domingo, 26 de maio de 2013

POLITICANDO

A Justiça fala
 
     As declarações do presidente do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa, sobre o poder legislativo, são de uma obviedade cristalina. E porque provocaram tantos protestos?
     Presidentes da Câmara e do Senado reclamaram que o STF estava interferindo na vida política do país, que não estava contribuindo com os trabalhos legislativos, etc.
     Mas o que Joaquim Barbosa disse numa conferência para estudantes, não vai além do que qualquer um pode observar à partir do noticiário da mídia.
     Que a pauta de votação do Congresso Nacional está submetida aos interesses do executivo, que manda e desmanda nas votações, através de medidas provisórias e acordos, muitas vezes incofessáveis, entre partidos, para garantir maioria, muitas vezes entregando comissões importantes do parlamento a possíveis adversários (como no caso da Comissão de Direitos Humanos ao pastor Marcos Feliciano) em troca de apoio nas votações.
     Isso sem falar no pagamento de propinas a parlamentares, que transformam seus mandatos em balcão de negócios para enriquecimento pessoal, trocando votos por pagamentos em dinheiro vivo, cargos para indicados, ou favores para apadrinhados, como ficou provado no processo do mensalão.
     Mais recentemente, o jurista indicado pela Presidente Dilma Roussef para ocupar a cadeira vaga no Supremo, Luiz Roberto Barroso, disse numa palestra que as práticas comuns da política partidária, utilizadas por FHC e Lula foram condenadas no processo do mensalão, e que por isso compreendia a revolta de  alguns condenados, pegos por fazer aquilo que todo mundo vinha fazendo há muito tempo.
     Na verdade o que se depreende das falas de ambos, é que a prática política brasileira está cheia de vícios, que comprometem a representatividade popular e se tornaram fonte de corrupção, comprometendo todo o processo.
     E a fonte da corrupção é o próprio sistema eleitoral, que permite coligações sem nenhuma identidade ideológica ou programática, baseada apenas em interesses particulares, o que torna os partidos e seus programas políticos, meras ilusões, nas quais os brasileiros há muito tempo não acreditam mais.
     "São todos iguais", é o que diz o povo. Vox populi, vox Dei, a voz do povo é a voz de Deus.
     Mas os políticos andam tão empenhados em fingir que são sérios e honestos, que seus partidos tem ideias e propostas dignas, que se esqueceram de ver que o povo não acredita mais neles. Preferiram continuar fingindo que tudo era verdade, até que alguém com a integridade desinteressada da criança da fábula, disse que o Rei estava nu.
     Agora se fazem de indignados porque os juizes da Suprema Corte dizem a verdade nua e crua, de que os acordos espúrios corroeram toda a estrutura partidária brasileira, transformando nossas eleições em um grande e dispendiosos conchavo, fonte das maiores falcatruas e práticas nocivas ao interesse público.
     Fazer uma reforma política, para acabar com isso, passa pela reconstrução das identidades partidárias, que só é possível acabando com as coligações, permitindo a existência de candidatos independentes que representem minorias, atribuindo os mandatos eletivos aos candidatos mais votados individualmente (acabando com a transferência de votos dentro das coligações), implantando o voto distrital para que os deputados representem suas regiões e não seus Estados inteiros, elegendo os suplentes de senador pelo voto popular (e não por indicação do senador eleito, como ocorre atualmente), corrigindo a representatividade proporcional dos estados, que faz com que um deputado por Roraima valha 15 vezes mais que um de São Paulo, fraudando na prática a proporcionalidade garantida pela Constituição.
     Nada a ver com a reforma partidária que José Dirceu preconizava, que queria engessar o voto dos eleitores, obrigando-o a votar em um partido, que depois escolheria quem deveria assumir os mandatos, aprofundando o sistema de conchavos e tirando poder dos cidadãos.
     Na ausência de um debate autêntico no parlamento brasileiro, amordaçado e corrompido por este sistema de "trocas" com o executivo, o poder judiciário começou a legislar em defesa dos direitos constitucionais dos cidadãos, como no caso dos casamentos de pessoas do mesmo sexo, e vem substituindo o poder legislativo na defesa dos interesses da nação.
     Parece que este modelo está se esgotando e nos levando rumo a uma reforma eleitoral ampla, que aprofunde a democracia e a representatividade daquele que é, por definição, o dono do poder: o povo.
     Enquanto isto não ocorre, a justiça fala por nós.

PAPO DE ARQUIBANCADA

VIA CRUCIS



        Meus amigos, compramos os ingressos para o jogo Brasil x Itália, pela última rodada da primeira fase da Copa das Confederações. Todo o processo foi burocrático e demorado. Meses depois, recebemos um e-mail da FIFA, informando os postos de entrega em todo Brasil e a data para retirá-los. Todas as pessoas que compraram no estado da Bahia, terão que se dirigir à Salvador, a partir do dia 29 de maio, para retirar o seu ticket no único posto em todo estado, no estacionamento do Shopping Iguatemi. Não entendemos por que os ingressos não são enviados pelos Correios. Para complicar ainda mais, apenas o titular do cartão - em nosso caso a compra foi feita no cartão de crédito - poderá retirar os ingressos. Não bastasse o valor da entrada, ainda temos que arcar com os custos para a retirada: imagino a dificuldade pra quem reside nos extremos do Estado, Bom Jesus da Lapa, por exemplo. Para quem exige tanta organização, a logística adotada pela FIFA deveria ser mais eficiente e viável para os torcedores: casa de ferreiro, espeto de pau !


VERGONHA: RUMO À SEGUNDONA


          Não precisamos de bola de cristal para antever a eliminação, de forma precoce, da dupla BAVI na Copa do Brasil. O Bahia foi batido pelo desconhecido Luverdense, enquanto o Vitória, o algoz deste ano foi o Salgueiro, ambos na Arena Fonte Nova. De que adianta ter um palco como a nova arena, se não temos artistas qualificados ? A situação apenas se inverteu: o título de campeão baiano deixou o torcedor rubro-negro iludido. Tricolores e Rubro-negros precisam contratar, urgente, caso contrário a Arena Fonte Nova será palco da segunda divisão em 2014, "triste Bahia..."

A EUROPA É VERMELHA

 
          O Bayern de Munique é o campeão europeu, temporada 2012 / 2013.  Numa final alemã, inédita, o time bávaro conquistou seu quinto título da liga ao derrotar o Borússia Dortmund por 2 x 1. A equipe de Munique pode conquistar a tríplice coroa, caso vença o Stuttgart na final da Copa da Alemanha, fato inédito na história do clube. Das Rot ist Europa !

É DO BARÇA !


        Depois do namoro de quase dois anos, finalmente, Neymar fechou com o Barcelona e vai defender a equipe Catalã por cinco temporadas, conforme contrato firmado. A novela se arrastou por meses, muitas especulações, grandes equipes interessadas, entretanto, o Barcelona foi quem levou o nosso craque. Pro Santos, um alívio, afinal correu um sério risco de perder seu atleta, ao final do seu vínculo contratual, sem ganhar nada pelo seu passe. Esperamos que Neymar mostre sua arte pelos gramados espanhóis e que aprenda com eles a parte tática do esporte.
         Boa sorte menino da Vila!

POESIA DA SEMANA



Ser poeta é ser mais alto, é ser maior

 Ser poeta é ser mais alto, é ser maior
Do que os homens! Morder como quem beija!
É ser mendigo e dar como quem seja
Rei do Reino de Aquém e de Além Dor!

É ter de mil desejos o esplendor
E não saber sequer que se deseja!
É ter cá dentro um astro que flameja,
É ter garras e asas de condor!

É ter fome, é ter sede de Infinito!
Por elmo, as manhãs de oiro e de cetim...
É condensar o mundo num só grito!

E é amar-te, assim, perdidamente...
É seres alma, e sangue, e vida em mim
E dizê-lo cantando a toda a gente!


Florbela Espanca

OBSERVATÓRIO DA TV

Telejornais
    
     É impressionante a subserviência da mídia em relação aos interesses geopolíticos norte-americanos. especialmente, é claro, o Jornal Nacional.
     Diariamente assistimos a atentados à bomba no Oriente Médio e mesmo na América Latina, com muitos mortos e feridos, fatos que merecem apenas algumas linhas dos noticiários nas TVs. Mas quando o atentado ocorre nos Estados Unidos ou na Inglaterra, é uma semana de notícias, uma semana inteira de indignação, como se tivesse atingido a nós próprios.
     Claro, estão defendendo a pátria deles. A Globo, americana até o pescoço, fruto de antigo acordo Time-Life, (alguém se lembra disso?) com o qual a ditadura militar enterrou a velha Rede Tupi e construiu uma mídia favorável a ela e aos interesses americanos que a patrocinavam, está aí intacta.
     Até quando vamos ter que aguentar essa imposição da cultura americana, com seus filmezinhos da tarde, sem ter notícias confiáveis do nossos vizinhos sulamericanos, sem saber o que produz a TV Argentina, Chilena ou Colombiana?
     Até quando vamos ficar prisioneiros do ponto de vista favorável aos Estados Unidos, a ponto de chegar à histeria, quando algo acontece naquele país?

DESTAQUE

ABC de Castro Alves
     Acabo de ler esta obra de Jorge Amado, lançada em 1941, (na edição da Companhia das Letras, São Paulo -2010), na sua primeira fase, quando o grande escritor baiano estava comprometido com a luta política, inspirada pelo Partido Comunista Brasileiro, a que pertencia.
     O gênero ABC, de origem européia, segundo o posfácio de Domício Proença Filho, "é uma composição poética" ...composta de "versos agrupados em estrofes iniciadas pelas letras do alfabeto em sua ordem natural".
     "Frequentador assíduo da literatura oral e popular brasileira, o ABC privilegia a louvação. Exalta a valentia cangaceira, a excepcionalidade de animais do campo; registra os feitos e acontecimentos famosos. Insere-os, mitificados e aurificados, no imaginário popular. E valoriza, nesse mister, a superação da dificuldade do obstáculo. Sua marca primeira é constituir o registro de um acontecimento real... Trata-se de uma modalidade de poesia frequente na voz popular declamadora nas paisagens nordestes, nos garimpos e entre os vaqueiros do sul."
     No caso do ABC de Castro Alves, Jorge Amado opta por nomear os capítulos com as letras do alfabeto e faz a narrativa dirigindo-se a uma mulher, sua interlocutora, a quem ele chama ora de amiga, ora de negra, como se estivessem sentados à beira de um cais, em frente ao mar.
     Utilizando-se dessa forma literária, ele faz uma biografia do grande poeta baiano, narrando seus maiores feitos, sempre na forma de exaltação, típica do gênero.
     Não é, portanto, uma biografia isenta, mas uma glorificação declarada do seu personagem.
     A maior qualidade do texto é (para os que não conhecem a vida de Castro Alves, como era o meu caso) tomar contato com a extensão e a profundidade de sua obra. Na verdade, seu poema mais conhecido é o Navio Negreiro, que sobreviveu aos 142 anos passados desde sua morte prematura, aos 24 anos. Lendo este ABC, no entanto, ficamos sabendo de sua luta política, fundando a primeira sociedade abolicionista brasileira, quando era estudante de direito no Recife, e da grande influência que teve sobre toda a literatura brasileira, especialmente a poesia, que até então andava perdida nas divagações sobre a morte e os amores impossíveis, longe da realidade social de uma nação que afundava no atraso da monarquia e na barbárie da escravidão, enquanto o resto da América e do mundo já entrava na revolução industrial.
     Castro Alves foi o vento de renovação na literatura e na política brasileira, acordando a nação para o futuro e para a construção de uma sociedade moderna e democrática.
     Consagrado aos 20 anos por grandes nomes da literatura brasileira da época, como José de Alencar, Machado de Assis, Fagundes Varela e outros, conquistou o público das maiores cidades brasileiras de então, Recife, Salvador, Rio de Janeiro e São Paulo, formando as gerações que 20 anos depois realizariam o sonho da abolição e da República.
     É muito impactante para nós que vivemos uma época de conformismo e dominação das consciências pela mídia, perceber o romantismo com que essa luta foi feita, em meio a amores loucos, e à revoltas estudantis que sacudiram a nação.
     Não há separação entre as tragédias pessoais de Castro Alves e seus ideais de luta e transformação que incendiaram o Brasil de então. É tudo um mesmo despertar de paixões, de amor pelas mulheres, pela natureza, pela pátria e pelos sonhos de justiça e liberdade.
     É sem dúvida uma leitura que empolga, apesar das restrições que possamos ter por esse tipo de exaltação. Na verdade o que empolga não é o livro, mas a história desse brasileiro, que jogou sua existência na luta política e pela fé no amor e na vida.
     Os trechos de suas poesias, elencados por Jorge Amado, e as notas com que ele vai completando as informações sobre o seu personagem, com todas as referências aos pesquisadores, vão nos dando um panorama completo desse verdadeiro gigante que foi Castro Alves, nos mostrando que ele foi muito mais do que o autor de O navio negreiro, muito mais que um poeta, tendo inclusive  realizado uma obra teatral importante, na época, "Gonzaga", sobre a Inconfidência Mineira, revelando que ele foi acima de tudo um líder e um formador da nossa nacionalidade.
     Leitura essencial para quem quiser entender a vida e a obra deste grande brasileiro, que estão a merecer mais livros e, quem sabe, um filme que nos descortine o que foram os acontecimentos daquela época e seus personagens, tão esquecidos por nós atualmente.
     Falando ao povo de São Paulo sobre seus ideais republicanos, Castro Alves declama:
Responde o espectro: "A desgraça!
Que a realeza, que passa,
Com o sangue da vossa raça,
Cospe o lodo sobre vós!..."
     Leiam!

CLIPE DA SEMANA

          O clipe da semana é da música MULHERES, composta por Martinho da Vila e interpretada por Martinho e Zeca Pagodinho. 

 
Clique no link e ouça a música:

RAPIDINHAS

Dois anos de "Espaço Imaginário"
   
     O centro cultural Espaço Imaginário, de Rio de Contas, comemorou dois anos no sábado, dia 25 de maio, com uma noite de música com a banda A Folha, de Guanambi.
     Como parte da programação de aniversário, na próxima semana será inaugurada a exposição de gravuras Acorda Bambos da artista Karine Cruz, que confeccionará gravuras ao som do músico Jorge Neme. Ambos são novos moradores de Rio de Contas e vêm somar à cena artística local. Os desenhos surrealistas do jovem artista Martins Neto estarão em exposição a partir de junho.
     O Espaço Imaginário é um centro cultural privado, instalado no Centro Histórico de Rio de Contas que mantém uma programação permanente (mostras de cinema, apresentações musicais, exposições) e desenvolve, através de editais, projetos em parceria com instituições locais, artistas e produtores culturais da região e do país. No local funciona também um restaurante e pizzaria com forno à lenha, com pratos da culinária italiana elaborados com produtos regionais da estação.
     O Espaço está entrando no seu terceiro ano de vida com algumas novidades: a primeira é a abertura de uma pequena produtora audiovisual independente, com equipamentos de captação de imagens, sons e ilha de edição para vídeo e áudio: um espaço para “criação de trabalhos em artes da imagem”, afirma a cineasta Gláucia Soares e pretende formar em breve, uma produtora colaborativa com artistas locais.
     Até o final do ano será implementado o projeto IMAGINÁRIOS, premiado pelo Edital de Dinamização de Centros Culturais / Fundo de Cultura / Secretaria de Cultura do Governo do Estado da Bahia, com uma série de atividades culturais ao longo de 10 meses. A intenção é fazer do Espaço Imaginário um atelier de criação livre e difusão em artes na promoção de oficinas, pesquisas, encontros, exibições, experiências e trocas diversas entre artistas e público.

 
 Viva São João !


          Caros leitores, a nossa dica de São João desta semana é o da cidade de Ituaçu, Bahia.
         Situada na Serra Geral, entrada sul para a Chapada Diamantina, Ituaçu fica, aproximadamente, 470 km da capital, Salvador. Com uma população estimada em 20.000 habitantes, Ituaçu é famosa por suas grutas, cachoeiras e pelo São João tradicional, muito animado. O barracão é montado na praça. Durante o dia, acontecem concurso de quadrilhas e bingos. À noite, barracas com comidas e bebidas típicas compõem a paisagem, enquanto o forró pé de serra anima moradores e visitantes. É imperdível !

Maiores informações acesse o link - http://www.facebook.com/saojoaodeituacu



HUMOR TRANSATLÂNTICO


PIADA CONTADA: Los Hermanos
Barak Obama e James Cameron estão num jantar na Casa Branca...
Um dos convidados aproxima-se deles e pergunta-lhes:
- "De que é que estão conversando de forma tão animada?"
- "Estamos fazendo planos para a terceira Guerra Mundial" - diz Obama.
- "Uau!" - exclama o convidado - "E quais são esses planos?"
- "Vamos exterminar 14 milhões de argentinos e um dentista" - responde Obama.
O convidado parece confuso e pergunta:
- "Um... dentista? Por que é que vão matar um dentista?"

Cameron dá uma palmada nas costas de Obama e exclama:
- "Não te disse? Ninguém vai perguntar pelos argentinos!"

TRIBUNA ABERTA


         Este espaço é aberto para o leitor que deseja publicar alguma matéria interessante ou até mesmo dar sua opinião acerca de algum assunto publicado neste blog ou de interesse geral, desde que este não seja de conteúdo racista, pornográfico ou ofensivo. Os autores deste blog reservam o direito de decidir se o conteúdo enviado será publicado.

terça-feira, 21 de maio de 2013

POLITICANDO

Nova liderança muda panorama eleitoral no Chile
 
      Quando estive no Chile em 2009, o jovem político Marcos Enriquez Ominami era um azarão nas eleições que se aproximavam. Depois de 20 anos de um processo de transição interminável para a democracia, a Concertación, uma aliança dos democratas-cristãos com os socialistas, que governou o país desde a queda da ditadura de Pinochet, dava mostras de esgotamento.
     O jovem Ominami, uma espécie de enfant terrible da Concertación, havia se lançado como candidato independente, com apoio maciço da juventude, decepcionada com os rumos dos últimos governos, principalmente com a educação, privatizada na ditadura, e com uma Consituição imposta pelos militares que engessava as mudanças no país.
     Mas o trauma da era Pinochet ainda não havia sido superado e a nação teve medo de avançar mais para um governo de esquerda.
     O resultado foi a eleição de Sebástian Piñera, um empresário de direita, que não resolveu nenhum dos principais problemas do Chile, que se agravaram nos últimos 4 anos.
     Agora Ominami se lança novamente, desafiando o protagonismo da ex-presidente Michele Bachelet, desta vez com dentro de um novo partido, procurando quebrar a lógica do bi-partidarismo e impor um novo ritmo de transformação à esta nação do pacífico.
     A entrevista que transcrevemos abaixo, foi tirada do site Opera Mundi. 

Presidenciável critica sistema eleitoral chileno e pede relação mais próxima ao Brasil

 

Marco Enríquez Ominami defende a ideia de plebiscitos para reformar a Constituição do país e discutir temas polêmicos
     Há quatro anos, ele estava sozinho. Sem partido, sem o apoio de candidatos ao Congresso, com pouco dinheiro e um objetivo: ser presidente do Chile, vencendo um sistema eleitoral que favorecia o bipartidarismo que ele mesmo havia rechaçado. Em 2009, o publicitário e cineasta chileno Marco Enríquez Ominami fracassou, embora tenha conseguido algumas façanhas.
     Foi o primeiro candidato independente a obter mais de um milhão de votos, e também o único a conseguir tantos votos sem concorrer por nenhum dos dois grandes grupos políticos do país – a Aliança, de direita, que atualmente governa o país com Sebastián Piñera, e a Concertação, de centro-esquerda, onde ele militou durante dez anos. Ainda assim, seus 20,14% quase o levaram ao segundo turno.
     A meta de Ominami para as eleições presidenciais de novembro de 2013 é justamente essa, chegar ao segundo turno. Segundo as últimas pesquisas, ele tem 8% das intenções de voto e está em segundo lugar, empatado tecnicamente com outros dois candidatos, todos muito atrás da ex-presidente Michelle Bachelet, que com seus 49% luta para vencer em turno único.
     Mas desta vez ele já não está só. Junto com outros dissidentes da Concertação, ele formou o PRO (Partido Progressista), que estreou nas eleições do ano passado elegendo dois prefeitos no norte do país. A campanha será, novamente, a mais barata entre os presidenciáveis, mas pelo menos permite ao partido oferecer um café da manhã para alguns correspondentes estrangeiros, no qual Opera Mundi esteve presente.
     Entre um copo de suco aqui e um sanduichinho ali, que frearam um pouco o seu tradicional ritmo acelerado de falar, Ominami abordou as propostas que pretende defender em sua campanha. Prometeu um Chile Federal, com mais autonomia para as províncias, comentou a crise educacional e defendeu medidas consideradas polêmicas, como o matrimônio homossexual e a regulação da maconha.

     Falou ainda sobre o Chile que pretende projetar ao mundo, com maior presença nos organismos internacionais e com prioridade às alianças estratégicas, entre as quais citou o Brasil, e lembrou-se de Lula, quem ele considera “a grande referência da política sul-americana hoje”.
Conheça algumas de suas principais ideias abaixo:


                                                              Eleições primárias

     É irônico ver que alguns líderes da Concertação hoje me critiquem porque meu partido ainda não tem estrutura para fazer primárias, sendo que em 2009 eu tive que sair do partido porque insisti em fazer primárias e eles preferiram eleger um candidato entre quatro paredes (o democrata cristão Eduardo Frei Ruiz-Tagle, que perdeu para Sebastián Piñera).
     A campanha publicitária do governo para convocar os eleitores a participar nas primárias é a síntese do duopólio político que existe no Chile hoje. No comercial, você vê alguns dos jornalistas e apresentadores de televisão mais famosos do país sentenciando: ‘o seu candidato não existe se você não vota nele nas primárias’. Ou seja, nós que somos candidatos de outras frentes menores, que não temos condições estruturais para fazer primárias, que estamos fora do duopólio, não existimos?  
      Iremos à Justiça Eleitoral questionar se uma campanha com dinheiro público pode fazer esse tipo de discriminação.
     Crise na Educação


     O governo tenta omitir o tema da gratuidade no ensino público com essa demagogia sobre a ‘qualidade’. Aristóteles dizia que a qualidade é algo inerente: a qualidade da zebra é ter listras. A qualidade da educação pública é ser gratuita e universal, porque é um dever do Estado para com todas as suas crianças e jovens.
     Me incomoda ver Michelle Bachelet dizer que ‘quem pode pagar pela educação que pague’, porque eu sei que ela não pensava assim antes. Para nós, o filho do rico não é rico, quem é rico é o seu pai, e se ele pode pagar, que pague impostos, proporcionais à sua renda, para financiar educação gratuita para todos os chilenos.     Não sou contra as parcerias público-privadas na educação, sou contra a forma como isso se dá hoje, porque ela beneficia o lucro com dinheiro. Hoje o Estado dá uma subvenção para um ente privado que administra uma escola e cobre os seus gastos básicos, mas depois esse ente privado também cobra uma mensalidade. Mesmo que seja muito mais barata, por que está cobrando, se o Estado está bancando seu funcionamento? Isso nos parece errado. E a falta de regulação desses estabelecimentos gera outro problema, que é a discriminação, porque esse ente privado pode escolher ao bel prazer que alunos vai aceitar ou rejeitar, e essa segregação alimenta a desigualdade. O Estado não pode ser conivente com essa prática.

     Temas controversos

     O Chile de hoje tem um debate muito mais aberto em temas que eram tabu político. Hoje até mesmo alguns conservadores históricos aceitam deliberar sobre o matrimônio homossexual, mesmo que propondo soluções conservadoras, como o acordo de vida em casal, que somente dá direito a herança. Nós acreditamos que se pode avançar mais, e defender o matrimônio civil homossexual.       
     Acreditamos, no caso das drogas, que é fundamental romper o vínculo dos consumidores de maconha com o narcotráfico, através de um Estado que assuma a produção e a distribuição da cannabis. O caso do aborto já é mais complexo, mas vamos promover um grande debate social a respeito desses e de outros temas.

                                                                   Chile Federal

     Se sou eleito presidente, no dia seguinte à posse eu convoco eleições diretas para intendentes regionais e assembleias regionais no Chile inteiro (no Chile atual, não existem assembleias regionais, e os intendentes são designados pelo presidente). Defendemos uma democracia mais participativa, e os movimentos mais fortes que lutam por essa participação popular nas decisões políticas do país são os regionalistas, que são tão fortes quanto o movimento estudantil, mas repercutem menos na capital.     
    Esses movimentos lutam por mais autonomia regional e contra essa demagogia histórica dos partidos, que falam tanto em regionalismo durante as eleições, e depois passam quatro anos pensando que o país não passa de Santiago.
 
                                                        Assembleia Constituinte

     Algumas diferenças que tenho com a Bachelet são de visão de sociedade. Ela está sendo assessorada pelos arquitetos da transição, e no plebiscito que marcou a transição nós dissemos ‘não ao Pinochet’, mas não dissemos que tipo de democracia queríamos. O Chile vive a lógica do ‘não’ desde aquele plebiscito. A Concertação fala ‘não à constituição de Pinochet’ (a constituição vigente no Chile ainda é a imposta pela ditadura, em 1980) mas não fala em ‘assembleia constituinte’. Temos que derrubar esse paradigma.
     A melhor maneira de se criar uma assembleia constituinte é através de um plebiscito vinculante. Eu não sei por que os conservadores tanto da direita quanto da Concertação satanizam tanto essa ideia, se até a Constituição da ditadura prevê a figura do plebiscito e o próprio Pinochet organizou dois, e um deles o derrubou do poder.

                                                                     Política exterior

     A política exterior do Chile é insuficiente. Para começar, precisamos levar o país de volta à América Latina. Nosso projeto de país não tem que ser igual ao do Brasil ou da Venezuela, mas é importante estar integrado aos dois e a todos da região, além de ter um maior protagonismo em instâncias internacionais como a Unasul (União das Nações Sul-Americanas) e CELAC (Comunidade de Estados Latino-americanos e Caribenhos).

     Queremos apostar nossas relações também com os BRICS. Hoje somos um parceiro comercial menor da China, essa relação poderia ser melhor, e com a Índia também. Mas, sobretudo, devemos fortalecer nossos laços com o Brasil, que cresce a passos agigantados e tem uma figura com a importância de Lula na região e no mundo. Seria um aliado estrategicamente muito importante”.
     Precisamos de uma diplomacia mais ágil. Que antecipe os problemas, não somente reaja aos que aparecem pelo caminho. Hoje, o Chile está no Tribunal da Haia por dois conflitos fronteiriços com países vizinhos (Bolívia e Peru) e temos sorte de não serem três, porque os Kirchner nunca quiseram usar politicamente os conflitos pendentes que temos com a Argentina. Somos um país que tem somente três fronteiras e as três estão em conflito permanente, isso é um fracasso retumbante”.
     Os demais países da região nos olham com desconfiança, temos que mudar essa imagem. Quando defendo uma saída ao mar para a Bolívia, não falo só de uma política de Estado, mas de uma visão de sociedade, de um país diferente com outros valores e relação com os seus iguais.


PAPO DE ARQUIBANCADA


É CAMPEÃO


              Meus amigos, neste final de semana o rubro-negro baiano consolidou sua supremacia estadual, dos últimos vinte anos, e, conquistou seu décimo quarto título. O time da toca não deu chances ao arquirrival, Bahia, vencendo três dos quatro BAVIs, dois deles por goleada: 5x1 e 7x3. Parabéns ao Vitória pelo título de campeão baiano de 2013. Entretanto, é necessário contratar bons jogadores e melhorar o nível do time para a disputa da série A do brasileirão, afinal, título de campeão do baianão não é parâmetro algum. A parte triste das comemorações foram as declarações de alguns atletas rubro-negros diminuindo o time do Bahia e decretando o seu fim. Este tipo de comportamento só incita a violência em campo e nas arquibancadas: cabe à diretoria do Vitória punir os jogadores envolvidos, afinal de contas o tricolor baiano reconheceu sua inferioridade e foi um adversário leal.

Tabela dos campeões



TORCIDA TÁ SOFRENDO !
         Caixa de lotérica no Cabula aposta alto por causa do Bahia e se dá mal
Isso é que dá colocar a reputação em risco por causa do time. Raimundo do Rosário apostou alto e se deu mal. Foi trabalhar de ‘Raimunda’ por causa do Bahia
        Talvez confiando na experiência de caixa de lotérica, Raimundo Almeida do Rosário, 52 anos, apostou alto demais. Não tinha a pretensão de acertar as dezenas da Quina, Mega, ou os jogos da Loteria Esportiva. Bahia na cabeça, apostou a própria reputação. E, como se vê na foto acima, se deu mal. Foi antes do time levar de 7 em plena Fonte Nova.
        Se o tricolor conquistasse o título do Baianão, ele obrigaria o colega rubro-negro Antônio Carlos de Jesus, 35, a se vestir de azul, vermelho e branco o dia inteiro. Acontece que Antônio também é caixa da mesma lotérica. E, pelo visto, aprendeu a apostar melhor. 

Raimundo teve de trabalhar ontem vestido de mulher. Ele apostou com o colega rubro-negro Antônio Carlos que o Bahia seria campeão. Perdeu feio.
        Se o Bahia fosse vice, Raimundo deveria trabalhar com roupa de mulher. O vestidinho preto, emprestado por uma colega, e a peruca, do salão de beleza ao lado, pareciam feitos sob medida. A cada gracinha disparada por um cliente, o amigo campeão largava a chacota. “Vice, Bahia! Quem mandou apostar em Sardinha”.
          Na lida diária com as apostas, o rubro-negro não aprendeu apenas a dar troco. Sorriso de orelha a orelha, calcula bem os títulos do seu time e os vices do rival. “Essa história de o Vitória ser vice é passado. Basta pegar os últimos anos e você vai ver que o Bahia tem mais vices”. De certa forma, ele está certo. Pelo menos quando se trata de confrontos diretos em decisões. Com o título, o Vitória ganhou pela 17ª vez uma final contra o Bahia. Já o rival venceu em 15 oportunidades. Duas a menos na história.
        “Tá vendo aí. Todo castigo para vice é pouco”, atacou, sem dó, Antônio. Raimundo ainda tentou retrucar. “Não acredito nessa contagem. E, se for verdade, a gente pode dizer que até nisso o Vitória é vice, né?”, brincou, sem parar de ouvir as piadinhas.
        “Rapaz, já me deram várias cantadas hoje aqui. Me chamaram para jantar, deixaram bilhetinho com telefone e tudo”, disse, contrariado. Funcionários há 12 anos de uma lotérica na rua Silveira Martins, no Cabula, Antônio e Raimundo já apostaram dinheiro e almoços. Foi a primeira vez que a reputação entrou em jogo. 
         Se bem que não há vergonha alguma em se vestir de mulher. Após os humilhantes 5x1 e 7x3, constrangimento mesmo é usar a camisa do Bahia. Tanto que, nas ruas, foi difícil flagrar um tricolor a caráter. Um dos poucos que encontramos tinha a chacota no próprio nome. O gerente comercial Vitório da Silva, 53 anos, não fez aposta para ‘mudar’ de sexo. Está quase é mudando de nome. “Meu pai botou meu nome errado. Vou dar um jeito de mudar”.

Fonte: Jornal Correio da Bahia.

POESIA DA SEMANA

Amar e ser amado

Amar e ser amado! Com que anelo
Com quanto ardor este adorado sonho
Acalentei em meu delírio ardente
Por essas doces noites de desvelo!
Ser amado por ti, o teu alento
A bafejar-me a abrasadora frente!
Em teus olhos mirar meu pensamento,
Sentir em mim tu’alma, ter só vida
P’ra tão puro e celeste sentimento
Ver nossas vidas quais dois mansos rios,
Juntos, juntos perderem-se no oceano,
Beijar teus labios em delírio insano
Nossas almas unidas, nosso alento,
Confundido também, amante, amado
Como um anjo feliz... que pensamento!?

 
Castro Alves

OBSERVATÓRIO DA TV

Palco e Platéia
 O programa brasileiro
     Este é o nome do programa levado ao ar, todas as terças feiras às 21,30 pelo Canal Brasil (canal 66 na Sky). Trata-se de um formato inspirado no programa americano Inside the Actors Studio, apresentado por James Lipton desde 1994, com a diferença de que no programa brasileiro o entrevistador também é um ator conhecido ( José Wilker) que conversa com outro ator no palco de um teatro, onde a platéia é composta por estudantes de dramaturgia que podem fazer perguntas e interagir com entrevistador e entrevistado.
O programa norte-americano

     O programa tem trazido grandes nomes do teatro, da televisão e do cinema brasileiros e cria um clima democrático que deixa todos muito à vontade, sem aquela tensão típica dos programas de entrevistas.
     Vale a pena conferir!

Ufa, acabou!   
 
     A novela Salve Jorge, de Glória Perez, foi o maior fiasco de todos os tempos da rede Globo.
     Apesar das tentativas de disfarçar o fracasso, com as sucessivas entrevistas com os atores exaltando o "sucesso" da trama, a verdade é que o folhetim foi daqueles em que, desde o primeiro capítulo, a gente já sabia tudo o que ia acontecer.
     O ibope foi o menor da história, inclusive no capítulo final, revelando a decadência da autora, que já escreveu grandes sucessos para a emissora, como O Clone e América.
     Uma das coisas que mais chamaram a atenção no arrastado desenrolar da história, foi o conceito de justiça com as próprias mãos, que permeou todo o enredo. As cenas de bandidas e bandidos sendo estapeados e levando surras das vítimas, se repetiram monotonamente, substituindo a ação da polícia que não prendia ninguém, até o final super previsível.
 
O Som de Vinil


     O Som de Vinil é um programa sobre música brasileira.
     Produzido pelo Canal Brasil Bravo Produções, apresentado pelo Titã, Charles Gavin, enfoca LPs marcantes da discografia nacional. Em trinta minutos o apresentador entrevista o autor e pessoas envolvidas na produção, com detalhes técnicos e bastidores da época. É um excelente pedida nas noites de sextas-feiras às 21:30 h no Canal Brasil, na Sky é o canal 66.

DESTAQUE

 Sinhazinha

     Acabo de ler o livro Sinhazinha, de Afrânio Peixoto, na sua edição de bolso da Ediouro, com o texto completo.
     O livro, lançado em 1929, conta a história de ódio entre duas famílias do sertão baiano no século XIX, os Silva Castro, de Curralinho, antigo nome da cidade de Castro Alves, e os Canguçus, de Bom Jesus dos Meiras, antigo nome de Brumado.
     Embora a história seja uma ficção ela se baseia em terrível acontecimento, fato real entre as duas famílias, na qual uma das personagens principais é a tia do poeta Castro Alves, filha do major José Antonio da Silva Castro, que foi um herói da independência da Bahia, comandando o famoso batalhão dos Periquitos, no qual tomou parte a heroína baiana, Maria Quitéria, lutando como soldado ao lado dos homens.
     O major Silva Castro, tinha mania de batizar as filhas com nomes romanos, daí a personagem verdadeira da história tenha este nome, que hoje nos parece tão estranho, de Pórcia, enquanto sua irmã, a mãe do poeta, chamava-se Clélia Brasília.
     Sucede que o major tinha também uma fazenda em Caetité, onde levava a família para passar o verão devido ao clima mais ameno. E numa dessas temporadas, no ano de 1845, abateu-se sobre a Bahia uma das terríveis secas  que assolam o nordeste cíclicamente, obrigando a família  a bater em retirada, viagem penosa feita à cavalo, sob o sol inclemente.
     Para descansar, pousaram na fazenda dos Canguçus, gente próxima à família do major, em razão das lutas da independência. Essa família tinha se empenhado de tal modo pela independência do Brasil, que após sua conquista resolveram renegar suas raízes portuguesas, acrescentado ao Pinheiro o nome Canguçu, que na língua indígena significava a onça pintada.
     Sucede que durante o pouso, que durou vários dias, um dos Canguçus, chamado Leolino, que já era casado, se apaixonou por Pórcia, amor correspondido pela filha do major. Na partida da família, esse jovem interceptou a comitiva, já nos limites da fazenda, e sequestrou a jovem que partiu com ele de bom grado, indo os dois se arrancharem num pequeno sítio, onde passaram a viver guardados por vários capangas, longe das duas famílias.
     O major Silva Castro, porém, inconformado com a traição da filha e dos Canguçus, não desistiu de recuperar a filha e, num descuido de Leolino, que viajara a negócios deixando Pórcia aos cuidados de seus homens, atacou o sítio, com auxílio das famílias Moura e Medrado, resgatando-a, não sem antes matar a facão o filho de apenas um ano que havia nascido da união dos dois.
     O resgate dramático, contra a vontade da filha e vitimando de forma brutal seu próprio neto, que foi esquartejado à vista da mãe, porque o major não queria ter na família alguém com o sangue dos Canguçus, levou a uma longa guerra entre as famílias, que durou gerações.
     É neste ambiente de rixa familiar, que Afrânio Peixoto desenvolve seu romance, entre um caixeiro viajante e a filha de um fazendeiro, que seria da linhagem dos Canguçus e teria sequestrado sua esposa da família Moura, aliado dos Silva Castro. É portanto um romance histórico, que embora ficcional, se desenvolve à luz de fatos reais, desvendando a realidade do sertão baiano no século XIX.
     A beleza instigante da história só se percebe ao final, quando vem à tôna o papel da mulher do fazendeiro, no sentido de desatar o nó de ódio que unia as duas famílias. Sutilmente, e sem ser percebida, esta mulher traça sua teia, criando um fato que vai tornar impossível a continuação da vendetta entre os Canguçus e os Mouras.
     Uma obra belíssima, curta e de uma delicadeza inesperada, escrita por este baiano de Lençóis, nascido em 1876 e falecido no Rio de Janeiro em 1947. Imprescindível para quem quiser entender a história dos sertões baianos.

CLIPE DA SEMANA

Little Boxes
    
     Esta semana dedicamos a música Little Boxes, de Marvina Reynolds, na versão feita por Nara Leão, aos estudantes de arquitetura da Brasil.
Uma caixa bem na praça, uma caixa bem quadradinha
Uma caixa, outra caixa, todas elas iguaizinhas
Uma verde, outra rosa e uma bem amarelinha
Todas elas feitas de tic tac, todas elas iguaizinhas

As pessoas dessas casas vão todas pra universidade
Onde entram em caixinhas quadradinhas iguaizinhas
Saem doutores, advogados, banqueiros de bons negócios
Todos eles feitos de tic tac, todos, todos iguaizinhos

Jogam golf, jogam pólo, bebendo um bom martini dry
Todos têm lindos filhinhos bonequinhos engomadinhos
As crianças vão pra escola, depois pra universidade
Onde entram em caixinhas e saem todas iguaizinhas

Os rapazes ficam ricos e formam uma família
Todos eles em caixinhas, em casinhas iguaizinhas
Uma verde, outra rosa e outra bem amarelinha
E são todas feitas de tic tac, todas, todas iguaizinhas