é necessário mais que um time titular, bom. É preciso ter peças de reposição. Não acredito em melhor sorte dos nossos representantes neste certame, portanto, preparem suas calculadoras !

Democracia tricolor

  Fernando Schmidt

       Apesar das tentativas do presidente deposto, Marcelinho Guimarães, em suspender as eleições para presidente do Bahia, o Luiz Augusto Lima Bispo, do Tribunal de Justiça da Bahia, indeferiu todas as liminares que pretendiam anular todos os atos do interventor Carlos Rátis e os torcedores tricolores puderam eleger seus representantes através do voto direto, acabando com o processo de intervenção judicial começado em 09 de julho.
     Fernando Schmidt, secretário de Relações Internacionais do Governo do estado, é o novo presidente do Bahia com 67% dos votos, seu mandato dar-se-á até o final de 2014 e não terá direito a reeleição. A posse será dia amanhã, 09 de setembro, em solenidade que acontecerá na Arena Fonte Nova, às 20 h. Schmidt terá direito a 72 vagas no Conselho Deliberativo do Bahia, enquanto a chapa dos candidatos derrotados, Antônio Tillemont e Rui Cordeiro terão 28 vagas.
      Não posso afirmar que o presidente eleito conseguirá fazer com que o Bahia volte a ser o grande campeão do passado, contudo, qualquer um é melhor do que a corja dos Guimarães, que ainda terá que se explicar aos auditores.
       Parabéns ao Esporte Clube Bahia pelo exemplo de democracia e aos torcedores tricolores pela participação efetiva em todo o processo. Abre o olho torcida rubro-negra !