domingo, 27 de janeiro de 2013

POLITICANDO

Em defesa dos animais


     Algumas pessoas tem me cobrado um posicionamento em relação à defesa dos animais contra a crueldade dos seres humanos. Tenho deixado este assunto em segundo plano, em face de problemas que a própria humanidade enfrenta, especialmente na nossa nação, que esta começando um ciclo de desenvolvimento sustentado e ainda precisa corrigir muitos problemas sociais, ambientais e políticos, para atingir um patamar digno de um país civilizado.
     Não só o Brasil, mas nosso continente, latino-americano, vem despertando há muito pouco tempo para um crescimento com justiça social, dentro de uma democracia plena. Falta muita coisa para nos integrarmos e crescer juntos, construindo uma pátria ampliada.
     Mas justamente por estarmos caminhando para um novo patamar de civilização está na hora de começar a questionar a maneira como nos relacionamos com os outros seres vivos que habitam este planeta, especialmente os animais.
     Não se trata de aderir a uma maneira que vai se tornando típica das sociedades hipócritas, de tratar os animais domésticos, especialmente cães e gatos, como se fossem seres humanos, enfiando-os dentro de roupinhas ridículas, levando-os ao cabeleireiro (pet shops) para fazer penteados, ou colocando-os para dormir em caminhas macias, o que a meu ver só tenta negar a sua natureza animal, querendo transformá-los no que não são, ou seja, em arremedos de seres humanos, crianças mimadas usadas para suprir a carência afetiva de seus donos.
     Não acho que isso seja cuidado verdadeiro, mas uma espécie de tortura, que coloca os bichos no papel de bonecos, servindo de diversão para seus donos.
   O que me preocupa não são os animais domésticos, mas os matadouros, onde diariamente promovemos um gigantesco massacre para matar os bichos que criamos para comer. São rios de sangue para alimentar uma humanidade cada vez maior e mais sedenta de carne, mesmo sabendo de todos os malefícios que a carne faz ao nosso organismo.
     A grande mentira, sustentada pelo saber dos médicos e nutricionistas, de que não podemos viver sem comer a proteína da carne, é desmentida diariamente por milhões de vegetarianos, que levam uma vida longa e saudável, sem participar do envenenamento coletivo das granjas, que alimentam suas aves com rações cheias de produtos químicos extremamente nocivos à saúde humana, ou às fazendas de gado, que "cortam" seus pastos com mata-mato, um veneno que depois é ingerido pelo gado e em seguido por nós, quando devoramos a sua carne.
     Mas não se trata apenas da nossa saúde e sim do direito à vida que todos os animais deveriam usufruir. Como justificar a existência cruel de uma galinha, criada dentro de uma gaiola tão apertada que ela nem consegue se mexer, para que engorde mais rápido e possa ser morta mais jovem, acelerando o cilclo do capital, para enriquecimento dos que se consideram donos das suas vidas?
     Como justificar a crueldade com que bois e vacas são marcados a ferro quente e mortos com marretadas na cabeça, numa fila onde sabem que vão morrer, sem nenhuma chance de defesa?
     Isso sem falar em alguns procedimentos especialmente cruéis, como o usado para fazer o famoso Patê de Foi, (pasta de fígado de ganso), onde o pobre bicho é amarrado e alimentado à força por toda a sua vida, para que seu fígado cresça desmesuradamente, servindo para fazer esta iguaria que agrada tantos paladares humanos.
     Há outros procedimentos terríveis, como na carne de vitela, veja abaixo:

A carne de vitela, é muito apreciada por ser tenra, clara e macia. O que pouca gente sabe é que o alimento vem de muito sofrimento do bezerro macho, que desde o primeiro dia de vida é afastado da mãe e trancado num compartimento sem espaço para se movimentar. Esse procedimento é para que o filhote não crie músculos e a carne se mantenha macia. "Baby beef", é o termo que designa a carne de filhotes ainda não desmamados.

Um dos principais métodos de obtenção de carne branca e macia, além da imobilização total do animal para que não crie músculos, é a retirada do mineral ferro da sua alimentação tornando-o anêmico e fornecendo o mineral somente na quantidade necessária para que não morra até o abate.

A falta de ferro é tão sentida pelos animais, que nada no estábulo pode ser feito de metal ferruginoso, pois eles entram em desespero para lamber esse tipo de material. Embora sejam animais com aversão natural à sujeira, a falta do mineral faz com que muitos comam seus próprios excrementos em busca de resíduos desse mineral. Alguns produtores contornam esse problema colocando os filhotes sobre um ripado de madeira, onde os excrementos possam cair num um piso de concreto ao qual os animais não tenham acesso.

A alimentação fornecida é líquida e altamente calórica, para que a maciez da carne seja mantida e os animais engordem rapidamente. Para que sejam forçados a comer o máximo possível, nenhuma outra fonte de líquido é fornecida, fazendo com que comam mesmo quando têm apenas sede. 
Com o uso dessas técnicas, verificou-se que muitos filhotes entravam em desespero, criando úlceras pela sua agitação e descontrole no espaço reduzido. Uma solução foi encontrada pelos produtores: a ausência de luz; a manutenção dos animais em completa escuridão durante 22 horas do dia, acendendo-se a luz somente nos momentos de manutenção do estábulo.

No processo de confinamento, os filhotes ficam completamente imobilizados, podendo apenas mexer a cabeça para comer e agachar, sem poderem sequer se deitar. Os bezerros são abatidos com mais ou menos 4 meses de vida - de uma vida de reclusão e sofrimento, sem nunca terem conhecido a luz do sol.
(http://www.guiavegano.com/vegan/comportamento/carne-de-vitelo-ou-vitela-voce-sabe-o-que-e-isto)
     Fala-se muito da contribuição da pecuária para o aquecimento global, devido à flatulência do gado, que emitiria muitos gases que vão para a atmosfera. Só não se fala que a existência dessa imensa população de gado encurralado no planeta, está diretamente ligada aos nossos hábitos carnívoros.

     É um absurdo a quantidade de carne que ingerimos. Além de nos intoxicarmos com toda a química associada à carne, existem estudos comprovando que o nível de agressividade da pessoa está ligada a este hábito. Aliás, basta comparar a docilidade de um animal herbívoro com a agressividade de um carnívoro, para comprovar tal fato.
     Em um planeta onde a violência aumenta exponencialmente, não há como não ligar os dois fatos.
     Há muitos anos venho me conscientizando da necessidade de consumir menos carne. Já passei anos sem comer este produto e confesso que sinto um certo nojo, em churrascos, ao ver aquele monte de gente suada, devorando pedaços de animais e ingerindo bebidas alcoólicas. Parecem uns trogloditas.
     E quando se fala em lazer, no Brasil, logo alguém sugere um "churrasquinho" com uma cerveja gelada. Parece que nos tornamos uma civilização carnívora e etílica
     Tudo isso faz com que encaremos com naturalidade toda a violência cometida diariamente contra os animais. E se fosse conosco, como nos sentiríamos? Imagine se um dia fôssemos invadidos por alienígenas que nos usassem como alimento: como poderíamos nos defender dizendo que isso era uma prática injusta, se fazemos o mesmo com os outros animais?
     Está na hora do governo promover hábitos alimentares mais saudáveis. Isto também é uma política de saúde. Menos carne, menos gordura, menos toxinas, menos obesidade,  menos problemas cardiovasculares, dentre outros.
     Pense nisso da próxima vez em que for ao supermercado.

     Por Ricardo Stumpf

PAPO DE ARQUIBANCADA

ABRE O OLHO, PEIXE !


     Caros leitores, viajando pelos Incisos e Cláusulas da Lei Pelé, entendi que todo jogador formado nas divisões de base de um clubes barsileiro, após o final do seu primeiro contrato profissional com este clube, caso não entre em acordo para renovação deste contrato, tem o direito de receber seu passe livre.
       Estava pensando cá com meus botões:
     - Então o Neymar, ao terminar seu contrato com o Santos terá seu passe nas mãos, podendo negociá-lo como lhe convier ?! O Santos pode ficar à ver navios depois de todo investimento feito durante sua formação e agora para mantê-lo até a próxima copa do mundo ?!
     Bom, meus amigos, acredito que o setor jurídico do Peixe deve estar atento e com certeza ter alertado aos seus dirigentes, caso este seja o caso, que por sua vez, devem estar negociando uma renovação contratual, caso contrário o alvi-negro praiano pode ficar a ver navios sim ! Com a palavra, os especialistas de plantão !!

BARCELONA ALEMÃO ?!


        Agora é oficial, Guardiola é o novo técnico do Bayern de Munique.
      Com a moral de ter sido o comandante do clube de melhor futebol da atualidade, o Barcelona, e um dos maiores times da história do futebol mundial, Pep chega ao Bayern com a responsabilidade de repetir a fórmula de sucesso implantada no time Catalão e colocar na obediência tática dos alemãs a ginga do futebol exibição que encantou o planeta.
      O grande objetivo do espanhol é vencer a liga dos campeões, e, para tanto a diretoria do clube irá disponibilizar a bagatela de R$ 760 milhões para o treinador ir às compras. Tenho certeza que o carrinho de compras de Pep Guardiola vai passar pelo Brasil, cujo sonho de consumo declarado é o craque Neymar: agora vai ser difícil segurar !

POESIA DA SEMANA

Traduzir-se

Uma parte de mim
é todo mundo:
outra parte é ninguém:
fundo sem fundo.

Uma parte de mim
é multidão:
outra parte estranheza
e solidão.

Uma parte de mim
pesa, pondera:
outra parte
delira.

Uma parte de mim
almoça e janta:
outra parte
se espanta.

Uma parte de mim
é permanente:
outra parte
se sabe de repente.

Uma parte de mim
é só vertigem:
outra parte,
linguagem.

Traduzir uma parte
na outra parte
- que é uma questão
de vida ou morte -
será arte?

Ferreira Gullar

DESTAQUE

Quando Nietzsche Chorou

    
     Este livro estava na minha estante há mais de dois anos, mas eu não me animava.
     Filosofia não é um assunto de minha preferência, mas semana passada achando-o, resolvi dar uma olhada. Trágico erro: ao abrir a primeira página não há como parar.
     Fui deixando tudo pra trás, tarefas, obrigações, coisas do dia-a-dia, envolvido por esta leitura fabulosa, onde duas grandes inteligências do final do século XIX se confrontam de forma tenaz, num verdadeiro jogo de gato e rato, um querendo enganar e manipular o outro, no intuito de se ajudarem mutuamente, sem que o outro percebesse que estava sendo ajudado.
     Através dessa fantasia, criada pelo psiquiatra americano Irvin Yalom, (Editora Agir, Rio de Janeiro, 35a. Edição-2009), vamos nos inteirando do ambiente na Viena de 1882, das idéias que deram lugar ao nascimento da psicoterapia e do crescente movimento antisemita, que desembocaria no nazismo no início do século XX.
     Numa ficção histórica, Yalom promove um encontro, que nunca houve, entre o médico judeu Josef Breuer, personagem real considerado um dos pais da psicanálise e mentor do jovem Sigmund Freud e o filósofo Friederich Nietzsche, filho de um pastor luterano, que lutava para se libertar do pensamento reinante na época, cheio de convenções burguesas, de racionalismo cartesiano e de preconceitos religiosos que impediam o avanço da sociedade ocidental.
     Nietzsche, que abominava qualquer tipo de boas intenções por parte de representantes da burguesia européia, sofria de terríveis enxaquecas, que o impediam de progredir nos seus trabalhos, mas ser recusava a ser ajudado.
     Breuer, já adotando uma postura que prenunciava o advento da psicanálise, resolve ajudá-lo sem que ele saiba, se colocando por sua vez sob seus cuidados para que resolvesse seus problemas existenciais.
     O que era apenas um truque para fazer Nietzsche aceitar o tratamento acaba se tornando real e começa realmente a mexer com a cabeça do médico, criando uma confiança cada vez maior entre os dois, que vão superando suas barreiras internas ao mesmo tempo, até que numa catarse a dois chegam a um final surpreendente.
     Uma leitura deliciosa e que mostra ao leitor desavisado, como eu, de que matéria é feita a psicanálise, fazendo-nos entender o seu surgimento, à partir de práticas médicas tradicionais e da curiosidade científica de homens como Breuer e Freud, que no século XIX já intuiam que havia mais do que pensamentos, ocultos sob a consciência humana.
     Não deixem de ler.

CLIPE DA SEMANA

O clipe da semana é da música CAIS, de Milton Nascimento, na interpretação de Nana Caymmi com a participação do prórpio Milton.



Clique no link e assista:

RAPIDINHAS

  HORROR
 
Pouco há o que dizer sobre a tragédia na boate Kiss em Santa Maria, que enlutou o Brasil, no domingo dia 27 de janeiro.
     Morrer desses jeito, numa arapuca de fogo e fumaça, causada pela soma de irresponsabilidades de quem deixou tanta gente entrar num local tão pequeno, desprovido de saídas de emergência adequadas e ainda tentou dificultar a fuga, preocupados com o pagamento dos clientes, é muito triste.
     Gente jovem, universitários que farão muita falta ao Brasil e ao Rio Grande do Sul.
     É cedo para acusar alguém, mas as responsabilidades tem que ser apuradas, para que casos como esse não voltem a se repetir.

O País dos 30 Berlusconis


     A organização Repórteres Sem Fronteira (RSF), criticou o Brasil esta semana pela excessiva concentração da mídia nas mãos de poucas famílias, usando como exemplo a figura de Berlusconi, o magnata da mídia italiana que dominou a política do seu país em benefício próprio.
     Segundo a RSF, 10 grupos econômicos familiares comandam a maioria dos jornais, TVs e portais da internet, manipulando a opinião pública segundo seus interesses.
     Disseram também que a democratização da propriedade da mídia, sustentada pela propaganda governamental, não acompanhou o processo democrático que ocorreu no Brasil nos últimos 30 anos.
     Falta alguém ter coragem de enfrentar este cartel poderoso, que tentará demonizar quem ousar tocar no assunto.

Vitória conservadora?


     Por falar em manipulação da mídia, todos os canais de TV davam a vitória do ultra-conservador Benjamin Netanyahu em Israel, mesmo com as pesquisas de urna indicando a possibilidade de uma vitória dos partidos de centro-esquerda.
     Mesmo após os resultados, desastrosos para os conservadores, que perderam 11 cadeiras no parlamento e não conseguiram maioria, os noticiários continuaram falando sobre a "vitória" da direita nas eleições israelenses.
     Só através de negociações, Netanyahu conseguiu uma cadeira a mais para montar uma frágil maioria, que pode ser derrubada a qualquer momento por um voto de desconfiança.
     Isto é uma vitória ou uma derrota para a política fascista de seu grupo, apoiada pelos Estados Unidos e pelo grande capital internacional, apoio que se reflete na colonizada mídia brasileira?

Bombando

     A primeira declaração do primeiro ministro israelense, Benjamin Netanyahu, após conseguir uma frágil maioria no parlamento, foi reafirmar a sua prioridade de impedir que o Irã consiga uma arma atômica, retomando a tática do "inimigo externo", para desviar a atenção da população israelense da alta do custo de vida e da concentração de riqueza, resultado da sua política conservadora de promover a desigualdade social para beneficiar os grandes grupos econômicos do país.
     Enquanto isso, o Irã continua enrolando a Agência Internacional que monitora o desarmamento nuclear, a mesma que finge não saber que Israel possui armas atômicas.
     Pense bem, prezado leitor, se você fosse o presidente iraniano e quisesse desenvolver armas atômicas em meio a tanta pressão internacional, o que faria? Bom, se fosse eu, mandaria meus cientistas para a Coréia do Norte, país onde esses fiscais não entram mesmo, e desenvolveria tudo por lá, com o apoio dos norte-coreanos que já detém essa tecnologia, precisam de dinheiro e aceitariam de bom grado uma contribuição do Irã.
     Pode ser coincidência, mas a Coréia do Norte acaba de anunciar que vai fazer novos testes com armas atômicas. Será?

HUMOR TRANSATLÂNTICO




TRIBUNA ABERTA

          Esta semana, recebemos um comentário da leitora Linda Porto (segue abaixo), sugerindo que fosse criado um espaço em nosso blog para divulgação da campanha contra maltratos aos animais. A coluna POLITICANDO desta semana trata do tema e também foi colocado um link permanente para denúncias. Agradecemos sua participação Linda e a parabenizamos pelo seu aniversário.
          Participe você também do Blog O PAIZ, mande sua sugestão.





 Ricardo ! Não achei um lugar para colocar minhas idéias mas aí vai! Sugiro que seja criado um lugar para a defesa e reconhecimento da Defesa dos Animais pois conhecendo voce sei que não é indiferente ao "Holocausto" a que são submetidos os animais por criaturas que se dizem "humanos" mas não têm o menor respeito pela vida que seja "diferente" dos humanos" Os animais e todo o resto do Planeta terra merecem o nosso respeito! Crie aqui um segmento de defesa apelos animais e pelo Planeta TERRA!

Linda Porto

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

TRIBUNA ABERTA

      Esta semana, recebemos o e-mail do leitor Gustavo Araújo da Silva, que, ao ler a coluna POLITICANDO da semana passada, cujo tema foi Reforma Urbana, associou a canção Criminalidade, de autoria do cantor e compositor Edson Gomes e nos solicitou sua publicação. Agradecemos sua participação Gustavo, segue abaixo o link de acesso à música solicitada. 
          Participe você também do Blog O PAIZ, mande sua sugestão.

EDSON GOMES


HUMOR TRANSATLÂNTICO


RAPIDINHAS

Mudando de lado

    
    Será que estou vendo coisas ou ACM Neto está se aproximando da base aliada do governo?
    Falando sobre as opções do PSDB para 2014, Neto declarou que não ia pagar pelo erro dos outros, dando a entender que considerava uma ruptura com a tradicional aliança com os tucanos. 
     Talvez isto explique porque Jacques Wagner deixou que o PT de Salvador lançasse mais uma vez a candidatura falida de Pelegrino à prefeitura da capital, enquanto deixava morrer à mingua o movimento grevista dos professores, inflando a candidatura adversária.
     Isto me lembra uma história que Leonel Brizola contava sobre os fazendeiros gaúchos.
     Tradicionais pecuaristas e latifundiários, esses antigos "coronéis" do sul, que mandavam na política de lá, às vezes se viam às voltas com ladrões de gado. Então contratavam um justiceiro para caçar e degolar os bandidos. Feito o serviço, mandavam matá-lo, para que não denunciasse os mandantes.
     Pelegrino fez todo o serviço sujo do PT, inclusive liderou a famosa reforma da previdência, em que Lula traiu seus compromissos com os aposentados. Agora acabaram com ele.
     Quanto à Neto, parece já se preparar para se aninhar sob as asas confortáveis dos governos Dilma e Wagner, garantindo uuma sobrevivência ao seu DEM na base aliada, junto com antigos e fiéis colaboradores de seu avô, como Otto Alencar, que já se bandearam há muito tempo.
 
Lançamento de Livro

 

   
     Prezados amigos
     Recebemos da professora Esther Lígia, grande promotora da cultura na cidade de Livramento, este convite para lançamento do livro Peço a Palavra.
     Embora não tenhamos podido comparecer, fica aqui o registro. 
Walmor Chagas
     
     Que tristeza: perdemos Walmor Chagas.
     O gaúcho de Alegrete foi um dos maiores atores brasileiros. Na verdade foi um dos fundadores do moderno teatro brasileiro, à partir da segunda guerra mundial. Fez também muitos filmes, novelas e dirigiu muitos espetáculos.
     Há muito tempo vivia sozinho em um sítio, em Guaratinguetá, no Estado de São Paulo. Sua morte, por um tiro na cabeça, foi resultado de aparente suicídio e está sendo investigada pela polícia.
     Segundo a família, Walmor estava deprimido com as doenças associadas à velhice.
     Nem todos resistem às crueldades do envelhecimento.

     Pra quem tem SKY, não deixe de sintonizar no canal 101, para ver o Arte 1, um canal brasileiro (do grupo Bandeirante)  inteiramente dedicado à arte e à cultura, com programação de música, cinema, teatro, etc.
    Até que enfim uma opção para fugir da mediocridade da TV aberta com seus big brothers e também da TV paga com seus filminhos enlatados americanos, e sem aquela afetação elitista da TV Cultura de São Paulo,  dominada pelos tucanos emplumados.
     Não deixe de assistir!

CLIPE DA SEMANA

O clipe da semana são das músicas MORENA DOS OLHOS D´ÁGUA e TOADA, de Chico Buarque e Zé Renato, Claudio Nucci e Juca filho, respectivamente, na interpretação do Boca Livre com a participação do grupo MPB4.



  Clique no link e assista:

DESTAQUE

Delícias de Rio de Contas
Arte rupestre

Figura zoomorfa pré-histórica, aparentemente representando uma ema.

          A apenas poucos quilômetros da sede do município, no Distrito do Brumadinho, está uma amostra da arte dos nossos antepassados, sobre a chamada Pedra do Cauã, um grande maciço rochoso cuja parte frontal desabou, levando consigo parte das pinturas e das gravuras representadas sobre ele.
          Este painel artístico corre perigo, por não ter ainda sido reconhecido pelo IPHAN, Instituto do Patrimônio Artístico e Histórico Nacional, responsável legal pela guarda dos tesouros arqueológicos brasileiros.
A Pedra do Cauã

        Apenas os moradores do local tem se esforçado para preservar este monumento, um verdadeiro recado deixado sobre a pedra por nossos ancestrais de milhares de anos atrás. Até agora, nenhum arqueólogo veio visitar o local, cuja visitação está restrita apenas para pessoas conhecidas.

       Com o desbamento da parte frontal, muitas figuras ficaram divididas, em blocos separados.

     As pinturas predominantes são em ocre, mas também existem algumas na cor vermelho escuro e também gravuras de baixos relevos, semelhantes às encontradas nas itaquatiaras mostradas na edição passada deste blog.
Baixos relevo escavados sobre parte do bloco desabado
     Uma escavação arqueológica, que removesse o entulho do desabamento poderia estabelecer datações e encontrar mais figuras, ocultas pelas camadas de soterramento.
 Pintura deteriorada

     E recuperar partes de desenhos que se desprenderam, recompondo-os e procurando entender a que tradição pertencem, ajudando a reconstruir a pré-história do nordeste brasileiro...

 Desenhos de curvas de rios ou raios solares?
     E procurando desvendar o imaginário destes nossos ancestrais tão remotos, que habitavam esta região há milhares de anos atrás.
    Água corrente?
     E nos deixaram estes recados enigmáticos.
     Atenção visitante, se você conhece este local, por favor não divulgue sua localização. A melhor maneira de protegê-lo é mantendo-o longe da visitação. Se for visitá-lo, por favor não acrescente nada às pinturas, preserve-as.


POESIA DA SEMANA

Difícil Ser Funcionário


Difícil ser funcionário
Nesta segunda-feira.
Eu te telefono, Carlos
Pedindo conselho.

Não é lá fora o dia
Que me deixa assim,
Cinemas, avenidas,
E outros não-fazeres.

É a dor das coisas,
O luto desta mesa;
É o regimento proibindo
Assovios, versos, flores.

Eu nunca suspeitara
Tanta roupa preta;
Tão pouco essas palavras
Funcionárias, sem amor.

Carlos, há uma máquina
Que nunca escreve cartas;
Há uma garrafa de tinta
Que nunca bebeu álcool.

E os arquivos, Carlos,
As caixas de papéis:
Túmulos para todos
Os tamanhos de meu corpo.

Não me sinto correto
De gravata de cor,
E na cabeça uma moça
Em forma de lembrança.

Não encontro a palavra
Que diga a esses móveis.
Se os pudesse encarar...
Fazer seu nojo meu...

João Cabral de Melo Neto

PAPO DE ARQUIBANCADA

AVANÇANDO NA COPINHA


     Caros leitores, os meninos do Bahia continuam dando show na Copa São Paulo de Júnior, ontem foi a vítima foi o Grêmio de Porto Alegre. O tricolor baiano massacrou o dos pampas, aplicando uma goleda de 4 x 1. Agora o Bahia vai encarar o Goiás pela semi-finais da competição, com grande chance de chegar à final já que o time baiano é o de melhor desempenho neste certame.

      Tá na hora do treinador Jorginho dar chance a esta garotada da base, não dá mais pra engolir Zé Roberto, Mancini e Cleberson no time principal. Não é possível que um time que em 03 anos chegou à final desta mesma Copa São Paulo e a semi-final da Copa do Brasil ano passado, não tenha jogadores que possam substituir esses veteranos: abre o olho professor !

POLITICANDO

Reforma da Saúde
  
     Nas duas edições passadas, as primeiras do Blog "O Paiz", falamos da necessidade da Reforma Educacional e da Reforma Urbana. Antes, ainda no Blog Segunda-feira, havíamos falado da Reforma Agrária, temas que se arrastam no Brasil desde a década de 1960, quando foram propostas pelo governo João Goulart e que eram chamadas por Leonel Brizola de reformas de base.
     Hoje falaremos da Reforma na Saúde, que também se inclui nas tais reformas de base, e eram chamadas assim porque se entendia que eram a base para construir um país moderno e avançado, removendo velhos entraves que nos ligavam ao nosso passado colonial e coronelista.
     Essas reformas não foram feitas, porque na época da guerra fria foram tratadas pelos setores conservadores como se fossem um projeto ligado ao comunismo, num tempo em que o mundo se dividia entre capitalismo e comunismo, Estados Unidos e União Soviética.
     Mas na verdade os setores que as promoviam não eram comunistas. Brizola e João Goulart nunca quiseram instalar o comunismo no Brasil, embora fossem aliados do Partido Comunista.
     O próprio PCB, o velho partidão, dizia que antes de entrarmos numa etapa de construção do socialismo, teríamos que passar pela revolução burguesa, ou seja, pela instalação de um capitalismo competitivo, para desenvolver nossas forças produtivas.
     Era assim mesmo o linguajar daquela época, que hoje pode parecer estranho. E toda essa ideologia foi por água abaixo com o golpe militar de 1964, patrocinado pelos americanos para impedir que o Brasil caísse nas mãos dos comunistas.
     Na verdade o que os americanos temiam era que o Brasil realizasse as tais reformas de base e se tornasse em pouco tempo uma potência no continente, rivalizando com eles. Eles sabiam que temos um enorme potencial e temiam antes de tudo a reeleição de Juscelino Kubistchek, que era vista como inevitável para o ano seguinte, 1965.
     Juscelino tinha dado um impulso formidável ao Brasil e poderia realizar as tais reformas, nos levando a nos tornar uma potência.
     Então, com a desculpa de salvar a democracia, os americanos instalaram no Brasil uma ditadura que durou 21 anos, nos jogando de volta nas mãos do conservadorismo mais atrasado e impedindo que o Brasil se renovasse.
     Daí pra frente, todas as energias da política brasileira se voltaram para a luta contra a ditadura. Foi uma longa noite. Com o fim dos governos militares, vieram os governos ainda controlados pelos americanos: Sarney, Collor e Fernando Henrique Cardoso. Só com a eleição de Lula, em 2002, conseguimos nos libertar da manipulação dos norte-americanos e começamos a reconstruir uma agenda política e econômica independente.
     Mesmo assim, era preciso consertar os estragos de tantos anos de governos coloniais, o que tem sido feito com eficiência por Lula e Dilma, especialmente Dilma, desde que assumiu a Casa Civil do governo Lula, no lugar do aventureiro José Dirceu, hoje condenado pelo Supremo Tribunal Federal por suas trabalhadas aventureiras.
     Agora, com a economia estabilizada, inflação controlada, juros baixos, desemprego mantido em um patamar mínimo, democracia plenamente restaurada, política internacional corrigida, com o alinhamento correto do Brasil aos BRICS e à America Latina, em detrimento dos interesses norte-americanos, está na hora de retomar a agenda das reformas estruturais essesnciais para tirar o Brasil definitivamente do atraso.
     As reformas mais importantes ainda estão aguardando ser colocadas na lista de prioridades, e elas são essas mesmo: reforma agrária, reforma educacional, reforma urbana e reforma na saúde.
     Só com essas reformas teremos um povo desenvolvido, bem educado, saudável, morando em condições de habitação dignas, sem defasagem entre o desenvolimento do campo e das cidades.
     Qualquer governo minimamente comprometido com o povo, não pode adiar mais essas reformas. Vejam o caso da saúde.
     Desde que foi implantado o SUS, baseado em um modelo descentralizado e conselhista nada melhorou. A medicina privada cresceu muito, oferecendo aos médicos a perspectiva de aumentar seus ganhos e levando-os a manter seus empregos públicos apenas como garantia de uma renda mínima, enquanto dedicam a maior parte do seu tempo aos pacientes que podem pagar por uma consulta ou por um plano de saúde.
     É claro que ainda existem médicos que trabalham por compromisso com a população, e são profissionais valorosos, mas cada vez mais são uma minoria, vistos pelos médicos ricos como idealistas.
     A maioria dos médicos se tornaram profissionais arrogantes e descompromissados com a saúde da população. Se recusam a atender gente pobre. Não querem sujar suas mãos sofisticadas com trabalhadores, gente suada e mal-cheirosa. Preferem atividades mais lucrativas e que lhes deem mais status social, enquanto o povo cada vez mais padece nas filas dos hospitais públicos.
     Mesmo a classe média, que pode pagar por um plano de saúde, na hora em que precisa de um procedimento mais caro tem que recorrer aos tribunais, pois as operadoras dos planos simplesmente se recusam a atendê-los.
     Há poucos dias a insuspeita Rede Globo exibiu uma matéria sobre o sistema de saúde britânico, considerado o melhor do mundo. Lá o sistema público paga muito bem aos profissionais, que preferem trabalhar para o governo do que abrir consultórios particulares. O povo é muito bem atendido em clínicas e hospitais públicos e através do sistemas de medicina preventiva que atua nas próprias residências da população, cadastrando em cada bairro os doentes que precisam de acompanhamento.
     O mesmo é feito em Cuba, país pobre que consegue dar à sua população um serviço exemplar na área da saúde, provando, nos dois exemplos, que a medicina não pode ser um negócio, mas precisa ser um assunto de governo, tratado como atividade sem fins lucrativos.
    A saúde bancada pelo governo, assim como a educação, não é uma despesa, mas um investimento, que tem um ótimo retorno. Uma população sadia, educada, atendida por bons transportes públicos, vivendo em boas habitações, se sentindo segura e confiante, é capaz de produzir muito mais, não apenas nas fábricas e nos serviços públicos, mas também na ciência e nas artes e no pensamento em geral, elevando nosso país a um outro patamar, transformando um povo abandonado, humilhado e dessassistido, num povo de primeira qualidade, capaz de brilhar em muitas áreas além dos tristes arremedos da nacionalidade que se tornaram no Brasil, o futebol e o carnaval.

domingo, 13 de janeiro de 2013

POLITICANDO

Reforma Urbana

   
      Pedi a Adriano que colocasse no blog desta semana o velho clipe de Michael Jackson, They don't care about us, gravado no Brasil, entre Rio e Salvador, junto com o Olodum.
     Foi uma coincidência estar num bar tomando uma cerveja, quando assisti ao clipe antigo, logo após ver as notícias sobre os desabamentos de sempre nas favelas cariocas e encostas paulistas. Imediatamente me veio à mente que o recado do músico americano continuava atualíssimo.
     Eles não ligam pra gente, é a tradução. A verdade continua imutável. Passados tantos anos e as favelas não param de crescer e as mortes por desabamentos não param de acontecer.
     Até quando essas invasões, favelas ou loteamentos irregulares vão estar ali?
     Até quando vão continuar amontoando gente, expulsa da cidade pelo mercado?
     Até quando vamos adiar a Reforma Urbana, tão necessária às nossas cidades?
     Mas o que é reforma urbana? É a intervenção do Estado no mercado para evitar essas distorções, que excluem a maioria da população, impedindo-a de adquirir um imóvel, devido a alta valorização destes nas cidades, dominadas por mercados especulativos.
     Antes de mais nada, é preciso compreender que ninguém produz um terreno. Ele já está ali. É a superfície do solo. Sua valorização se dá pela demanda de espaços na cidade e também pela oferta de serviços. Água, luz, pavimentação de ruas, coleta de lixo, esgotos e transportes criam a infraestrutura que valoriza o imóvel. Todos esses serviços são executados pelo Estado ou por concessionárias que assumem essa responsabilidade e são remuneradas por ele. Ou seja, quem paga esses serviços que valorizam um lote somos todos nós, a sociedade organizada, ou seja, o Estado.
     Por isso, não é nada demais que o Estado intervenha para regularizar o mercado imobiliário, criado por ele mesmo, através da infraestrutura de serviços, que transforma um longínquo pedaço de terra em um lote, adequado a receber uma moradia.
     Mas quando se fala em reforma urbana no Brasil ocorre um frisson. A direita diz logo que isso é intervenção do estado, que é preciso deixar o mercado agir livremente e que a longo prazo tudo se resolverá através da mão invisível do mercado.
     Não é isso que se vê. Passam os anos e os problemas de habitação, criados pelo mercado especulativo só se agravam, provocando essas tragédias anunciadas todos os anos. São milhões que vivem em péssimas condições, e não há programa habitacional que resolva o problema, porque não se trata de falta de moradias, como insiste o sindicato das construtoras (Sinduscon), sempre interessado em ganhar dinheiro através de programas do governo.  Ao contrário, o censo de 2010 mostrou que existem mais domicílios fechados no Brasil do que famílias morando em más condições, ou mesmo sem casa nenhuma. Portanto, o tal deficit habitacional não passa de uma mentira.
     O problema não é de falta de habitações, mas de concentração da propriedade imobiliária nas mãos de uma minoria. Construir mais casas  pode até ajudar no começo, mas logo que elas começam a se valorizar, através dos mecanismos especulativos, as pessoas começam a vendê-las para gente com renda mais alta e voltam a ocupar os espaços ilegais, que são muito mais baratos.
     Mas então, o que fazer?
     As reformas urbanas, feitas nos países capitalistas centrais, Estados Unidos e Europa, sempre tiveram como objetivo conter a especulação sobre o preço dos imóveis, ou seja, a sua valorização. Não faz sentido que a gente compre um terreno por um valor e alguns anos depois ele esteja valendo 10 ou 20 vezes mais. No entanto é isso que acontece no Brasil.
     O certo é que o preço permanecesse estável, através de mecanismos de controle sobre a especulação.
     É claro que isso diminuiria muito o lucro dos especuladores, que teriam que investir em produção de habitações, ao invés de simplesmente ficar esperando a valorização. Há casos em que edifícios inteiros são adquiridos por especuladores, apenas para alugá-los e obter renda, impedindo que as pessoas que realmente necessitam da habitação tenham acesso a ela. Isso significa atribuir ao imóvel um valor de troca maior do que o valor de uso. O imóvel vira uma espécie de moeda, perdendo a sua função original, que é dar abrigo a uma família e provocando essas distorções que levam ao crescimento das favelas e invasões.
     Mas como diz a música de Michael Jackson, quem se importa com essas pessoas que estão nas favelas?
     Dez anos de governo do PT não foram suficientes para mexer nesse problema, talvez pelo medo que este partido tenha de desagradar a sempre bajulada classe média, talvez porque, como disse o Lula depois de sair do governo, ele nunca tenha sido de esquerda, e não se importe mesmo com o povo.

CLIPE DA SEMANA

O clipe da semana é da música THEY DON´T CARE ABOUT US (Eles não ligam pra gente), de autoria do rei do pop, Michael Jackson, com participação do Olodum.


Clique no link e assista:

PAPO DE ARQUIBANCADA

INDO ÀS COMPRAS

      

       Caros leitores, o mercado do futebol brasileiro está movimentadíssimo. Face à situação econômica do Brasil e a crise mundial, sobretudo na Europa, conseguimos manter a maioria dos jogadores que se destacaram em seus clubes. O grande exemplo é Neymar que continua no Santos, mas ainda estamos repatriando outros grande jogadores: o campeonato brasileiro deste ano promete ser dos melhores. Acompanhe todas as transações do futebol brasileiro clicando no link abaixo:

http://globoesporte.globo.com/futebol/vai-e-vem-do-mercado/#/nacional

Futebol do futuro



        O time do Bahia se classificou hoje para a próxima fase da Copa São Paulo de Júnior, com a vitória por 2 x 0 contra o Audax de São Paulo. O tricolor baiano já havia vencido o Criciúma e o Botafogo da Paraíba, fechando a primeira fase com 100% de aproveitamento. O Vitória não repetiu a mesma campanha da Copa do Brasil, quando sagrou-se campeão e representará o Brasil na Libertadores da modalidade, perdendo o jogo por 1 x 0 e vaga para o Monte Azul, é uma pena a despedida precoce do rubro-negro baiano.
     Vamos torcer para que o Bahia repita as boas campanhas que vem realizando nesta competição nos últimos anos, chegando ao vice-campeonato, quando o Flamengo foi o grande campeão: Vambora Baêa, minha...!!!


POESIA DA SEMANA

Cântico primeiro de Aninha




A estrada está deserta,
vou caminhando sozinha.
Ninguém me espera no caminho.
Ninguém acende a luz.
A velha candeia de azeite
de há muito se apagou.
A longa noite escura...
A caminhada...
Carreando pedras,
construindo com as mãos sangrando
minha vida.
Deserta a longa estrada...
Mortas as mãos viris que se estendiam às minhas.
Dentro da mata bruta
Leiteando imensos vegetais.
Cavalgando o negro corcel da febre,
Desmontado para sempre.
Passa a falange dos mortos...
Silêncio. Os namorados dormem.
Flutuam véus roxos no espaço.
Na esquina do velho tempo morto
À sombra dos velhos seresteiros...
A flauta, o violão, o bandolim.
Alertas as vigilantes,barroando portas e janelas cerradas.
Cantava de amor a mocidade.
A estrada está deserta...
Alguma sombra escassa
buscando o pássaro perdido
Morro acima. Serra abaixo.
Ninho vazio de pedras.
Eu avante na busca fatigante
de um mundo impreciso
todo meu.
feito de sonho incorpóreo
e terra crua.
Bandeiras rotas, despedaçadas,
quebrando o mastro na luta desigual.
Sozinha, pisada. Nua. Espoliada, assexuada.
Sempre caminheira, removendo pedras.
Morro acima. Serra abaixo.
Longa procura de uma furna escura,
fugitiva a me esconder.
Escondida no meu mundo,
Longe...Longe...
Indefinido longe, nem sei onde.
O tardio encontro
Passado o tempo de semear o vale,
de colher o fruto.
O desencontro,
da que veio cedo e do que veio tarde.
A candeia está apagada
e na noite gélida eu me vesti de cinzas.
Meus olhos estão cansados
Meus olhos estão cegos
Os caminhos estão fechados.
Cora Coralina
(Vintém de Cobre: meias confissões de Aninha)

DESTAQUE

Um passeio pela pré-história nordestina
  
    Numa visita ao parque nacional da Serra da Capivara, no Piauí, em julho último, comprei um exemplar deste livro, de autoria de Gabriela Martin, com prefácio de Niéde Guidon.
     O livro, já na sua quarta edição, é publicado pela Editora Universitária, da Universidade Federal de Pernambuco e faz um passeio sobre os achados arqueológicos do nordeste brasileiro em oito capítulos:

     1) História da pré-história do nordeste brasileiro; neste primeiro capítulo a autora conta as notícias dos primeiros achados de pinturas rupestres pelos colonizadores portugueses, os mitos criados em torno de lendas de cidades perdidas e de possíveis conexões das pinturas e gravuras pré-históricas, como hieróglifos egípcios ou caracteres fenícios, e todo um imaginário que procurava ligar nossos primórdios com a antiguidade da civilização judaico-cristã, chegando até o início das escavações regulares, feitas com métodos científicos, já no século XX.

     2) Habitat e pré-história: o meio geográfico; a autora procura mostrar a relação entre o meio ambiente e a localização dos povos pré-históricos no que hoje é o território do nordeste brasileiro, procurando explicar, à partir de vestígios de animais e vegetais, qual era a flora e a fauna predominantes nas diversas regiões do nordeste e que importância essa relação com o ambiente tinha na localização dos sítios mutilizados pelos coletores e caçadores que habitaram esse enorme espaço geográfico, ao longo de milhares de anos. A predominância dos sítios está nos chamados boqueirões, que são bacias naturais que armazenam água da chuva, nas margens dos rios maiores e ao longo do litoral.
     Este capítulo mostra um mapa dos achados arqueológicos na região, destacando sempre que a pesquisa na região está em estágio inicial e que há áreas inteiras a serem trabalhadas, dentre elas a Chapada Diamantina:                                                                              Projetos de arqueologia pré-histórica desenvolvidos     
                                                                                                                                                            no  Nordeste do Brasil

     "A Chapada Diamantina, na Bahia, de forma tabular, divisor de águas entre rios que correm para o Atlântico e  os tributários do São Francisco, forma uma muralha com altitudes superiores aos mil metros, chegando a 2.100 metros no Pico das Almas. Região semi-deserta, apresenta-se prometedora para a investigação arqueológica pois já foram assinalados numerosos sítios pré-históricos, produto de prospecções rápidas e achados casuais. Com elevado índice pluviométrico, que pode chegar a 1.600 mm, a Chapada Diamantina possui florestas com árvores de grande porte que atualmente estão sendo devastadas pela extração de madeiras e plantio do café." p. 56

     3)A antiguidade do homem no nordeste do Brasil; netse capítulo são listados os sítios arqueológicos mais importantes e suas datações, que surpreendem pela antiguidade, como São Raimundo Nonato, no Piauí, com datações variando de 6150 a 48.000 anos, Bom Jardim, em Pernambuco, com datas até 9520 anos, Petrolândia, também em Pernambuco, de até 7.580 anos, Canindé do São Francisco, em Sergipe, com ocorrências de até 8.950 anos, Carnaúba dos Dantas, no Rio Grande do Norte, até 9.410 anos, Central, na Bahia, de até 9.390 anos, Santa Maria da Vitória, na Bahia, de até 6.520 anos e Coribe, na Bahia, quase divisa com Minas Gerais, com datações entre 8.860 e 43.000 anos.

     4) Áreas arqueológicas do Nordeste do Brasil; neste capítulo Gabriela Martin trabalha o conceito de área arqueológica, sua subdivisão em microrregiões e o conceito de enclave pré-histórico, detalhando os achados em alguns deles, como o Boqueirão da Pedra Furada, em São Raimundo Nonato e outros, frutos de operações de salvamento em áreas de alagamento por reservatórios de represas, como Itaparica, na Bahia e muitos outros. Seu relato impressiona pela quantidade imensa de achados, mesmo considerando que a prospecção arqueológica no nordeste está em estágio inicial. Quando se termina esta leitura, tomamos consciência de que estamos em cima de um verdadeiro tesouro inexplorado.

     5) Homo Faber: o desenvolvimento tecnológico do homem pré-histórico no nordeste do Brasil;

neste capítulo ficamos conhecendo os estágios de desenvolvimento da cerâmica e da chamada indústria lítica (trabalho em pedra), assim como trabalhos artesanais com ossos, conchas, cestaria e arte plumária do homem pré-histórico nordestino. Aí já surgem as primeiras divisões em tradições, e as primeiras hipóteses para explicar o povoamento da região. Uma dessas hipóteses, baseada na denominada tradição Itaparica (artefatos de pedra encontrados na operação
Implementos líticos polidos                                                                                                                                                Pontas de projétil de calcedônia e Silex
de salvamento do lago da represa de Itaparica, com resultados semelhantes em outras regiões do Brasil), formula a hipótese de que alguns povoadores da região teriam vindo do centro-oeste brasileiro, especialmente dos cerrados de Goiás, já que os artefatos encontrados lá, pertencentes a esta tradição, são mais antigos. Mas por enquanto isto não passa de uma hipótese e falta muita pesquisa de campo para que se possa reconstruir a trajetória dos nossos ancestrais.

     Também na cerâmica alguns resultados são surpreendentes. Peças mais antigas são mais elaboradas que as mais recentes, demonstrando que povos mais adiantados teriam sido sucedidos por outros mais atrasados, contrariando aqueles que acham que a história só anda pra frente e provando que em determinados momentos pode haver uma involução nas sociedades humanas. As principais tradições ceramistas do nordeste seriam a Tupiguarani e a Aratu.

Cerâmica da tradição tupi-guarani,                                                                                                                     Implementos para o tratamento da mandioca
                                                                                                                                                       
     6) O universo simbólico do homem pré-histórico nordestino; capítulo que trata da fantástica e abundante arte rupestre (sobre a pedra) no nordeste brasileiro. Os desenhos são impressionantes e Gabriela Martin nos brinda com as divisões em tradições, junto com todos os questionamentos científicos sobre essas mesmas divisões.


 Tradição nordeste. Cenas emblemáticas que sugerem ação cerimonial

       Os desenhos se dividem em grafismos (pinturas) e gravações, estas geralmente ocorrendo em pedras na beira de rios, conhecidas como Itaquatiaras, com destaque para a fantástica Pedra do Ingá, encontrada no meio do riacho do Ingá do Bacamarte, na Paraíba, coberta de petróglifos, com profundidade variando de 6 a 7 milímetros e largura de cerca de 3 cm.

     "...são centenas de lugares em todo o nordeste, com desenhos esquemáticos gravados nas pedras, de difícil filiação a determinado grupo étnico.
     É evidente que a maioria dos petróglifos ou itaquatiaras do nordeste do Brasil, estão relacionados com o culto das águas. Muitas dessas gravuras nos fazem pensar em cultos cosmogônicos, das forças da natureza e do firmamento. Possíveis representações de astros são frequentes, assim como a existência de linhas onduladas que parecem imitar o movimento das águas. É natural que nos sertões nordestinos, de terríveis estiagens, as fontes d'água fossem consideradas lugares sagrados, mas o significado dos petróglifos e o culto ao qual estavam destinados nos são desconhecidos." P. 292/293.

Gravuras da tradição Itaquatiara, Pedra do Ingá, Ingá do Bacamarte, Paraíba.     

   O que impressiona o observador leigo dessas representações, priuncipalmente as pinturas, é a sua capacidade de transmitir movimento e sentimento, apesar das técnicas rudimentares.

   7) A vida espiritual: o culto aos mortos; capítulo onde a autora descreve as diversas formas de enterramentos, as posições dos corpos, urnas funerárias e objetos que acompanhavam os rituais fúnebres, revelando valores e visões do pós-morte, das sociedades pré-históricas.

    8) O futuro da pré-história no nordeste; finalmente, neste capítulo a autora faz um apanhado geral do estágio dos trabalhos de prospecção arqueológica na região, seus principais contraditórios, e as políticas atuais em relação aos remanescentes indígenas. Neste ponto ela nos lembra que antes de Cabral não existiam índios, mas várias nações que depois foram homogeneizadas por este adjetivo do colonizador. Portanto o estudo dos povos que estavam aqui antes da chegada dos colonizadores, deve levar em conta a existência de várias etnias e culturas diversificadas, que ocuparam este território sucessivamente durante dezenas de milênios, período infinitamente mais longo a história que estudamos na escola.

Painel rupestre, São Raimundo Nonato, Piauí, datado entre 9 e 10 mil anos.

     Se você, leitor, se interessa pelo nosso passado remoto, abandone as especulações sensacionalistas sobre egípcios e fenícios na história do Brasil e mergulhe no que a ciência já nos traz, para explicar um pouco deste período, que só agora começamos a vislumbrar. Este livro talvez seja um primeiro passo na direção certa.